A apreensão de um celular resultou na deflagração da Operação Ifrit, da Polícia Federal, na quarta-feira (4), em sete estados, incluindo Mato Grosso do Sul. A investigação revelou mais uma vez a participação do delegado Hoffman D’Ávila Candido e Sousa em esquema articulado para o desvio de cocaína apreendida pela Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico). Além dele, outros dois policiais civis também são citados nas investigações, sendo Douglas Tobias e Andrey Elesbão Silva.
Conforme o relatório ao qual a reportagem do Jornal Midiamax teve acesso, a Operação Ifrit se originou da análise do celular apreendido com Maroan Fernandes Haidar Ahmed, de 26 anos, filho de Bassam Hassan Haidar Ahmed, sobrinho de Adel Hassan Haidar, Nasser Haidar e Assad Haidar e primo de Adule Vasques Haidar.
Em janeiro de 2023, ocorreu a apreensão de um iPhone 13 em decorrência da prisão em flagrante de Maroan, em São José, no estado de Santa Catarina. Após a extração e análise do celular, evidenciou-se, em tese, a existência de uma organização criminosa estruturada, de base familiar, voltada ao tráfico transnacional de entorpecentes e de armas de fogo, à corrupção de agentes públicos e à lavagem de capitais.
Apesar de estar atualmente encarcerado no Presídio Federal de Porto Velho (RO), Maroan é apontado como engrenagem central da organização criminosa, em posição de controle e cúpula, com domínio sobre o núcleo de comando, operacional e financeiro do grupo. A principal fonte de prova quanto à atuação de Maroan são justamente os dados extraídos do iPhone.

‘Clã Haidar’
Segundo a representação, a organização criminosa investigada, de caráter armado e essencialmente familiar, designada no curso das investigações como “Clã Haidar”, tem como núcleo os irmãos Bassam Hassan Haidar Ahmed, Adel Hassan Haidar, Nasser Haidar e Assad Haidar, com ação concentrada em Campo Grande, além de conexões no Paraná, em Santa Catarina, São Paulo, no Rio de Janeiro, no Pará, em Mato Grosso e no Rio Grande do Sul, além de vínculos internacionais com o Paraguai, a Bolívia e a Argentina.
A organização atuava, segundo a autoridade policial, no tráfico transnacional de entorpecentes e de armas de fogo, havendo indícios de alinhamento a facções como PCC (Primeiro Comando da Capital) e PGC (Primeiro Grupo Catarinense), valendo-se de grave violência para intimidação de rivais e domínio territorial, inclusive mediante suposta prática de homicídios, tortura e sequestro.
Assim, ocorreu também a suposta cooptação de agentes públicos, sendo o delegado de Polícia Civil Hoffman D’Ávila Candido e Sousa e os agentes de Polícia Civil Andrey Elesbão Silva e Sousa e Douglas Tobias, que teriam fornecido informações sigilosas e proteção investigativa à organização, além de, no caso do primeiro, ter supostamente determinado a restituição de bem apreendido em favor do grupo, bem como realizado suposto desvio de entorpecentes apreendidos em sua delegacia para outros membros da organização criminosa.
Condenado por homicídio
Maroan foi condenado em janeiro do ano passado a 21 anos e seis meses de prisão, em regime inicialmente fechado, por homicídio qualificado, praticado por motivo fútil e por porte ilegal de arma de fogo. Ele também foi condenado ao pagamento de cinco dias-multa.
A condenação é pelo assassinato de Fábio Batista da Silva, de 41 anos, morto em uma lanchonete de um posto de combustíveis em 2018. A vítima foi morta após reclamar do incômodo provocado pela luz do carro do criminoso. Os dois discutiram e Fábio foi atingido por um tiro enquanto retornava para a lanchonete.
Em janeiro de 2025, Maroan participou do julgamento por videoconferência, pois estava encarcerado na Penitenciária Federal de Porto Velho (RO), em razão de seu elevado grau de periculosidade. Ele ficou preso preventivamente em Santa Catarina, e o MPMT (Ministério Público do Mato Grosso) pediu pela inserção dele no SPF (Sistema Penitenciário Federal).
Na época, Maroan tinha dois mandados de prisão por homicídio, sendo um da 1ª Vara Criminal de Rondonópolis e outro do TJGO (Tribunal de Justiça de Goiás).
De acordo com o BNMP (Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões), Maroan estava com mandado de prisão preventiva expedido pela 3ª Vara Federal de Campo Grande desde 13 de outubro de 2026.
Saiba quem são os 29 alvos da operação:
- Adel Hassan Haidar
- Adule Vasques Haidar
- Andrey Elesbão Silva
- Bassam Hassan Haidar Ahmed
- Brendo Benega Pereira
- Bruno Banega
- Bruno Leonardo Bergamasco
- Daniel Ecleverson da Silva Barbosa
- Daniel Jonatas Ferreira
- Douglas Tobias
- Eduardo Greco
- Fahd Haidar
- Hector Salinas Esquivel
- Hoffman D’ávila Candido e Sousa
- Ireneo Ramom Acosta
- João Fernando Andrade de Carvalho
- Jorge Adalid Granier Ruiz
- José Miguel Vela Caprioli Junior
- Mamede Alhaj Haidar
- Maroan Fernandes Haidar Ahmed
- Nasser Haidar
- Pedro Henrique Flores Camargo
- Rafael Rodas Neto
- Renan Braiana Garcia Presotto
- Salazar José Batista
- Valdeson Pereira dos Santos
- Valter Ulisses Martins Silva
- Victor Hugo Santos Queiroz
- Vitor da Silva
Grupo criminoso é alvo de operação em 7 estados
A Operação Ifrit cumpre 76 mandados judiciais, sendo 25 deles de prisão, e é realizada em Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rondônia. Três policiais civis foram afastados das funções.
O grupo de traficantes usava Mato Grosso do Sul como porta de entrada para o mercado clandestino de armas e drogas, utilizando um sofisticado esquema para lavar cerca de R$ 500 milhões em dinheiro do crime, que foram movimentados em dois anos.
A PF investiga a atuação da organização criminosa transnacional liderada por um núcleo familiar e associada a facções criminosas, com participação de policiais civis e militares e um policial da PRF.
O grupo é investigado pelos crimes de tráfico transnacional de drogas, tráfico internacional de armas, lavagem de dinheiro e delitos violentos, como sequestros, torturas, atentados e homicídios. Eles usavam armas, estruturas de apoio e carros blindados para exercer o controle territorial e intimidar rivais.
As investigações revelaram que o grupo atuava principalmente na região de fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, com ramificações em outros estados. As drogas e as armas eram obtidas na Bolívia, no Peru e no Paraguai, abastecendo as redes de distribuição no Brasil e as rotas de tráfico de entorpecentes destinadas à Europa, especialmente Espanha e Portugal.


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(Revisão: Nichole Munaro)





