Com prejuízo que já chega a R$ 1,6 milhão em duas ocorrências, o proprietário de uma usina de energia solar às margens da BR-163, em Jaraguari, afirma que os furtos de fios de cobre estão se tornando frequentes na região. Nesta segunda-feira (25), quatro homens foram presos suspeitos de tentar furtar cabos no interior da propriedade.
Segundo o dono da usina, que terá a identidade preservada, o prejuízo causado pela ocorrência mais recente é estimado em R$ 400 mil. Há poucos meses, a mesma propriedade já havia sido alvo de criminosos, quando o prejuízo chegou a R$ 1,2 milhão.
Desta vez, os fios não chegaram a ser levados porque a ação foi interrompida pela polícia. Ainda assim, o proprietário afirma que os danos provocados pelo corte dos cabos e os reparos necessários devem gerar um prejuízo de aproximadamente R$ 400 mil.
A suspeita é de que o grupo pretendia cortar cerca de dois quilômetros de fios de 6 milímetros. De acordo com o capitão Rogério Aquino, subcomandante do 9º Batalhão da Polícia Militar, a prisão dos suspeitos ocorreu durante uma operação que já vinha sendo acompanhada pelas forças de segurança devido a outros furtos registrados em propriedades com usinas fotovoltaicas em Jaraguari e Bandeirantes.
“E ali perto do posto Amigão, um dono de uma propriedade viu pelas câmeras de vídeo alguns elementos encapuzados, tirando os fios e conectores das placas solares. Mediante isso, durante a madrugada, a viatura da PM e da Civil deslocou-se até o local e não conseguiu encontrar os indivíduos, tendo em vista que era madrugada, mas achou um carro suspeito”, explicou.
Fuga para a mata
Na ocorrência desta segunda-feira, funcionários da usina perceberam os suspeitos tentando cortar os fios de cobre e acionaram a polícia. Ao perceberem a chegada das equipes, os homens fugiram para uma área de mata por uma abertura existente na tela de proteção da propriedade.
Durante as buscas, policiais localizaram uma VW Parati estacionada em frente ao restaurante de um posto de combustível. Dentro do veículo havia um homem de 42 anos dormindo. Com ele, foram encontradas ferramentas que, segundo a polícia, seriam utilizadas para cortar e retirar os fios, entre elas serras para corte de metal e uma ferramenta de torção. Também foram apreendidos uma porção de crack e um cachimbo.
Segundo o capitão Aquino, durante a abordagem, o homem admitiu que estava acompanhado de outras três pessoas e afirmou que o grupo estava praticando furtos na região.
“Ao abordarem, encontraram um cidadão de 42 anos, o mesmo estava dormindo no carro, com várias ferramentas de utilização para corte tanto de fios quanto de alambrados. Em entrevista, ele acabou falando que estava com mais três indivíduos, que realmente eles estavam fazendo furto na região”, relatou.
A partir da informação, policiais militares e civis fizeram buscas pela região e localizaram outro suspeito escondido no mato.
Disparo de advertência
O segundo homem localizado também tinha 42 anos e, segundo o registro policial, desobedeceu às ordens de abordagem e entrou em luta corporal com um policial. Durante a contenção, foi necessário o emprego de técnicas para imobilizá-lo e houve um disparo de advertência.
O suspeito e o policial sofreram escoriações e foram encaminhados para atendimento médico.
Com o homem, os policiais encontraram uma mochila contendo diversas ferramentas, como alicates de corte, chave inglesa, serra, chaves de fenda e um celular.
Na sequência das buscas, um terceiro suspeito foi localizado nas proximidades da BR-163, também com ferramentas que poderiam ser utilizadas no furto. O quarto integrante apontado pela polícia foi encontrado na manhã desta segunda-feira, enquanto caminhava pela rodovia no sentido de Campo Grande.
“Esse é o segundo indivíduo, também de 42 anos. Na madrugada prendemos o terceiro e, na manhã, o quarto, que caminhava pela BR-163 sentido Campo Grande”, afirmou Aquino.
Polícia investiga outros furtos
Para a Polícia Militar, há indícios de que os quatro suspeitos possam fazer parte de um grupo especializado nesse tipo de crime. A investigação, porém, deverá apontar se eles também estão envolvidos em outras ocorrências registradas na região.
“Tudo indica que sim, até porque houve vários furtos, o modo de agir é o mesmo, e com o equipamento que eles estavam utilizando para fazer os furtos. Então, eles não chegavam lá de qualquer jeito com alicate. Era com ferramentas especializadas para cometer esse tipo de ilícito. São suspeitos de furtos em fazendas fotovoltaicas na região de Bandeirantes e Jaraguari”, disse o subcomandante.
A Polícia Civil deverá cruzar os dados dos quatro presos com registros de ocorrências anteriores. Segundo Aquino, os produtores rurais da região já vinham sendo orientados a registrar os furtos formalmente para ajudar na identificação dos responsáveis.
“Já tinha vários furtos, por isso é importante que os produtores rurais, quando houver esse tipo de crime, façam o registro na Polícia Civil. Então, como os fazendeiros já são orientados, tanto na zona rural de Bandeirantes como de Jaraguari, a fazer os boletins de ocorrência de furto, então agora vai englobar tudo e a Polícia Civil vai fazer o levantamento, se eles são os autores de outros furtos na região”, afirmou.
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