O presidente da Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), Gerson Claro (PP), rejeitou mais dois requerimentos que cobravam explicações sobre convênio de R$ 7 milhões da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) com a Fiems (Federação das Indústrias de MS).
A Fiems é alvo de questionamentos de deputados por receber, de uma só vez, R$ 7 milhões de um convênio articulado por Jaime Verruck, ex-diretor corporativo da entidade que atuou como titular da Semadesc até 1º de abril, quando foi exonerado para disputar vaga nas eleições deste ano pelo Republicanos.
Além disso, a entidade chefiada por Sérgio Longen é investigada pelo Ministério Público por suspeita de irregularidade em contratos de R$ 1,5 milhão com empresas.
Então, para blindar a Fiems, o deputado Gerson Claro barrou os requerimentos. Um deles é de autoria do deputado João Henrique Catan (Novo), que queria convocar Verruck e seu substituto, Artur Falcette, para prestarem esclarecimentos no plenário da Assembleia.
O outro requerimento ‘enterrado’ por Claro foi protocolado pela deputada Gleice Jane (PT), que cobrava detalhes da utilização desses recursos públicos estaduais por parte da Fiems.
Ao negar os dois pedidos de uma vez só, Gerson Claro alegou que ele, como presidente, tem a prerrogativa de “deixar de aceitar qualquer proposição que não atenda às exigências regimentais” e que o motivo da rejeição é “por reproduzir matéria idêntica à já rejeitada pelo Plenário nesta Sessão Legislativa“.

Em relação às convocações, Claro invoca o regimento para alegar que não cabe à Alems convocar um ex-secretário (Verruck). Quanto à solicitação de detalhamento feita por Gleice Jane, o presidente justifica que o pedido de informações ao chefe do Poder Executivo “não está sujeito a requerimentos dessa natureza”.
Em abril, Claro já havia blindado a Fiems, quando enterrou requerimento da bancada do PT, que buscava obter informações da CNI (Confederação Nacional da Indústria) sobre a gestão de recursos e medidas de governança na Fiems.
À reportagem, Gerson Claro limitou-se a dizer que a decisão está “fundamentada em questão de direito objetivo”.
Convênio pagou viagem de Verruck, Claro e Longen a países asiáticos
No ano passado, Gerson Claro viajou a países asiáticos com Jaime Verruck e Sérgio Longen. Tudo foi bancado com convênio assinado por Verruck, que, em 2025, liberou R$ 5 milhões para a Fiems.
Gerson Claro já havia defendido o convênio em outras ocasiões. Em uma coletiva de imprensa na Alems no mês passado, o deputado citou a viagem que fez pela Ásia como investimento importante do convênio.
“Esse convênio foi fundamental para que a gente pudesse viajar no ano passado, onde nós tivemos mais de 15 dias na Ásia. Na Índia, ficamos uma semana; ficamos no Japão, três ou quatro dias; e, depois, em Singapura”, recordou o parlamentar. Naquela viagem, empresas foram convidadas a investir em Mato Grosso do Sul. Os custos da viagem não foram detalhados após o retorno da comitiva.
Naquela ocasião, Claro negou que ter participado da viagem geraria suspeição por rejeitar requerimentos contra Fiems na Alems: “Suspeição? Se o deputado se beneficiar, tudo bem. Se for o Estado, não. Eu, por exemplo, viajei, tive a despesa paga e o benefício foi do Estado, não foi meu. Não trouxe nada, nem uma empresa pra mim, nem um negócio pra mim”, disse.
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Após receber R$ 7 milhões, Fiems organizou evento com ministro do STF em resort de Bonito

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Um mês após ‘cair na conta’ o valor de R$ 7 milhões do programa Prodesenvolve, a Fiems de Longen promoveu evento luxuoso em resort de Bonito, que reuniu empresários, diretoria da CNI (Confederação Nacional das Indústrias) e contou com a presença do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça.
O ex-diretor da Fiems e pré-candidato a deputado federal, Jaime Verruck, esteve presente no evento realizado com recursos que ele mesmo liberou enquanto chefiava a Semadesc.
O evento foi realizado em um luxuoso espaço, com 308 metros quadrados e auditório com capacidade para 300 pessoas.
A Fiems foi procurada pela reportagem, mas não respondeu sobre o uso dos recursos do convênio.
Já a Semadesc diz que o convênio “cumpre todos os requisitos previstos em lei e descritos no Plano de Trabalho. A prestação de contas segue estritamente o rito determinado pelos órgãos de controle, com total observância dos princípios da transparência e legalidade, com objetivo de promover as potencialidades de Mato Grosso do Sul a investidores e atrair capital privado para o fortalecimento do desenvolvimento do estado, montante que apenas nos últimos anos no setor industrial ultrapassou R$ 80 bilhões em investimentos, e a geração de milhares de empregos, tornando MS destaque nacional na criação de oportunidades e renda, bem como nos números de empregos gerados e mobilidade social”.
Convênio de R$ 7 milhões liberado em menos de um mês
O convênio de R$ 7 milhões liberado pela Semadesc faz parte do programa Prodesenvolve e dá autonomia para a Fiems contratar fornecedores e realizar “ações organizadas de promoção econômica” do Estado.
O recurso foi empenhado no dia 6 de abril, mas a publicação com assinatura de Verruck e Longen ocorreu no dia 10 de abril. Depois, dia 13, novo diário oficial republicou o convênio, substituindo a assinatura de Verruck — exonerado dia 1º de abril para disputar as eleições — pela de seu substituto, Artur Falcette.
A liberação integral dos R$ 7 milhões ocorreu de uma só vez, no dia 29 de abril, e foi criticada na Alems pelo deputado João Henrique Catan (Novo).
“Em menos de 19 dias, empenhou, liquidou, faturou e pagou para Fiems e mentiram para vossas excelências. O que está acontecendo?”, exclamou.
Ao falar sobre a agilidade da Semadesc em repassar o dinheiro público para a Fiems, Catan chamou o convênio de ‘remendo da Fiems’: “É mais do que uma emenda, é um remendo da Fiems. Não é estranho empenhar o valor no dia 6 e no dia 19 pagar? Isso só aumenta a suspeita de que há algo de errado”, concluiu.
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(Revisão: Nichole Munaro)









