Você já parou para reparar na quantidade de arte urbana espalhada por Campo Grande? Em muros que poderiam ser marcados apenas pelo concreto, pelas rachaduras e pelo tempo, surgem cores, formas e histórias pelas mãos de artistas independentes.
Para perceber essas obras, muitas vezes é preciso diminuir o ritmo, olhar ao redor e prestar atenção aos detalhes. Ao lado de outras expressões artísticas, o grafite também integra a cultura do hip-hop e traduz, por meio da arte, diferentes vivências das ruas.
Os grafiteiros expressam, nos muros da cidade, narrativas e questões que atravessam a realidade social. Por meio de formas, cores e traços, as obras propõem críticas, reflexões e diferentes maneiras de enxergar o cotidiano.
O Jornal Midiamax preparou uma lista de locais onde essas pequenas joias urbanas podem ser encontradas — algumas delas tão discretas que passam despercebidas por quem circula pela cidade.
Mareco Eco
Na Avenida Hiroshima, o grafiteiro Rafael Mareco, conhecido como Mareco Eco, criou um mural que, segundo ele, é “pra nunca esquecer o quanto é importante sempre sonhar”.
Para o artista, a pintura representa a ideia de que “o sonho é uma força capaz de nos mover em direção a algo maior, que nos engrandece”. Ele conta que passou muito tempo refletindo sobre os próprios sonhos e sobre como buscá-los transformou sua vida. Foi então que surgiu a oportunidade de pintar o mural.
“O resultado acabou sendo esse emaranhado de possibilidades e um fio que nos conecta a esse propósito”, explica.
No cruzamento da Rua Sergipe com a Rua Antônio Maria Coelho, Mareco também grafitou uma personagem inspirada na música “Flecha do Dedo”, do cantor Curumin. Na obra, o artista brinca com cores, formas geométricas e elementos presentes na mensagem da canção.
San Martinez
Com um estilo ligado ao hip-hop, San Martinez transforma muros da cidade em espaços de expressão artística. Grande parte de seus trabalhos é marcada por homenagens, reflexões e críticas sociais.
Uma das obras favoritas do artista está na Rua Brilhante, na Vila Bandeirante. O grafite retrata uma mulher indígena, com traços marcantes e cores vibrantes.
Na Rua do Franco, na Vila Carlota, San pintou, em 2025, um mural com a figura de um boi. Segundo ele, o terreno chegou a ser vendido, mas a obra permanece no local.
Já na Avenida Fernando Corrêa da Costa, quase em frente à pista de skate do Horto Florestal, o artista deixou uma crítica social. A obra aborda os efeitos do uso de agrotóxicos nas plantações, incluindo a morte e as anomalias provocadas em antas pela exposição às substâncias químicas.
Natacha Ik
Natacha Figueiredo Miranda, conhecida como Natacha Ik, é arquiteta, muralista e artista visual de Mato Grosso do Sul. Sua arte urbana se destaca pela criatividade, sensibilidade e dedicação aos traços e às cores.
Você pode já ter encontrado algumas de suas obras em bares da cidade, mas é nas ruas que seu trabalho ganha ainda mais destaque, espalhando cores e personalidade por diferentes espaços de Campo Grande.
Um de seus grafites está na UTR (Usina de Triagem de Resíduos), em um trabalho realizado em conjunto com outros 32 artistas. Também é possível encontrar obras de Natacha na Orla Morena, no bairro São Francisco e em outros pontos da cidade.
Ela conta que já nem se lembra onde estão todos os seus trabalhos ao ar livre. Afinal, são muitos os lugares que ajudou a colorir pela cidade.
Rabisco Easy
Conhecido por presentear pequenos negócios com seus grafites, Lucas Nascimento, criador do Rabisco Easy, também se destaca como um verdadeiro “artista das cores”. O trabalho ganhou repercussão nas redes sociais justamente por transformar a aparência de comércios antigos sem cobrar nada pelo serviço.
Na Avenida São Nicolau, no bairro Santa Luzia, o artista e criador de conteúdo mudou a fachada de um bar raiz, com um grafite inusitado: um cachorro caramelo vestindo a camiseta da Seleção Brasileira.
Entre os trabalhos mais recentes que colorem muros de Campo Grande, estão homenagens aos artistas Zé Ramalho e Jorge Ben Jor, no bairro Coronel Antonino e Universitário, respectivamente.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)























