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Polícia

Família de fisioterapeuta se manifesta após prisão de médico: ‘Cabe às provas falarem por Fabíola’

Família pede Justiça e alega que morte de fisioterapeuta não é suicídio
Evelyn Mendes -
Defesa de fisioterapeuta morta afirma que suicídio é ‘fantasia covarde’ do marido
Fabíola Marcotti morreu aos 51 anos, em Campo Grande. (Reprodução, Arquivo Pessoal)

A família da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, se manifestou após o cumprimento do mandado de prisão do cardiologista e então companheiro da fisioterapeuta. O médico de 78 anos continuará preso após audiência de custódia, realizada na manhã deste sábado (15), em Campo Grande.

Em nota, a defesa da família alega que a prisão do cardiologista é uma medida necessária para garantir o andamento do inquérito sem que ocorram interferências.

A família também nega a versão de que a fisioterapeuta tenha tirado a própria vida e afirma que ela foi vítima de crime.

“Para a família, Fabiola foi vítima de um cruel feminicídio. Essa convicção não nasce de desejo de vingança ou de julgamento antecipado, mas das circunstâncias reveladas ao longo da investigação e dos elementos técnicos que, progressivamente, passaram a colocar sob sério questionamento a versão de suicídio inicialmente apresentada.”

Segundo a defesa da família, representada por Márcio Almeida, o que se busca neste momento é a justiça sobre os fatos. “A família não busca vingança. Busca Justiça. Fabiola já não pode falar. Agora, cabe às provas falarem por ela”, conclui.

Preso

A Justiça manteve a prisão do médico, de 78 anos, e marido da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, durante audiência de custódia, na manhã deste sábado (15). O homem é investigado no caso envolvendo a morte de Fabíola, que foi encontrada morta com perfurações de tiro na região da cabeça. Ele será encaminhado para o Centro de Triagem.

O médico foi preso após a Justiça decretar sua prisão preventiva na sexta-feira (14). A ordem de prisão foi expedida pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande.

O cardiologista passou por exame de corpo de delito no Imol (Instituto De Medicina e Odontologia Legal), neste sábado. O relatório apontou que ele não apresentava sinais de lesão corporal recentes. Já durante a audiência com o juiz Francisco Soliman, o homem confirmou que não sofreu maus tratos durante a prisão em flagrante ou na delegacia. 

A defesa pediu a revogação da prisão e que ele fosse encaminhado para o Centro de Triagem devido à idade e estado de saúde. O magistrado não reconheceu o pedido de revogação da prisão por não ser o juiz competente para o caso, mas recomendou que o médico fosse encaminhado para o Centro de Triagem. 

‘Prisão descabida’

De acordo com José Belga Trad, advogado do médico, a prisão com o inquérito não finalizado é “descabida”. Confira a nota na íntegra:

“Prisão descabida. O inquérito não foi concluído e o processo nem começou. A verdade precisa ser apurada no processo e para tanto é indispensável, elementar, fundamental, que o investigado e sua defesa sejam ouvidos e tenham o direito de produzir as suas provas e contestar as provas produzidas pela investigação. Isso se faz durante o processo, que nem começou, porque sequer denúncia há contra o Dr João. Vamos tomar as providências contra esse temerário decreto de prisão.”

Relembre

Fabíola foi encontrada morta com um tiro na cabeça em sua casa, uma propriedade na Chácara dos Poderes, em . A mulher morava com o marido quando foi encontrada sem vida no dia 18 de maio deste ano. Na ocasião, o médico chegou a acionar a polícia e alegou que a esposa teria cometido suicídio.

Ao chegarem ao local, os militares encontraram o marido da vítima e equipes do Corpo de Bombeiros, que já haviam constatado o óbito. Aos policiais, o médico disse que a esposa fez atividades de rotina matinal e, em determinado momento, foi para o andar superior da casa, onde fica o quarto do casal.

Na ocasião, o médico contou ter estranhado a demora de Fabíola e decidiu subir para verificar a situação. Quando chegou, alegou ter encontrado a porta do quarto fechada. Ele bateu à porta, mas não foi respondido.

Em seguida, o cardiologista desceu até a cozinha e ligou para Fabíola, mas ela não atendeu. Pouco tempo depois, ele disse ter ouvido um disparo de arma de fogo e retornou ao andar superior, momento em que viu a porta do quarto aberta e a companheira caída ao chão. Ele não soube precisar o horário exato.

Segundo o registro policial, o médico acionou seu ex-caseiro, que chegou ao imóvel pelos fundos. Logo, ele e os atuais caseiros foram até o quarto e acionaram o 190.

A 1ª Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) instaurou inquérito para investigar o caso.

O cardiologista também foi preso, no dia da morte de Fabíola, por posse irregular de arma de fogo, após a polícia encontrar armamento sem documentação na casa.

Para os familiares da vítima, a decisão judicial assegura que os laudos periciais e os depoimentos das testemunhas sejam concluídos com “rigor técnico”. O caso segue sendo investigado.

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