O sargento da Polícia Militar Darlan de Freitas Leal, de 40 anos, relata ter se afogado no próprio sangue após ser ferido por criminosos durante um confronto em Água Clara, a 192 quilômetros de Campo Grande, na segunda-feira (29).
O confronto policial ocorreu em uma tentativa de resgate de uma vítima de sequestro por faccionados. O sargento foi atingido por dois tiros, um no ombro direito, que ficou alojado na carne e não apresentou fratura, e um no rosto, que entrou pelo lado direito e saiu pelo lado esquerdo da mandíbula de Darlan. No segundo caso, houve fratura, mas não precisará de cirurgia.
Em entrevista ao Jornal Midiamax, o militar afirmou que foi alvejado assim que saiu da viatura. Ao ser atingido, ele ainda atirou em direção aos criminosos na tentativa de conter a situação, mas pediu socorro à equipe policial em seguida.
“Na hora que a gente chegou, não deu nem tempo de fazer a abordagem, foi muito tiro […] Ainda fiz uns disparos em direção ao veículo deles, mas, ao ver que fui atingido, gritei socorro”, relatou.
Após ser baleado, o militar conseguiu andar até a viatura e sentar no banco do passageiro. Em seguida, a equipe o levou ao pronto-socorro da cidade.
“Por diversas vezes deu hemorragia intensa. Assim, por diversas vezes, me afogava com o próprio sangue”, relembrou.
Ao chegar à unidade de saúde, o militar contou que a agilidade dos profissionais foi fundamental para garantir a sua vida. “Eles conseguiram estancar e cessar a hemorragia porque eu cuspia muito sangue”, explicou.
Família
Darlan segue internado em uma unidade de saúde em Campo Grande, sob forte esquema de segurança policial. O sargento contou que, a caminho do hospital, pensou apenas na família.
“Nesse momento, a única coisa que eu fiz foi ligar para a minha esposa. Falei que eu a amava muito e para ela cuidar do nosso filho, porque eu achei que eu não ia resistir”, contou.
O militar, que é sul-mato-grossense, está na profissão há mais de 10 anos. Ele se tornou policial em 2015 e, sete anos depois, foi promovido a cabo.
Já em 2023, recebeu uma nova promoção, dessa vez por mérito. Na ocasião, o então cabo foi promovido a sargento por bravura. Isso porque, em 2019, ele esteve em um confronto na cidade de Selvíria que terminou com um veículo capotado e em chamas.
Embora a profissão militar envolva atividades perigosas, o sargento Darlan conta que a família sempre o apoiou. “A gente sai de casa pra salvar pessoas que a gente nem conhece, colocando a nossa própria vida em risco […] a gente que está nessa área faz por vocação, por amor, mas minha família sempre me apoiou, porém sempre foi temerosa”, relata.
Confronto
De acordo com o sargento, ao se deslocar até o local da ocorrência, a equipe foi recebida com tiros. O militar explica que a viatura deu de cara com o veículo onde os criminosos estavam com os reféns.
“A gente não chegou por trás deles, chegamos pela frente e fomos recebidos com muitos tiros”, conta.
Durante o tiroteio, a vítima conseguiu pular do veículo e fugir, mas acabou sendo baleada no ombro por um dos criminosos.
Nessa troca de tiros, além da vítima atingida no braço, o sargento foi baleado por dois disparos — na mandíbula e no braço direito. Ele foi socorrido e transferido para Campo Grande em vaga zero.
Morte de ‘Cabuloso’
Ainda, durante as diligências do primeiro confronto, os policiais foram até o local onde estava um segundo envolvido na ação. No local, os agentes deram ordem de parada, sendo que um dos suspeitos empreendeu fuga para os fundos do quintal e sacou um revólver calibre .38.
Assim, os policiais civis que estavam na ação efetuaram disparos e atingiram o suspeito. Inicialmente, ele foi socorrido ainda com vida e encaminhado para atendimento médico, mas não resistiu.
No local, os policiais localizaram e apreenderam porções de substâncias entorpecentes e o revólver que estava carregado e era utilizado pelo suspeito. Agora, a polícia continua em diligências para localizar e prender os demais envolvidos na ação.
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(Revisão: Nichole Munaro)






