Com os réus apontados como líderes do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul presos, a Justiça negou tentativa dos advogados de anular parte do processo e retirar dos autos uma série de provas.
A ação penal é decorrente da Operação Successione, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), que investigou organização criminosa que explorava o jogo do bicho no Estado. Os líderes do esquema, segundo as investigações, são: Roberto Razuk (em prisão domiciliar, em razão do estado de saúde delicado); Roberto Razuk Filho — Neno Razuk — (preso); e seus irmãos Rafael e Jorge.
Então, o juiz José Henrique Kaster determinou o fim do sigilo absoluto sobre a medida cautelar de sequestro — processo em que são feitos os bloqueios e as apreensões de bens dos investigados. Como as buscas e apreensões já foram concluídas, a fase de ‘surpresa’ terminou.
Isso porque as defesas queriam separar e retirar do processo principal os documentos da ação de sequestro de bens — que poderiam impactar na sentença da ação penal principal.
A decisão garante o andamento da ação penal proposta pelo Ministério Público e marca a transição do processo para a fase de análise das provas apreendidas pelas defesas.

Aos 85 anos, o ex-deputado estadual Roberto Razuk é réu acusado de explorar o jogo do bicho em Mato Grosso do Sul e se encontra debilitado. Ele foi preso no dia 25 de novembro e liberado para a prisão domiciliar no mesmo dia, por conta do frágil estado de saúde.
O patriarca do clã Razuk era quem detinha a decisão final sobre as questões mais relevantes do grupo, inclusive estando acima na hierarquia em relação ao filho, o deputado estadual Neno Razuk.
Clã Razuk dominava jogo do bicho
As investigações do Gaeco apontaram que, para dominar a jogatina em MS, os Razuk também teriam supostamente praticado outros tipos de crimes violentos, que vão de roubos a assassinatos.
Já Neno é apontado pelo Gaeco como o líder operacional do grupo. No entanto, a investigação reforça que tudo tinha que passar pelo aval do pai.
Jorge e Rafael Razuk — irmãos de Neno —, que também foram presos, exerciam grande influência na alta cúpula da organização criminosa.
A família, porém, nega as acusações: “É falso e inexistente qualquer ato de violência praticado ou por nós planejado, no Mato Grosso do Sul ou em outro Estado. Nossa família não se envolve com qualquer espécie de violência, roubos ou práticas criminosas”, disseram em nota emitida logo após a prisão do patriarca, no fim do ano passado.
Neno Razuk foi detido no dia 2 de agosto, na região de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Havia um mandado de prisão em aberto contra ele no Brasil e um pedido em análise para inclusão de seu nome na lista da Interpol (Difusão Vermelha da Organização Internacional de Polícia Criminal). Ele teve pedidos de liberdade negados pela Justiça estadual e, liminarmente, pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça).
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








