João Jazbik Neto, de 78 anos, o médico cardiologista acusado de matar a fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, foi solto na tarde desta quinta-feira (20), após a análise do habeas corpus, em Campo Grande. O investigado estava preso desde a última sexta-feira (14), após ter a prisão preventiva expedida pela 2ª Vara do Tribunal do Júri.
Na segunda-feira (17), a 1ª Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) concluiu as investigações e apontou que Fabíola foi vítima de feminicídio, descartando a hipótese de suicídio.
“A investigação contou com laudos periciais do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico Legal que afastaram categoricamente a hipótese de suicídio inicialmente cogitada”, diz trecho da nota.
O cardiologista foi preso na sexta-feira (14), após a Justiça decretar a prisão preventiva. A ordem de prisão foi expedida pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande.
Já nesta quinta-feira, o cardiologista foi solto novamente. Ao Jornal Midiamax, a defesa, representada pelo advogado José Belga Assis Trad, afirmou que João é inocente.
“A vítima se despediu em carta registrada num diário em que havia outras mensagens dela expressando ideação suicida. Os laudos serão contestados em juízo pela defesa. Além de tudo, ele colaborou com as investigações e estava cumprindo rigorosamente as cautelares fixadas em habeas corpus anteriormente concedido pelo tribunal”, disse a defesa.

Família nega suicídio de fisioterapeuta
A família da fisioterapeuta Fabíola Marcotti voltou a afirmar que ela não cometeu suicídio.
“Desde o primeiro momento, tentaram colocar sobre sua morte uma explicação pronta, fria e conveniente. Mas a família conhece Fabíola. Por isso, afirmamos com toda a firmeza: não aceitamos a tese de autoextermínio”, diz trecho da nota.
Inclusive, a família afirma não ter pressa nas investigações, uma vez que o caso precisa ser apurado com o máximo rigor. “Para a família, Fabíola foi morta. E foi morta por ser mulher, dentro de um contexto que precisa ser apurado com o máximo rigor, sem pressa, sem omissões e sem qualquer tentativa de apagar a verdade”, detalha a nota.
Por fim, finalizam a nota reforçando que nenhuma versão conveniente precisa ser aceita sem confronto com a prova. “O que pedimos é simples: que Fabíola não seja silenciada. Que sua morte não seja diminuída. Que nenhuma versão conveniente seja aceita sem confronto com a prova. Que nenhuma mulher seja transformada em estatística sem que antes se busque, até o fim, a verdade.”
Relembre
Fabíola foi encontrada morta com um tiro na cabeça em sua casa, uma propriedade na Chácara dos Poderes, em Campo Grande. A mulher morava com o marido quando foi encontrada sem vida no dia 18 de maio deste ano. Na ocasião, o médico chegou a acionar a polícia e alegou que a esposa teria cometido suicídio.
Ao chegarem ao local, os militares encontraram o marido da vítima e equipes do Corpo de Bombeiros, que já haviam constatado o óbito. Aos policiais, o médico disse que a esposa fez atividades de rotina matinal e, em determinado momento, foi para o andar superior da casa, onde fica o quarto do casal.
Na ocasião, o médico contou ter estranhado a demora de Fabíola e decidiu subir para verificar a situação. Quando chegou, alegou ter encontrado a porta do quarto fechada. Ele bateu à porta, mas não foi respondido.
Em seguida, o cardiologista desceu até a cozinha e ligou para Fabíola, mas ela não atendeu. Pouco tempo depois, ele disse ter ouvido um disparo de arma de fogo e retornou ao andar superior, momento em que viu a porta do quarto aberta e a companheira caída ao chão. Ele não soube precisar o horário exato.
Segundo o registro policial, o médico acionou seu ex-caseiro, que chegou ao imóvel pelos fundos. Logo, ele e os atuais caseiros foram até o quarto e acionaram o 190.
A 1ª Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) instaurou inquérito para investigar o caso.
O cardiologista também foi preso, no dia da morte de Fabíola, por posse irregular de arma de fogo, após a polícia encontrar armamento sem documentação na casa.
Para os familiares da vítima, a decisão judicial assegura que os laudos periciais e os depoimentos das testemunhas sejam concluídos com “rigor técnico”. O caso segue sendo investigado.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








