O Gaeco (Grupo de Atuação Especial na Repressão ao Crime Organizado) pediu à Justiça a perda dos cargos do delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, de outros oito policiais civis e um policial penal.
O pedido consta na denúncia oferecida no dia 9 de outubro, que também pede a condenação dos agentes públicos por crimes de integrar organização criminosa, corrupção, peculato, lavagem de capitais e tráfico de drogas, em alguns casos.
Os alvos do pedido de perda de cargo são:
- Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa — delegado da Polícia Civil;
- Douglas Tobias — policial civil;
- Luiz Carlos de Souza — policial civil;
- Marcos André Santos Chaves — policial civil;
- Nelson Ricardo Barros de Oliveira — policial civil;
- Neverson Vieira de Araújo — policial civil;
- Nilton Cesar Sales dos Santos — policial civil;
- Roberto Palmeira da Silva — policial civil;
- Augusto Torres Galvão Florindo — policial civil;
- Vitor Ribeiro Venâncio dos Santos — policial penal.
Conforme a denúncia, a medida é necessária, “haja vista que as condutas criminosas por eles praticadas tornam incompatível a sua permanência nos quadros da Polícia Civil do Estado de Mato Grosso do Sul e da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário do Estado de Mato Grosso do Sul (AGEPEN/MS)”.
Por fim, o Gaeco pede o pagamento de R$ 10 milhões dos denunciados “a título de danos morais coletivos, bem como para a reparação dos danos causados pelas infrações perpetradas pelos denunciados”.
A denúncia representa a acusação formal do Ministério Público e será analisada pelo juízo quanto ao possível recebimento das acusações. Caso seja aceita, a ação terá continuidade, com abertura de prazos para as defesas.
Conforme a acusação, o esquema funcionava de duas maneiras: policiais deixavam de registrar oficialmente parte dos entorpecentes efetivamente apreendidos ou retiravam drogas diretamente do depósito da delegacia. Os produtos eram, então, repassados a traficantes ligados ao grupo, que cuidavam da comercialização.
A denúncia abrange um total de 23 pessoas envolvidas no esquema; inclusive, dois policiais militares — e o MP informou que a denúncia contra eles será apresentada à Justiça Militar.
A Operação Infiltrados foi deflagrada pelo Gaeco em 24 de setembro de 2026, com cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão. As investigações tiveram origem em elementos encontrados durante as operações Traquetos e Blindspot.
Defesa de delegado diz que denúncia é baseada em recortes
A defesa do delegado Hoffman, feita pelo advogado José Roberto Rosa, afirma que as provas apresentadas serão questionadas durante a instrução processual. Segundo o advogado, a análise dos elementos em seu contexto integral deve demonstrar que o delegado não participou dos ilícitos investigados.
“Infelizmente, há indicações de que pessoas que agiam sob o comando do delegado teriam, de alguma forma, agido contra a lei, mas não há indicação direta de participação dele [Hoffman], a não ser recortes com indicações e suposições de que ele teria aderido a essa conduta”, afirmou Rosa.
O advogado também destacou que as provas serão contestadas durante o processo judicial e demonstrou confiança no resultado. “Temos certeza de que, ao final, a verdade vai prevalecer e vai ficar demonstrado que o delegado não teve qualquer participação nesses eventos”, declarou.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








