A ex-esposa de Alessandro Souza Grefe, de 28 anos, encontrado morto com pelo menos 10 perfurações de faca no Jardim Macaúbas, relatou episódios de violência doméstica e perseguição vividos durante e após o término da união estável. O homem foi esfaqueado pelo filho da ex, de 15 anos, após invadir a casa onde eles moravam no último domingo (14).
A união estável do casal durou por cerca de dois anos, e fruto do casamento veio uma criança, que atualmente tem quatro anos de idade. O relacionamento, conforme a mulher, que terá o nome preservado, foi marcado por violência, com episódios de agressões durante a gravidez. Sem aceitar o fim do relacionamento, que ocorreu há cerca de três anos, Alessandro passou a perseguir e ameaçá-la.
Com a voz embargada, a mulher concedeu uma entrevista para o Jornal Midiamax. Durante o início da entrevista, ela relembrou como teria sido o domingo, horas antes de Alessandro invadir a sua residência e ser esfaqueado pelo ex-enteado.
Durante a noite de domingo, Alessandro teria mandado mensagens de texto no WhatsApp para a ex, avisando que estava indo até a casa dela. A mensagem dizia: “Vou pagar para ver, vamos ver, quem vai de ralo, então ‘tô’ indo. Bora, então vamos embora. Tô colando, tudo que eu queria, tô chegando.”

Buscou abrigo
Após as mensagens, segundo a mulher, ela teria ficado com medo e saído em busca de abrigo e acionou a polícia.
“Nesse domingo, o Alessandro estava rondando minha casa a tarde toda. Quando ele me mandou mensagem, dizendo que estava indo, eu peguei meus dois filhos. No momento, o mais velho não estava em casa e avisei ele. Liguei para a polícia e saímos de casa, nos escondemos. Eu os escondi atrás de uma árvore e fiquei cuidando a polícia”, disse a mulher.
Quando uma guarnição chegou ao local, a mulher foi orientada a ir à Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) para registrar um novo boletim de ocorrência contra Alessandro, pessoa contra a qual ela tinha medidas protetivas. “O policial falou para eu ir à Deam registrar as ameaças. Eu fui para a delegacia e foi lá que tudo aconteceu”, relembrou.
Enquanto a mulher estava na delegacia, o filho teria ligado dizendo que Alessandro estava tentando entrar na casa. Posteriormente, recebeu a informação de que o adolescente havia desferido diversos golpes de faca contra o ex-padrasto, que foi encontrado morto momentos depois.
“Foi tudo muito rápido, ele [filho] desferiu várias facadas e não sabia se tinha acertado ou não. Alessandro pulou o muro e saiu correndo. Nisso, eu vindo da delegacia, liguei para a Guarda Municipal e falei o que estava acontecendo e que eu estava a caminho dentro da viatura, em seguida cheguei e encontrei meu filho assustado”, disse.



Para a reportagem, ela relatou que naquele momento não sabia que Alessandro havia sido ferido gravemente, correndo risco de morte. Isso porque ele teria saído correndo do local. No entanto, ao ser questionada sobre marcas de sangue na casa, ela esclareceu que ficaram apenas alguns resquícios na porta da residência.
“Ficamos sem saber o que tinha acontecido com ele [Alessandro], não soubemos onde ele estava e se tinha conseguido fugir. Tinha uns respingos de sangue na porta, por não ter mais sangue, ficamos com medo de não ter acertado e ele voltar. Ficamos sem saber, só tive a confirmação da morte quando o irmão dele me mandou mensagem. Eu fiquei chocada, porque eu não esperava isso, ninguém esperava”, confessou.

Casamento marcado por violência
O casamento de dois anos foi marcado por discussões e brigas. Segundo a mulher, ela teria sido agredida por Alessandro enquanto estava grávida de cinco meses, no entanto, as ameaças psicológicas se estenderam até o último dia de vida de Alessandro.
“Sempre foram discussões e brigas. Já me agrediu quando eu estava grávida de cinco meses. Foi um casamento muito conturbado. Ele já vinha fazendo ameaças contra mim e contra o nosso próprio filho”, afirmou.
Durante a entrevista, a mulher relatou medo de Alessandro, por ser ameaçada por ele de formas violentas, inclusive de ser queimada viva. “Eu tinha medo dele, o meu único sentimento. Eu não vivia em paz, era há três anos separado e ele me perturbava. Já vinha tendo muitas ameaças pelo celular, ele já me ameaçou de colocar fogo viva. Desde a separação, ele nunca me deixou em paz, eu sempre vivi com medo”, relembrou.
A mulher ainda afirmou que possui uma medida protetiva contra Alessandro, mas que ele não cumpria com a ordem judicial. “Eu tinha medida protetiva, renovei três vezes e mesmo assim ele quebrava, ele foi pego, colocou tornozeleira eletrônica e tirou”, afirmou.
📍 Onde buscar ajuda em MS
Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira está localizada na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana.
Além da Deam, funcionam na Casa da Mulher Brasileira a Defensoria Pública; o Ministério Público; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicológico; alojamento; espaço de cuidado das crianças – brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha; e Guarda Municipal. É possível ligar para 153.
☎️ Existem ainda dois números para contato: 180, que garante o anonimato de quem liga, e o 190. Importante lembrar que a Central de Atendimento à Mulher – 180 é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o Brasil, mas não serve para emergências.
As ligações para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os fins de semana e feriados, já que a violência contra a mulher é um problema sério no Brasil.
Já no Promuse, o número de telefone para ligações e mensagens via WhatsApp é o (67) 99180-0542.
📍 Confira a localização das DAMs, no interior, clicando aqui. Elas estão localizadas nos municípios de Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.
⚠️ Quando a Polícia Civil atua com deszelo, má vontade ou comete erros, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone: (67) 3314-1896 ou no GACEP (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.







