Nove policiais civis que já foram lotados na Defron (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira) e um delegado são os principais alvos da Operação Infiltrados II, deflagrada nesta quinta-feira (5) pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), com o objetivo de desmantelar grupo de agentes da segurança infiltrados na Sejusp-MS (Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul) para atuarem em conluio com traficantes.
Agentes do Gaeco estiveram na Rua Nova Era nesta quinta-feira (5), para cumprir mandados de busca e apreensão no apartamento do delegado Guilherme Scucuglia, que esteve à frente da Defron em 2025 e que atualmente está lotado na Derf (Delegacia Especializada de Roubos e Furtos).
Conforme o Ministério Público, os alvos integravam esquema que desviava cocaína apreendida em operações policiais. Eles retiravam a droga tanto durante as diligências como diretamente dos depósitos da delegacia, ou até mesmo no trajeto para incineração.
O ponto mais crítico do esquema ocorreu em setembro de 2025, quando mais de 500 quilos de cocaína destinados à destruição foram desviados e entregues a traficantes para reintrodução no mercado ilícito.
A ofensiva cumpre quatro mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão em Dourados, Ponta Porã, Nova Andradina e Santa Terezinha de Itaipu (PR), contando com o apoio da Corregedoria da Polícia Civil, do Batalhão de Choque e do Gaeco paranaense.
Os nove policiais foram alvo de medidas cautelares para afastamento das funções.
O nome da operação faz alusão direta à subversão da função pública, com criminosos infiltrados na estrutura de segurança do Estado para blindar e alimentar o próprio crime.
O Jornal Midiamax entrou em contato com a Sejusp para saber sobre a operação com alvos em policiais civis, mas não obtivemos retorno até a publicação da matéria. O espaço segue aberto para futuras manifestações.
Primeira fase prendeu delegado

A primeira fase da Operação Infiltrados ocorreu no dia 24 de setembro e cumpriu 26 mandados de prisão. Entre os principais alvos presos, estavam o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, ex-titular da Denar e do Garras, nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal.
O esquema é o mesmo: agentes de segurança usavam a própria estrutura policial para subtrair grandes quantidades de drogas apreendidas e repassá-las diretamente a traficantes, que reintroduziam o material no mercado ilícito.
O esquema funcionava a partir da omissão de registros no momento dos flagrantes ou pela retirada direta dos entorpecentes de dentro dos depósitos policiais.
Com base no inquérito, o Ministério Público denunciou os envolvidos por crimes de organização criminosa, tráfico de drogas, peculato, corrupção e lavagem de dinheiro, solicitando a perda imediata das funções públicas e o pagamento de R$ 10 milhões por danos morais coletivos.
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(Revisão: Nichole Munaro)








