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Polícia

Razuk teria usado licença da Paraíba para tentar ‘esquentar’ sorteios ilegais pelo Brasil

Preso nesta semana, Eduardo Razuk movimentava mais de R$ 15 milhões por mês com rifas ilegais
Gabriel Maymone, Thatiana Melo -
Razuk teria usado licença da Paraíba para tentar ‘esquentar’ sorteios ilegais pelo Brasil
Carros de luxo de Eduardo Razuk foram apreendidos durante a Operação Rodas da Sorte. (Montagem: Pietra Dorneles, Jornal Midiamax / Arquivo pessoal)

Preso durante a Operação Rodas da Sorte, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, o influenciador digital Eduardo Razuk se utilizaria de um esquema complexo, que envolvia desde uma agência intermediadora no até uma operadora credenciada na Paraíba para conferir aparência de legalidade aos sorteios digitais de veículos de luxo. A investigação aponta que a rede movimentou cerca de R$ 100 milhões em seis meses. Razuk teve as contas em suas redes sociais bloqueadas pela Justiça.

Conforme apurado pela reportagem, Razuk estaria utilizando a licença da FM Agenciamento Publicitário & Intermediação de Negócios Ltda. (CNPJ 30.999.856/0001-83). A empresa possui cadastro ativo na Lotep (Loteria do Estado da Paraíba) exclusivamente na modalidade passiva (sorteios).

Nessa engrenagem, a ponte comercial entre o influenciador e a detentora da licença seria realizada por uma segunda agência, sediada no Rio de Janeiro, que inclusive faria lavagem de dinheiro para o tráfico de drogas naquele estado. No dia da operação em , equipes da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) estiveram em apoio à operação na casa de Razuk.

A empresa paraibana atuava como um “testa de ferro” regulatório ao ceder o uso de seu cadastro e autorização estadual para figurar formalmente como a realizadora dos sorteios divulgados nas redes do criador de conteúdo. Essa maquiagem jurídica permitia que os bilhetes fossem comercializados em escala nacional via Pix, repassando posteriormente os lucros da exploração dos jogos ao influenciador.

Manobra para contornar legislação

No entanto, nessa modalidade, o influenciador poderia atuar somente como um ‘garoto-propaganda’ e divulgar esses sorteios. Porém, o que foi apurado é que o próprio Razuk era quem organizava os ‘sorteios’, comprando os veículos em nome próprio para fazer as rifas.

A manobra tentaria, segundo a investigação, contornar a legislação federal de apostas e loterias em dois pontos cruciais: primeiro, pela cessão dos direitos concedidos pela Loteria da Paraíba, em que não é permitida a sublocação ou cessão do registro para que terceiros realizem os sorteios.

Segundo, por burlar a jurisdição, uma vez que, no entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizações de loterias estaduais possuem abrangência estritamente territorial. Para comercializar sorteios virtuais no Brasil inteiro — e atingir consumidores de Mato Grosso do Sul —, a operação exigiria um aval de autoridades nacionais.

A defesa de Eduardo Razuk, representada pelo advogado Tiago Bunning, afirma que a modalidade ‘sorteio virtual’ é permitida e que demonstrará sua tese jurídica no processo. Confira o posicionamento na íntegra:

“Os sorteios seguiam todas as normas legais, senão sequer seriam autorizados pela LOTEP que é uma Loteria Oficial do Estado da Paraíba. Se o termo “rifa” foi utilizado de forma equivocada em alguma divulgação feita por Eduardo, isso não muda a natureza do sorteio que segue todas as normas que o regulamentam. Na verdade até a palavra sorteio não é o que define o ato, sorteio é um gênero, do qual existem diversas modalidades, no caso a natureza jurídica do sorteio divulgado por Eduardo era uma “loteria passiva”, e toda a norma a este respeito era rigorosamente observada. As relações jurídicas de Eduardo com as empresas investigadas também seguiam todas as normas legais e os contratos formados entre as partes. Isso será comprovado no processo”.

Operação prendeu influenciador

A Operação Rodas da Sorte resultou no cumprimento de mandados de prisão e busca em Campo Grande, Rio de Janeiro e João Pessoa, além da apreensão de 22 veículos de luxo avaliados em R$ 20 milhões. Além disso, houve a indisponibilidade de 5 imóveis e de aproximadamente R$ 500 milhões em contas bancárias dos investigados.

A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração ilegal de loterias.

O proprietário da FM, Cícero Fabiano Melo Silva, foi preso na Paraíba. Ele já passou por audiência de custódia e foi encaminhado a um presídio. O empresário paraibano é apontado como responsável pela exploração de bingos ou outras modalidades de jogos de azar. Ainda, ele é investigado pela utilização de mecanismo para lavar dinheiro oriundo das atividades. A defesa dele afirma que o Paraíba Premiado não tem relação com os fatos investigados.

Eduardo foi preso junto do irmão, Rafael Razuk, por vendas ilegais de rifas, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Na internet, os irmãos vendiam rifas de veículos de luxo.

A reportagem procurou a FM pelos canais oficiais de comunicação divulgados pela empresa, mas não obteve retorno. A segunda agência, do Rio de Janeiro, também foi procurada, mas não respondeu aos questionamentos. Também buscamos esclarecimentos da Lotep e aguardamos retorno.

O espaço segue aberto para manifestações de todas as partes.

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(Revisão: Nichole Munaro)

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