Helena da Silva dos Anjos, mãe da mulher trans Natália dos Anjos Molina, de 33 anos, vai atuar no caso da morte da filha. A vítima e o companheiro dela, Ademar Spacino Júnior, de 38 anos, foram assassinados a tiros por um vizinho no último dia 5, no bairro Taquarussu, em Campo Grande.
“Eu perdi minha filha. Ela estava dentro de casa, se preparando para trabalhar, quando entraram para matá-la. Quero que ele fique na cadeia pelo resto da vida”, declara Helena, que vai atuar como assistente de acusação.
Nesta quinta-feira (11), o advogado da família de Natália, Wilian Frata, afirmou que protocolou o pedido de prisão do autor, que foi preso por uma equipe do GOI (Grupo de Operações e Investigações) horas depois de cometer os assassinatos. Ele teve a liberdade provisória concedida um dia depois, durante audiência de custódia.
“Estamos clamando por justiça. A família respeita o devido processo legal, mas não aceita que duas mortes sejam tratadas como simples legítima defesa quando os próprios vestígios materiais apontam para outra dinâmica. Quem atira pelas costas, busca arma, dispara várias vezes e foge do local não pode receber, de imediato, o benefício narrativo da legítima defesa sem profunda apuração”, ressalta o advogado de acusação.
A família de Natália suspeita que o crime tenha sido motivado por ódio à identidade de gênero dela. No dia do crime, familiares disseram que existia um histórico de ameaças e conflitos envolvendo a vítima. Já a família do autor negou qualquer relação com preconceito e afirmou que os desentendimentos eram antigos e estavam ligados a problemas de convivência entre vizinhos.

Autor recebeu liberdade provisória
O autor foi solto após passar por audiência de custódia no último sábado (6) e receber liberdade provisória. No dia seguinte, em 7 de junho, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) pediu recurso sobre a liberdade do acusado. O órgão afirmou que o autor dos disparos que mataram as vítimas confessou o crime; portanto, solicitou que ele ficasse preso até o julgamento. O pedido foi negado.
Na segunda-feira (8), a Justiça alegou que o acusado foi solto sob medidas cautelares, além de ter ‘bons antecedentes’. Na decisão, o desembargador afirmou que a medida tomada durante a audiência de custódia teve a devida fundamentação.
Sendo assim, o juiz teria justificado de forma legal os motivos para conceder liberdade provisória. Entre as medidas cautelares está o uso de tornozeleira eletrônica por 180 dias.
O acusado também deve estar em casa no período noturno, entre as 20h e as 6h. Ele também está proibido de se aproximar de familiares das vítimas e foi orientado a comparecer ao Caps (Centro de Atenção Psicossocial) para acompanhamento psiquiátrico.
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(Revisão: Nichole Munaro)






