De um lado, criminosos inovam diariamente na criatividade, em uma tentativa de burlar as fiscalizações para conseguir transportar entorpecentes pelas rodovias de Mato Grosso do Sul. De outro lado, os policiais, alinhados à tecnologia, trabalham diariamente para impedir que esses ilícitos cheguem aos grandes centros.
Em um comparativo deste ano com o mesmo período do ano passado, as apreensões de maconha nas rodovias federais no Mato Grosso do Sul apresentaram um aumento de mais de 7,24%, enquanto as de cocaína e cigarros contrabandeados apresentaram uma redução.
De janeiro até 15 de agosto, foram apreendidos 193.696 quilos de maconha, sendo que no mesmo período de 2025 foram 180.616 quilos. Já em relação à cocaína, são 7.163 kg contra 8.703. Quanto aos cigarros, é de 2.348,96 kg contra 6.452,612.
Utilizando inúmeras formas de esconderijos para o transporte de drogas, a criminalidade vem inovando a cada dia. Segundo a PRF (Polícia Rodoviária Federal), os caminhões com cargas lícitas, ou seja, legais, são os mais utilizados no mundo criminal.
“Eles utilizam todos os tipos de ‘mocó’. A droga às vezes é escondida em compartimentos ocultos nos veículos; eles utilizam muito transporte de carga, muitas vezes com cargas lícitas dentro do próprio caminhão com a mercadoria ilegal, o contrabando, o descaminho ou droga”, afirmou João Bueno, superintendente da Polícia Rodoviária Federal em MS.
A fronteira de Mato Grosso do Sul é o ponto de partida dos criminosos para o transporte dessas drogas, seja qual for. “É uma guerra silenciosa que acontece na fronteira. Essas organizações criminosas vêm para cá mesmo. Vão se especializando, tentando de todo jeito passar pela fiscalização para atingir os grandes centros”, contou.

Nas apreensões, na maioria das vezes, o que chama a atenção não é a quantidade de entorpecentes, mas sim a forma utilizada para a ocultação da carga. No dia 29 de julho, uma equipe da PRF apreendeu 434 quilos de drogas escondidos em uma carga de minério de ferro, na BR-262, em Corumbá.
O motorista não informou a origem e o destino. Com ele, foram apreendidos 352 kg de skunk, 68,7 kg de pasta base, 7,4 kg de cloridrato de cocaína e 6,6 kg de haxixe.

“Elas [organizações criminosas] vêm para a fronteira e organizam mais a logística do crime aqui em Mato Grosso do Sul para realmente fazer essas drogas virem dos países vizinhos, Paraguai, Bolívia, e atingir os grandes centros do nosso país, como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais”, afirmou.
Em um contraponto, para realizar as apreensões, chegar à desarticulação das organizações e às prisões dos suspeitos, a tecnologia e os cães farejadores são aliados das equipes policiais atualmente.
“A PRF faz um investimento muito grande em tecnologia. Então a gente tem não só investimento no próprio policial, no treinamento, mas também em tecnologia. Hoje, a gente possui sistemas de monitoramento, drones; nós fazemos parte de especialistas, que seriam nossos cães. E é isso que a gente faz para tentar combater essas organizações criminosas das mesmas proporções”, disse Bueno.

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(Revisão: Nichole Munaro)





