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Polícia

Tráfico, corrupção e vazamentos: 21 policiais foram presos em MS em 2026

Alguns investigados são citados em mais de uma operação
Luciana Brazil -
Tráfico, corrupção e vazamentos: 21 policiais foram presos em MS em 2026
(Divulgação, Gaeco)

Ao menos 21 policiais de Mato Grosso do Sul foram presos ao longo de 2026, em diferentes operações que investigam crimes como tráfico de drogas, desvio de entorpecentes apreendidos, corrupção, vazamento de informações sigilosas e proteção a organizações criminosas. As prisões ocorreram em operações conduzidas pela Polícia Civil, pelo Ministério Público, pela Polícia Federal e pela Receita Federal. Fazem parte da lista policiais civis, militares e policiais penais.

De acordo com as investigações, os policiais são suspeitos de atuar de diferentes formas dentro das próprias estruturas de segurança pública e utilizando diversos mecanismos de infiltração, que compreendiam desde o desvio de drogas apreendidas, o uso irregular de sistemas policiais até o fornecimento de informações sigilosas e a proteção e o apoio logístico ao tráfico. Alguns nomes aparecem em mais de uma operação ao longo do ano.

Somente na Operação Infiltrados, deflagrada em setembro deste ano, 10 policiais civis e militares foram presos, além de um policial penal que já estava custodiado. Entre os detidos, está o delegado da Polícia Civil Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, ex-chefe da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) e com passagem pelo Garras (Grupo Armado de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros), unidades de elite da Polícia Civil.

Conforme o Gaeco, o delegado é apontado como uma das principais figuras do esquema de desvio de drogas apreendidas, usando a posição de chefia para facilitar a retirada dos entorpecentes e a posterior revenda ao tráfico.

Segundo a investigação, Hoffman facilitava a entrada de integrantes do grupo no depósito da Denar, de onde teriam sido retiradas cerca de duas toneladas de cocaína pura. A comercialização da droga desviada teria movimentado cerca de R$ 15 milhões.

Ele também é acusado de receber vantagens indevidas, ocultar patrimônio e interferir em investigações. A denúncia atribui a ele crimes como organização criminosa, tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro.

Na mesma operação, foram presos os policiais civis Douglas Tobias, Neverson Vieira de Araújo, Luiz Carlos de Souza, Nelson Ricardo Barros de Oliveira, Nilton César Sales dos Santos, Marcos André Santos Chaves e Roberto Palmeira da Silva, além dos policiais militares Alison Lemes Bezerra e Thiago Bezerra Laurentino. O policial penal Vitor Ribeiro Venancio dos Santos, que já estava preso por outra investigação, também aparece entre os alvos da Infiltrados.

Conforme levantamento feito pelo Jornal Midiamax, outras operações em 2026 resultaram na prisão de outros agentes de segurança.

Operação Iscariotes

Em março deste ano, a Operação Iscariotes, deflagrada pela Polícia Federal, investigou um esquema de contrabando, descaminho, lavagem de dinheiro, corrupção, violação de sigilo e uso indevido de sistemas oficiais.

Entre os quatro presos preventivamente, estavam dois policiais civis: Célio Rodrigues Monteiro e Edivaldo Quevedo da Fonseca.

Edivaldo foi afastado das funções depois da prisão e perdeu o cargo de chefia. Em julho, ele foi exonerado da Polícia Civil. Célio Rodrigues Monteiro foi preso na operação no dia 18 de março e obteve liberdade provisória em 24 de março, mediante pagamento de fiança no valor de R$ 16 mil. Em outubro, a Justiça revogou todas as medidas cautelares e determinou a devolução da fiança, e a Polícia Civil também revogou o afastamento funcional, permitindo o retorno dele ao trabalho.

Operação Rota Blindada

Deflagrada em fevereiro pela Polícia Civil, por meio da Denar, a Operação Rota Blindada teve como objetivo desarticular uma organização criminosa voltada ao tráfico de drogas, inclusive com suspeita de utilização de viatura oficial para transportar entorpecentes entre e .

A operação resultou na prisão do policial penal Antônio Fernando Martins da Silva. Até o momento, não há registro confirmado de soltura.

Lealdade Corrompida

Em outra operação da PC, também por meio da Denar, foram presos um policial militar, Lucas Villegas Campos, e um policial penal, Vitor Ribeiro Venancio dos Santos. A ação, realizada em abril, apurava um grupo que teria se passado por agentes de segurança pública para entrar em uma casa usada como ponto de armazenamento de drogas e subtrair uma grande quantidade de entorpecentes em Campo Grande.

Lucas segue preso e foi alvo da segunda fase da Operação Rota Blindada. O novo mandado foi cumprido na unidade prisional onde ele está custodiado. Vitor também continua preso e foi novamente citado na Operação Infiltrados.

Operação Janus

Na Operação Janus, do Gaeco, realizada com apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar, foram presos os policiais militares Marcos Augusto Barbosa, Thiego Rodrigues Vianna, Hudson Luiz Garajo Ferreira e um quarto PM, não identificado pela reportagem.

A operação investigava militares suspeitos de associação com traficantes, proteção ao tráfico, desvio de drogas, violência e agiotagem.

Operação Consorte

O policial militar Haune Faker Duarte foi preso em outubro, durante a Operação Consorte, deflagrada pelo Gaeco e também com apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar. Ele e a esposa, uma advogada que também foi presa, eram investigados por envolvimento com o PCC (Primeiro Comando da Capital). O policial teria acesso a sistemas restritos para obter e repassar informações sigilosas.

Operação Ifrit

Nesta semana, a Operação Ifrit resultou na prisão do policial civil Douglas Tobias. Ele havia sido preso na Infiltrados, mas teve a prisão revogada na véspera da Ifrit, em 3 de novembro; portanto, estava solto quando a Ifrit foi deflagrada e acabou novamente detido.

O delegado Hoffman D’Ávila, que já permanecia preso em decorrência da Operação Infiltrados, também foi alvo da Ifrit. Já o investigador da Polícia Civil Andrey Elesbão Silva foi preso na nova operação.

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(Revisão: Nichole Munaro)

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