Em João Pessoa (PB), a mais de 2 mil km de Campo Grande (MS), Cícero Fabiano Melo Silva, empresário no ramo de loterias, preso na Operação Rodas da Sorte, que investiga a venda de rifas ilegais de veículos de luxo que tinha os irmãos Razuk como membros, foi alvo recente do Ministério Público da Paraíba ao lado do influenciador Hytalo Santos.
A ação que levou o empresário para a prisão foi deflagrada pela Dercc (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos), de Mato Grosso do Sul. O empresário paraibano é apontado como responsável pela exploração de bingos ou outras modalidades de jogos de azar. Ainda, ele é investigado pela utilização de mecanismo para lavar dinheiro que seria oriundo das atividades.
A operação deflagrada em Campo Grande, que tinha como alvo principal o influenciador Eduardo Rezende da Silva, o Razuk, cumpriu 13 mandados de busca e apreensão, além de quatro prisões, sendo do próprio influenciador, do seu irmão Rafael Razuk, do Cícero e de outra pessoa no Rio de Janeiro.
Preso na Paraíba desde terça-feira (18), Cícero Fabiano, conforme o site Poder PB, foi há pouco mais de um mês alvo do Gaeco (Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado) e da Draco (Delegacia de Repressão ao Crime Organizado) daquele estado. A operação apurou suspeitas de lavagem de dinheiro e de ocultação patrimonial. Na ocasião, ele e o influenciador Hytalo Santos tiveram os nomes citados.
Isso porque, por meio da FM Agenciamento, empresa ligada a Cícero, operava produtos autorizados pela Lotep. Um deles era o “Fartura de Prêmios”, divulgado por Hytalo — a empresa era responsável pelo produto, enquanto o influenciador atuava como divulgador contratado.
Agora, Cícero Fabiano voltou a ser alvo de investigação e acabou preso. A Justiça manteve a sua prisão preventiva durante a audiência de custódia conduzida pela juíza Andrea Arcoverde Cavalcanti, da Vara Regional de Execuções Penais de João Pessoa.
Com isso, a magistrada determinou a transferência dele para a Penitenciária Desembargador Flósculo da Nóbrega, popularmente conhecida como ‘Presídio Róger’, na capital da Paraíba. O procedimento teve como objetivo verificar a legalidade da prisão, já que o mandado foi expedido pela Justiça sul-mato-grossense.
Além da prisão, a operação resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão em imóveis localizados nos bairros do Bessa e do Altiplano, em João Pessoa, e também em Campina Grande.

Esquema
Em uma coletiva de imprensa na tarde da terça-feira, os delegados Ivan Barreira e Pedro Cunha esclareceram a operação, que cumpriu 13 mandados de busca e apreensão, além de quatro prisões, sendo duas em Campo Grande (MS), uma em João Pessoa (PB), do empresário Cícero Fabiano Melo Silva, e outra no Rio de Janeiro (RJ).
A PCMS (Polícia Civil de Mato Grosso do Sul) iniciou as investigações após receber denúncias de que o influenciador Eduardo estaria realizando a venda de cotas de rifas de forma ilegal. Ele foi investigado por cerca de dois meses, durante os quais os policiais conseguiram constatar a ilegalidade na venda das cotas, que, em sua maioria, eram de veículos de luxo.
“A gente conseguiu agregar robustos elementos de informação que apontam que o principal investigado e os seus associados em Campo Grande ficaram, de fato, multimilionários com a prática dos ilícitos que estão sendo investigados. De certa forma, trata-se de um valor que foi obtido por meio de uma contravenção penal não autorizada, que é a loteria não autorizada”, explicou o delegado Pedro.

Segundo o delegado Pedro Cunha, titular da Dercc, em um período de seis meses, estima-se que o influenciador tenha movimentado R$ 100 milhões apenas com a venda das cotas. No entanto, ele já realizava a modalidade de sorteio ilícito desde 2019.
“Ele fala abertamente isso: que fatura, em média, em cada uma das suas rifas, aproximadamente R$ 2 milhões. Em um ápice de seis meses, ele chegou a movimentar mais de R$ 100 milhões”, disse o delegado Cunha.
Durante a operação, foi realizado o sequestro de bens do influenciador, que é o alvo principal da operação em Campo Grande, resultando na apreensão de 22 veículos de alto padrão e dois relógios de luxo, que, segundo ele, foram conquistados por meio da prática das rifas. Além disso, houve a indisponibilidade de 5 imóveis e de aproximadamente R$ 500 milhões em contas bancárias dos investigados.
O delegado Pedro Cunha explicou que a empresa-alvo no Rio de Janeiro era responsável por facilitar as rifas dos influenciadores. Ou seja, eles passavam a se associar e ela promovia o intermédio com outra empresa, localizada no Estado da Paraíba.
“Fortes indícios de que essa empresa do Rio de Janeiro, que alega realizar soluções para sorteios, nada mais era do que dar esse ar de legalidade a essas rifas ilegais. Também realizava esses serviços para outros influenciadores digitais do Brasil”, explicou.
Confira abaixo a lista de veículos rifados:
| Volkswagen | Jetta GLI 2026 | R$ 270 mil |
| Audi | A5 | R$ 425 mil |
| Audi | A3 Black Edition | R$ 345 mil |
| Audi | SQ5 2026 | R$ 645 mil |
| BMW | 320i M Sport | R$ 391 mil |
| BMW | M2 Coupé | R$ 687 mil |
| Audi | RS3 | R$ 660 mil |
| Porsche | Macan | R$ 530 mil |
| BMW | 320i M Sport | R$ 391 mil |
| Mercedes-Benz | C200 | R$ 397 mil |
| Ford | Mustang Dark Horse | R$ 649 mil |
| Ford | Ranger Raptor | R$ 499 mil |
| Audi | Q8 | R$ 820 mil |
| Volkswagen | Tiguan R-Line | R$ 300 mil |
| RAM | 3500 Limited Longhorn | R$ 680 mil |
| Audi | RS6 Avant Performance** | R$ 1,252 milhão |
| BMW | 420i Cabrio M Sport | R$ 509 mil |
| Audi | Q3 | R$ 390 mil |
| Porsche | 911 Carrera GTS | R$ 1,270 milhão |
| BMW | M4 Competition Track | R$ 1,016 milhão |
| Volkswagen | Jetta GLI | R$ 270 mil |
| Volkswagen | Tiguan R-Line | R$ 300 mil |
| Audi | A3 Performance Black | R$ 370 mil |

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(Revisão: Dáfini Lisboa)









