A família da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 41 anos, manifestou-se após o médico de 78 anos ser solto nesta quinta-feira (20), em Campo Grande. Fabíola foi encontrada morta com um tiro na cabeça, dentro de casa, em maio deste ano. A família afirma que não concorda com a decisão judicial.
Em nota, a família alega que “respeitar uma decisão não significa concordar com ela”. Além disso, pontuaram o fato de o médico não ser submetido a monitoramento eletrônico.
O médico foi preso na última sexta-feira (14), após decisão da 2ª Vara da Justiça de Campo Grande. Segundo a família, a determinação apontou indícios de autoria do médico sobre a morte de Fabíola. Entretanto, no sábado (15), a defesa do médico afirmou que o inquérito ainda estava em andamento e contestou a prisão de seu cliente.
Ainda, a família alega em nota que: “Recebe com profundo inconformismo e indignação a decisão liminar que determinou a soltura do investigado. A família respeita a independência do Poder Judiciário, respeita o direito de defesa e reconhece que toda decisão judicial deve ser cumprida. Mas respeitar uma decisão judicial não significa concordar com ela. E a família não concorda”, diz.
Entenda
Fabíola foi encontrada morta com um tiro na cabeça em sua casa, em uma propriedade na Chácara dos Poderes, em Campo Grande. A mulher morava com o marido quando foi encontrada sem vida, no dia 18 de maio deste ano. Na ocasião, o médico chegou a acionar a polícia e alegou que a esposa teria cometido suicídio.
Ao chegarem ao local, os militares encontraram o marido da vítima e equipes do Corpo de Bombeiros, que já haviam constatado a morte. Aos policiais, o médico disse que a esposa fez atividades de rotina matinal e, em determinado momento, foi para o andar superior da casa, onde fica o quarto do casal.
Na ocasião, o médico contou ter estranhado a demora de Fabíola e decidiu subir para verificar a situação. Quando chegou, alegou ter encontrado a porta do quarto fechada. Ele bateu à porta, mas não foi respondido.
Em seguida, o cardiologista desceu até a cozinha e ligou para Fabíola, mas ela não atendeu. Pouco tempo depois, ele disse ter ouvido um disparo de arma de fogo e retornou ao andar superior, momento em que viu a porta do quarto aberta e a companheira caída ao chão. Ele não soube precisar o horário exato.
Segundo o registro policial, o médico acionou seu ex-caseiro, que chegou ao imóvel pelos fundos. Logo, ele e os atuais caseiros foram até o quarto e acionaram o 190.
A 1ª Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) instaurou inquérito para investigar o caso.
O cardiologista também foi preso, no dia da morte de Fabíola, por posse irregular de arma de fogo, após a polícia encontrar armamento sem documentação na casa.
Médico solto
João Jazbik Neto, de 78 anos, o médico cardiologista acusado de matar a fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, foi solto na tarde desta quinta-feira (20), após a análise do habeas corpus, em Campo Grande. O investigado estava preso desde a última sexta-feira (14), após ter a prisão preventiva expedida pela 2ª Vara do Tribunal do Júri.
Na segunda-feira (17), a 1ª Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) concluiu as investigações e apontou que Fabíola foi vítima de feminicídio, descartando a hipótese de suicídio.
“A investigação contou com laudos periciais do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico Legal que afastaram categoricamente a hipótese de suicídio inicialmente cogitada”, diz trecho da nota.
O cardiologista foi preso na sexta-feira (14), após a Justiça decretar a prisão preventiva. A ordem de prisão foi expedida pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande.
Já nesta quinta-feira, o cardiologista foi solto novamente. Ao Jornal Midiamax, a defesa, representada pelo advogado José Belga Assis Trad, afirmou que João é inocente.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)







