A Polícia Civil, por meio da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), negou a existência de laudo pericial conclusivo sobre a morte da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, em Campo Grande.
Fabíola tinha 51 anos e foi encontrada morta com um tiro na cabeça no dia 18 de maio deste ano, na residência onde morava com o médico cardiologista João Jazbik Neto, no bairro Chácara dos Poderes. O médico foi preso por fraude processual, mas ganhou a liberdade dias depois.
Na quinta-feira (30), a família da fisioterapeuta confirmou que um laudo necroscópico saiu nesta semana, indicando tiro à distância, mas que ainda não havia sido juntado ao inquérito policial. Nesta sexta (31), a Polícia Civil esclareceu que nenhum laudo pericial conclusivo foi juntado até o momento.
“Nenhum laudo pericial conclusivo foi juntado até o presente momento aos autos, de modo que as informações que afirmam a existência de laudo anexado e apontam conclusões não correspondem à realidade do procedimento”, afirmou a instituição.
A Polícia Civil informou que a investigação está em fase ativa de instrução, com realização de oitivas de testemunhas e outras diligências necessárias para o esclarecimento dos fatos.
Possibilidade de feminicídio
Outra linha de investigação analisada pela 1ª Deam é que Fabíola tenha sido vítima de feminicídio. A fisioterapeuta foi encontrada morta com um tiro na região da cabeça, no dia 18 de maio, na residência localizada no Chácara dos Poderes, em Campo Grande, onde morava com o médico cardiologista João Jazbik Neto.
As investigações que consideram a possibilidade de feminicídio apontam o companheiro da vítima como o principal suspeito. O cardiologista chegou a ser preso e ganhou liberdade provisória no dia 22 de maio, mediante medidas cautelares, incluindo a utilização de tornozeleira eletrônica.
Na ocasião, o delegado Leandro Santiago, da 1ª Deam, informou que o cardiologista teria ligado para um ex-funcionário e um caseiro para se deslocarem até a casa. No local, o médico teria pedido aos dois que colocassem um armário, com diversas armas, em outro cômodo da casa.
O delegado também informou que a versão apresentada pelo cardiologista, de que a mulher teria tirado a vida, não condiz com o ferimento no corpo da fisioterapeuta.
Em decisão assinada pela promotora de Justiça Daniele Borgjetti Zampieri de Oliveira, no último dia 16, o Ministério Público Estadual prorrogou por 60 dias o prazo para finalização do inquérito policial. Diversas perícias ainda são realizadas.
À reportagem do Midiamax, o advogado José Belga Assis Trad, que representa o cardiologista João Jazbik Neto, defende que a informação sobre o laudo necroscópico não procede.
“Se trata de informação inverídica. Em primeiro lugar, porque o laudo necroscópico não faz qualquer tipo de conclusão sobre os possíveis acontecimentos que levaram a uma determinada lesão, limitando-se a descrever as lesões encontradas no corpo examinado”, afirma.
A defesa também reforça que o laudo não foi juntado ao inquérito policial e que aguarda os trabalhos da polícia judiciária acerca do caso.
Confira na íntegra a nota enviada pela defesa do cardiologista:
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(Revisão: Nichole Munaro)








