“Eu não matei a Fabiola”, essa foi a fala do médico cardiologista, João Jazbik Neto, de 78 anos, ao chegar na tarde desta quinta-feira (3), na sede da 1ª Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), em Campo Grande. Essa é a terceira vez que o réu pelo feminicídio da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, volta para a cadeia.
Ao desembarcar da viatura no estacionamento da Deam, o João foi questionado por jornalistas se tinha algo para dizer. Assim, firmemente, o suspeito disse: “Eu não matei a Fabíola; eu vivia com ela em lua de mel e a família dela sabe.”
Desde o dia 18 de maio, data da morte da fisioterapeuta, essa é a terceira vez em que o médico é preso. Nesta tarde, Jazbik teve um novo mandado de prisão expedido. Conforme apurado pelo Midiamax, o desembargador Emerson Cafure, da 1ª Câmara Criminal, revogou a liminar que concedeu liberdade ao médico.
Após a revogação, equipes da 1ª Deam foram até a residência do cardiologista e capturaram. No mês de agosto, ele foi denunciado por feminicídio e outros três crimes, sendo posse irregular de arma de fogo de uso permitido e posse ilegal de arma de fogo de uso restrito.


“Foi expedido um novo mandado de prisão. O desembargador que havia concedido anteriormente um habeas corpus revogou-o, restabelecendo a prisão que teria sido decretada antes pelo juiz do primeiro grau. De posse dessas informações, buscamos o mandado de prisão e demos cumprimento”, explicou o delegado Edson Leandro Santiago, da Deam.
João, réu por feminicídio, estava sendo monitorado por tornozeleira eletrônica e agora será encaminhado para a sede do Garras (Delegacia de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros).

“Ele estava em casa; foi uma prisão tranquila. Nosso trabalho investigativo já foi feito, tanto é que o Ministério Público já ofereceu a denúncia. Ele vai ser conduzido para a unidade do Garras para aguardar a audiência de custódia”, explicou o delegado.

Relembre
Fabíola foi encontrada morta com um tiro na cabeça em sua casa, uma propriedade no bairro Chácara dos Poderes, em Campo Grande. A mulher morava com o marido quando foi encontrada sem vida, no dia 18 de maio deste ano. Na ocasião, o médico chegou a acionar a polícia e alegou que a esposa teria cometido suicídio.
Ao chegarem ao local, os militares encontraram o marido da vítima e equipes do Corpo de Bombeiros, que já haviam constatado o óbito. Aos policiais, o médico disse que a esposa fez atividades de rotina matinal e, em determinado momento, foi para o andar superior da casa, onde fica o quarto do casal.
Na ocasião, o médico contou ter estranhado a demora de Fabíola e decidiu subir para verificar a situação. Quando chegou, alegou ter encontrado a porta do quarto fechada. Ele bateu à porta, mas não foi respondido.
Em seguida, o cardiologista desceu até a cozinha e ligou para Fabíola, mas ela não atendeu. Pouco tempo depois, ele disse ter ouvido um disparo de arma de fogo e retornou ao andar superior, momento em que viu a porta do quarto aberta e a companheira caída ao chão. Ele não soube precisar o horário exato.
Segundo o registro policial, o médico acionou seu ex-caseiro, que chegou ao imóvel pelos fundos. Logo, ele e os atuais caseiros foram até o quarto e acionaram o 190.

📍 Onde buscar ajuda em MS
Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira está localizada na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana.
Além da Deam, funcionam na Casa da Mulher Brasileira a Defensoria Pública; o Ministério Público; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicológico; alojamento; espaço de cuidado das crianças – brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha; e Guarda Municipal. É possível ligar para 153.
☎️ Existem ainda dois números para contato: 180, que garante o anonimato de quem liga, e o 190. Importante lembrar que a Central de Atendimento à Mulher – 180 é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o Brasil, mas não serve para emergências.
As ligações para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os fins de semana e feriados, já que a violência contra a mulher é um problema sério no Brasil.
Já no Promuse, o número de telefone para ligações e mensagens via WhatsApp é o (67) 99180-0542.
📍 Confira a localização das DAMs, no interior, clicando aqui. Elas estão localizadas nos municípios de Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.
⚠️ Quando a Polícia Civil atua com negligência, má vontade ou comete erros, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone: (67) 3314-1896 ou no Gacep (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.








