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Polícia

Guerra entre facções intensifica policiamento no norte de MS

Criminosos de MT tentam captar faccionados em MS para migrar para o Comando Vermelho
Evelyn Mendes, Rodrigo Santos -
Operação do Garras contou com helicóptero. (Foto: Reprodução/Coxim Agora)

O Comando Vermelho tem avançado com violência na região norte de Mato Grosso do Sul. O resultado é de diversas operações policiais que terminam em confrontos e, em alguns casos, com suspeitos mortos.

A ocorrência mais recente foi a morte de dois homens na tarde de quinta-feira (11), em Rondonópolis, através da Operação Leviatã, que contou com policiais de MS.

O delegado Roberto Guimarães, do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), afirmou nesta sexta-feira (12) que cidades do norte de MS, como , têm registrado diversas ocorrências com membros do CV.

Segundo Guimarães, os criminosos estão tentando ocupar o território em MS e, com isso, uma ‘guerra’ entre facções tem se intensificado. Isso porque os faccionados do CV estão tentando captar criminosos de outros grupos para a facção.

De acordo com o delegado, o que mais causa preocupação entre as autoridades policiais é o modo como isso é feito. “Em razão desse cenário, o Garras foi designado para atuar no norte, no combate à tentativa de tomada de território pelo CV”, explicou.

Dinâmica

Guimarães explicou ainda como é feita essa migração para outra facção. “Mandam emissário que vai para a cidade do interior, se envolve com criminosos da região, capta essa pessoa e traz para o Comando Vermelho. Em seguida, pede apoio para algum criminoso alugar casa, veículo e armamento. Com toda a logística pronta, vem o criminoso de MT, faccionado, para executar o crime”, explicou.

Desse modo, os criminosos de garantem ‘hospedagem’ para praticar crimes de homicídio e tentativa de homicídio.

Diante disso, a Operação Leviatã foi deflagrada pela Polícia Civil. Segundo informações, o objetivo foi cumprir mandados de prisão temporária e de busca e apreensão a integrantes de organização criminosa. O foco da operação é a região norte do Estado, onde a guerra de facções está concentrada.

Segundo o delegado, a ação dos criminosos coloca a vida de inocentes em risco. “Chegam na casa, entram, dão vários disparos a esmo, visando matar a pessoa que não aceita migrar do PCC para o CV. Isso pode, com o tempo, ter efeitos colaterais, atingir pessoas inocentes, como crianças”, explicou.

Em um dos casos, foi citada a morte de Samuel Henrique de Jesus Cordeiro, de 16 anos. O adolescente morreu em após ser vítima de um ataque de dois suspeitos, que já foram presos.

Na ocasião, a dupla estava em uma moto e executou o adolescente em frente à casa dele. Samuel tentou correr e acabou caindo morto em um dos quartos, na frente da esposa e da filha bebê.

Mandantes

Segundo o delegado, a busca por novas pessoas de MS para integrar ao Comando Vermelho acontece a partir de outro estado. Guimarães afirmou que a maioria das ordens de execução é de pessoas presas em Mato Grosso, estado vizinho de MS.

Sobre a operação, o delegado afirmou que haverá novos desdobramentos. “Com base na primeira operação, deflagramos ontem a segunda etapa da Operação Leviatã. As operações não vão se encerrar. Estamos apenas na segunda etapa, e vai ser com base em novas informações que iremos dar continuidade para identificar a rede que vem praticando esses crimes graves”, explicou.

Guimarães ainda ressaltou a atuação da Polícia Civil. “Não estamos para coibir só o Comando Vermelho. Estamos para coibir todos. O Estado combate o crime, seja ele do CV, do PCC ou de outro. Essas ações estão acontecendo justamente por essa tomada de território”, concluiu.

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(Revisão: Nichole Munaro)

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