O esquema de desvio de cocaína envolvendo policiais alvos da Operação Infiltrados II, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), era investigado há aproximadamente quatro meses. Eles estavam lotados na Defron (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira) e foram alvos de mandados nesta quinta-feira (5).
A segunda fase da operação visa desmantelar o grupo de agentes da segurança infiltrados na Sejusp-MS (Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul) para atuarem em conluio com traficantes. Entre os alvos de mandados, está o delegado Guilherme Scucuglia, que esteve à frente da Defron em 2025.
Diante da operação, a Polícia Civil se manifestou, afirmando que as possíveis irregularidades relacionadas aos fatos já eram apuradas internamente pela Corregedoria-Geral há aproximadamente quatro meses.
De acordo com a corporação, desde o início, foram adotadas medidas administrativas e correcionais, como adequações de procedimentos operacionais, remoções de servidores e correição extraordinária na unidade policial.
“A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul informa que as possíveis irregularidades relacionadas aos fatos investigados pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), no âmbito da Operação Infiltrados II, já eram objeto de apuração interna pela Corregedoria-Geral da instituição há aproximadamente quatro meses, por meio de Inquérito Policial e Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD)”, informou a corporação, em nota.
As equipes do Gaeco cumpriram quatro mandados de prisão preventiva e 11 mandados de busca e apreensão em Dourados, Ponta Porã, Nova Andradina e Santa Terezinha de Itaipu, no Paraná. O cumprimento dos mandados foi acompanhado pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil.
“As apurações internas terão continuidade, com a adoção de todas as medidas administrativas e disciplinares cabíveis, sem prejuízo da colaboração com as autoridades competentes para o completo esclarecimento dos fatos. A Polícia Civil considera inadmissível qualquer utilização da função pública, da estrutura policial ou dos instrumentos destinados ao combate à criminalidade para a prática de ilícitos. A instituição reafirma seu compromisso com a legalidade, a integridade institucional e a transparência, assegurando que eventuais desvios de conduta serão rigorosamente apurados e tratados na forma da lei, com respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa”, finaliza a nota da Polícia Civil.
Operação Infiltrados II
Agentes do Gaeco estiveram na Rua Nova Era nesta quinta-feira (5), para cumprir mandados de busca e apreensão no apartamento do delegado Guilherme Scucuglia, que esteve à frente da Defron em 2025 e que atualmente está lotado na Derf (Delegacia Especializada de Roubos e Furtos).
Conforme o Ministério Público, os alvos integravam esquema que desviava cocaína apreendida em operações policiais. Eles retiravam a droga tanto durante as diligências como diretamente dos depósitos da delegacia, ou até mesmo no trajeto para incineração.
O ponto mais crítico do esquema ocorreu em setembro de 2025, quando mais de 500 quilos de cocaína destinados à destruição foram desviados e entregues a traficantes para reintrodução no mercado ilícito.
A ofensiva cumpre quatro mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão em Dourados, Ponta Porã, Nova Andradina e Santa Terezinha de Itaipu (PR), contando com o apoio da Corregedoria da Polícia Civil, do Batalhão de Choque e do Gaeco paranaense.
Os nove policiais foram alvo de medidas cautelares para afastamento das funções.
O nome da operação faz alusão direta à subversão da função pública, com criminosos infiltrados na estrutura de segurança do Estado para blindar e alimentar o próprio crime.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)






