Entra na segunda semana o julgamento do ex-policial militar de Mato Grosso do Sul Sérgio Roberto de Carvalho. Conhecido como o ‘Escobar brasileiro’, ele pode pegar pena de até 15 anos, conforme o pedido do Ministério Público da Bélgica.
Segundo a imprensa local, a promotoria aponta Carvalho como o fornecedor de droga para Flor Bressers, que estaria no topo da hierarquia da organização criminosa. O ex-major seria figura importante no grupo.
Por isso, para ele, o Ministério Público da Bélgica pediu 15 anos de prisão. O ex-major fornecia cocaína para Bressers e para os comparsas, conforme indica a investigação.
Já sobre Bressers, a promotoria afirma que, além de chefe do grupo criminoso, ele é muito rico, perigoso e astuto. “Está no topo da hierarquia do crime. Nunca demonstrou remorso ou arrependimento”, cita a promotora ao jornal local Nieuwsblad.
Julgamento
Na última segunda-feira (7), a Justiça retomou o julgamento do ex-major da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) Sérgio Roberto de Carvalho. O julgamento ‘parou’ em fevereiro após juízes declararem suspeição.
Carvalho é acusado de tráfico internacional de drogas e seria um dos responsáveis por comandar uma grande rede de tráfico. Além de Sérgio, vai a julgamento Flor Besser, figura-chave da organização criminosa.
Besser está preso desde fevereiro de 2022, meses antes da prisão de Carvalho na Hungria. Ao todo, são 31 suspeitos no tribunal criminal. O julgamento pode durar vários dias e deve ocorrer durante o dia todo.
‘Escobar brasileiro’
Major Carvalho, conhecido na Europa como “Escobar brasileiro” e apontado como um dos maiores narcotraficantes do mundo, foi considerado um dos criminosos mais procurados do mundo.
Ele foi preso em 21 de junho de 2022 em um hotel de luxo em Budapeste, na Hungria. Em junho deste ano, o “Escobar brasileiro” foi deportado para a Bélgica sob forte aparato policial.
Investigações da Polícia Federal do Brasil apontaram que o narcotraficante liderava uma organização criminosa responsável pelo envio de 45 toneladas de cocaína para a Europa. Os agentes apuraram que a quadrilha comandada pelo brasileiro movimentou R$ 2,25 bilhões.
Fingiu a morte
Acusado de vários crimes no Brasil e na Espanha, o ex-major da PMMS chegou a ser declarado morto pelo advogado. A defesa encaminhou uma notificação à Justiça de Pontevedra, na Espanha, em 2020, sobre a morte de “Paul Wouter”, identificação falsa usada por Carvalho naquele país.
Expulso da PMMS em 2018, mesmo já tendo sido condenado por crimes desde 1997, Carvalho morava na Espanha, onde tinha uma mansão avaliada em 2 milhões de euros. Usando o codinome Paul Wouter, ele chegou a ser preso também em 2018 por tráfico de drogas. Ele seria o responsável pela entrada de 1,7 tonelada de cocaína no país, através de um navio.
Mesmo assim, acabou liberado. A princípio, o advogado teria encaminhado à Quinta Seção do Tribunal Provincial de Pontevedra a notificação da morte.
No entanto, não teria sido apresentada a certidão de óbito e a defesa também alegava que o corpo do ex-major foi cremado.
Inúmeros crimes
Sérgio Roberto chegou a ser preso em 2009, na Operação Las Vegas, mas acabou conseguindo liberdade em abril de 2013, pela Justiça Federal. Na operação em questão, ele era investigado por esquemas de jogos de exploração de cassinos, o mesmo crime pelo qual foi alvo da Operação Xeque-Mate. Neste, ele também já tinha sido preso em 2007.
No entanto, desde 1988, Carvalho já era investigado por outros crimes. Em 28 de agosto daquele ano, ele foi denunciado por contrabando de pneus do Paraguai. Já em 1997, foi preso com 237 quilos de cocaína em uma fazenda. Ficou preso, condenado a 16 anos em regime fechado, mas logo foi solto.
Em maio de 1999, Carvalho cumpria pena por tráfico de drogas no Presídio Militar de Campo Grande e foi flagrado com celular e fax na cela. Também na unidade, foram encontrados US$ 180 mil e R$ 27 mil em espécie. Já em 2001, detido em uma cela do Comando-Geral, o ex-major foi denunciado por falsificar atestado de trabalho, na tentativa de diminuição de pena.
Foi em 2004 que ele recebeu denúncia por adulteração de combustível. A ANP (Agência Nacional do Petróleo) teria descoberto o produto adulterado nos tanques dos postos que Carvalho gerenciava. Já em 2019, Carvalho foi condenado a 15 anos por lavagem de dinheiro, crime novamente atribuído a ele na Operação Enterprise.
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(Revisão: Nichole Munaro)








