A Justiça manteve a condenação de 17 anos e 22 dias de Matheus Georges Zadra Tannous, de 32 anos, pelo estupro da então namorada, em Campo Grande. O TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) negou o recurso que tentava reverter a condenação.
Matheus foi preso durante a Operação Bellatrix, da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), em 2023, por violência doméstica. Além disso, ele já foi condenado a três anos e três meses em regime aberto após espancar a namorada na época e deixá-la com o rosto desfigurado e em coma.
Sobre o estupro, a defesa de Matheus, feita pelo advogado Mikhail Monteiro, alega que houve erros no julgamento do caso. “Ao ver da defesa, existem erros nos julgados de primeiro e de segundo grau, e acabei de apresentar embargos de declaração no TJMS, apontando pelo menos 5 erros em tais julgamentos, apresentando nossa irresignação com os julgados, vez que cremos ainda na absolvição”, diz.
Matheus respondeu em liberdade após ficar 180 dias preso após a operação. A tese da defesa é que os fatos não ocorreram e foram inventados pela vítima.
Agressão e tentativa de homicídio
Na época, um ano antes do crime de feminicídio ou tentativa de feminicídio entrar em vigor, Matheus agrediu a até então namorada, que precisou ser internada após ter fraturas no rosto.
O caso aconteceu no dia 1º de janeiro de 2014, na virada do ano, por volta das 00h30, em um condomínio da Vila Gomes, em Campo Grande. Vizinhos viram Matheus ensanguentado e a jovem desmaiada e ligaram para o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). A vítima foi socorrida, mas ficou em coma e teve o rosto desfigurado, precisando passar por cirurgia de reconstrução de face.
Ainda no dia do crime, o rapaz foi levado para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Centro, onde contou que a namorada teria caído de uma escada da casa e que ele tentou socorrê-la, justificando a roupa suja de sangue. Já no início das investigações, a versão foi descartada pela polícia, uma vez que os ferimentos na vítima “não eram compatíveis com a queda”.
Após coma, vítima revelou agressões
Depois de acordar do coma e passar por um tratamento, a jovem conseguiu se lembrar do crime cometido pelo ex-namorado. Em depoimento ao Ministério Público Estadual, a estudante revelou que as agressões começaram com uma gravata e que ela recebeu “pisões e cadeiradas” no rosto. Em fotografias anexadas ao processo, era possível ver, no rosto da vítima, as marcas que teriam sido feitas com um pé de cadeira.
Ao fim das investigações, o rapaz teve a prisão decretada e, após fugir durante o processo de inquérito policial, chegou a ser preso. No entanto, o advogado da família, que é composta por médicos, conseguiu um habeas corpus e o colocou em liberdade.
Quando o crime aconteceu, o casal namorava há um ano e seis meses e estava morando junto. Já na época, amigos dos dois contaram que Matheus era violento e que teria agredido a jovem por ciúmes. Depois do crime, a moça se mudou do estado.
Denúncia e condenação
Matheus Georges foi denunciado por lesão corporal, qualificada por violência doméstica, na qual a pena é de um a cinco anos, acrescida de mais um terço por conta da especialidade. No dia 18 de agosto de 2016, ele foi condenado a três anos e três meses em regime aberto e ao pagamento de uma indenização, por danos morais, de R$ 10 mil.
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(Revisão: Nichole Munaro)









