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Polícia encontrou conteúdo pornográfico infantil em celular de réu por feminicídio de subtenente

Acontece na tarde desta segunda-feira (15) a primeira audiência de instrução e julgamento do caso
Layane Costa, Aline Machado -
O caso foi registrado na Deam. (Foto: Eliel Dias, Arquivo Midiamax)

A polícia encontrou no celular de Gilberto Jarson — réu pelo feminicídio da subtenente da PM (Polícia Militar) Marlene de Brito Rodrigues — conteúdos envolvendo pornografia infantil. O acusado está preso desde o dia 6 de abril, quando atirou na militar, em uma casa no Estrela Dalva, em .

A delegada adjunta da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), Analu Lacerda Ferraz, foi uma das testemunhas ouvidas na tarde desta segunda-feira (15), durante a audiência na 2ª Vara do Tribunal do Júri. Em seu depoimento, ela afirmou que foi encontrado conteúdo envolvendo pornografia infantil no celular de Gilberto.

“No local, foi dada a voz de prisão por feminicídio. Em análise das circunstâncias, ficou evidente a situação de feminicídio, além de estar preso por pornografia infantil”, relatou a delegada.

Três celulares ainda estão em extração de dados, sendo dois de Marlene — um funcional e outro pessoal —, além do celular do réu. No entanto, a delegada acredita que ele tenha apagado algumas mensagens, uma vez que não havia histórico de conversas que compreendessem todo o período em que se relacionaram.

“Foi feita a extração, e estou na fase de relatório. Vou confeccionar o relatório, mas só pelas mensagens, imagens e também o que ele mesmo informou, havia imagem de pornografia infantil. No decorrer de todo o relacionamento, eles não tinham histórico de conversa, a não ser daquele dia, o que me fez acreditar que ele apagou as outras mensagens antes”, afirmou a adjunta.

Questionado sobre os conteúdos de pornografia infantil encontrados no celular de Gilberto, o advogado de defesa, Jeferson Soares, alegou que o material já estava armazenado, quando o aparelho foi entregue ao réu.

“Ele nos contou que esse celular pertencia à Polícia Militar e que esses conteúdos já estavam no celular quando a Marlene deu o aparelho para ele”, justifica.

Gilberto encaminhado para a Deam na data dos fatos. (Foto: Henrique Arakaki, Midiamax)

Cena chocante

Para a delegada que atendeu à ocorrência naquela tarde do dia 6 de abril, a cena na qual a subtenente Marlene foi encontrada é considerada chocante. “Se ela tivesse se atirado, teria vestígios de sangue na parede, o que não tinha. A arma dela estava coldreada. Foi uma cena chocante. Se ela é destra, teria puxado a arma do coldre”, relatou.

Durante as diligências policiais, imagens de câmeras de segurança de uma conveniência mostraram o réu armado antes de buscar a subtenente. Inclusive, o revólver calibre 38 utilizado na ação era de Marlene.

Por fim, a delegada falou sobre a possível dependência emocional de Marlene em relação ao réu. “Ela dependia dele para ser feliz. Acabou se sujeitando e aceitando certas coisas a que ela não se sujeitaria em outra situação. Ela estava tão envolvida que sequer chegou a consultar o histórico dele”, disse.

O caso

A militar foi morta a tiros na própria casa. Conforme a apuração do Jornal Midiamax na data da morte, o tiro que atingiu Marlene foi na região do pescoço. O principal suspeito é Gilberto Jarson, então namorado da mulher, que apresentou versões contraditórias sobre o caso.

Conforme detalhes da PM (Polícia Militar), um vizinho policial foi o primeiro a chegar ao local do crime. Outra vizinha ouviu o tiro e comunicou ao militar, que foi até a casa e encontrou Gilberto com as mãos ensanguentadas.

Segundo o soldado, ele questionou o suspeito sobre Marlene, mas Gilberto não respondeu. Como o portão estava trancado, o policial solicitou que o homem abrisse, mas ele demorou. Por isso, o militar pulou o muro da casa.

Gilberto estava falando ao telefone, com a arma na mão direita. Então, o PM ordenou que o namorado de Marlene soltasse a arma, um revólver, e ele a colocou em cima de um baú.

Quando o vizinho entrou na casa, Marlene ainda tinha sinais vitais. Então, ele acionou socorro via 192, 193 e 190, mas ela não resistiu. Além do policial, vizinhos confirmaram que as brigas entre o casal eram frequentes.

Uma testemunha chegou a dizer que ouvia sempre Gilberto gritando com Marlene e que, em determinada ocasião, ouviu a mulher gritar por socorro.

Após os fatos, as equipes do 9º Batalhão da PMMS foram acionadas e estiveram no local. Aos policiais, Gilberto deu versões diferentes dos fatos. Em determinado momento, disse que ligou para a polícia após o tiro e mostrou o celular. Então, os militares identificaram também uma chamada para o advogado do suspeito.

Gilberto afirmou que a ligação ocorreu porque tinha provas de que a vítima “manifestava intenção de cometer suicídio”. Disse, ainda, que não houve discussão ou desentendimento na data dos fatos.

📍 Onde buscar ajuda em MS

Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira está localizada na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana.

Além da Deam, funcionam na Casa da Mulher Brasileira a Defensoria Pública; o Ministério Público; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicológico; alojamento; espaço de cuidado das crianças – brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha; e Guarda Municipal. É possível ligar para 153.

☎️ Existem ainda dois números para contato: 180, que garante o anonimato de quem liga, e o 190. Importante lembrar que a Central de Atendimento à Mulher – 180 é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o Brasil, mas não serve para emergências.

As ligações para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os fins de semana e feriados, já que a violência contra a mulher é um problema sério no Brasil.

Já no Promuse, o número de telefone para ligações e mensagens via WhatsApp é o (67) 99180-0542.

📍 Confira a localização das DAMs, no interior, clicando aqui. Elas estão localizadas nos municípios de Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.

⚠️ Quando a Polícia Civil atua com deszelo, má vontade ou comete erros, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone: (67) 3314-1896 ou no GACEP (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.

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(Revisão: Nichole Munaro)

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