O primeiro preso envolvido no sequestro da bebê Ayla Emanuelly Pereira de Souza, aos 28 dias de vida, receberia R$ 1 mil pelo aluguel da casa onde ocorreu o crime, no bairro Universitário, em Campo Grande. O caso ocorreu entre a tarde de quinta-feira (6) e sexta-feira (7).
A versão apresentada pela mãe, uma adolescente de 17 anos, é que ela teria sido atraída por Suzilaine da Graça Costa, de 37 anos, para ir até a casa, com a finalidade de cuidar de um bebê de apenas seis meses.
A adolescente receberia R$ 100 pela diária de babá. Entretanto, ao chegar ao local, na companhia da sua irmã, de 12 anos, ambas foram obrigadas a entregar Ayla sob ameaças.
Desde então, várias versões sobre o caso apareceram, mas nenhuma foi oficialmente confirmada pela PCMS (Polícia Civil de Mato Grosso do Sul), uma vez que o caso segue em investigação sob sigilo pela Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente).
A criança foi encontrada no Paraguai na madrugada de domingo (9). Suzilaine, que estaria morando há dois meses no país vizinho a Mato Grosso do Sul, foi presa na companhia de um homem identificado oficialmente como Alex Melo de Abreu, que inicialmente apresentou um nome falso.
Casa alugada
Ainda em Campo Grande, no sábado (8), um rapaz, de 23 anos, foi preso pelo Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros) no bairro Universitário. Ele é apontado como responsável pela locação do imóvel onde teria ocorrido o sequestro.
Conforme o boletim de ocorrência, o jovem afirmou que alugou a casa para Suzilaine realizar um “corre”, no valor de R$ 1 mil, ou seja, o local seria utilizado justamente para a prática de algum delito. O jovem alegou não saber que seria para o sequestro de uma criança.
Assim, foi combinado o pagamento em duas parcelas de R$ 500, sendo a primeira paga via Pix. Com isso, o suspeito saiu de casa na terça-feira (4), deixando o local sob os cuidados de Suzilaine para realizar o tal “corre”.
Aos policiais, a filha da suspeita confessou que a mãe teria chegado em casa na sexta-feira (7), no período da manhã, com uma criança no colo, informando ser filha de uma amiga e que estaria cuidando dela. Mas, ao ver as notícias de desaparecimento de Ayla, a filha logo relacionou o fato ao bebê que estava com a sua mãe.
No entanto, Suzilaine já havia chamado um Uber, tendo saído do local aproximadamente às 13h30.
Sequestro
De acordo com a família da adolescente, a suspeita teria se aproximado da mãe durante a gestação e se oferecido para fazer um book de fotos da recém-nascida de graça.
“Ela conheceu essa moça por um grupo de doação, quando ela estava na reta final da gravidez, e, por volta dos oito para nove meses de gestação, essa moça falava que ia doar roupa para ela, dar carrinho e um book de fotos. Aí ela aceitou”, contou a familiar.
A mulher já havia ido à casa da adolescente para levar roupas de criança para a recém-nascida. Já na tarde de quinta-feira (6), a suspeita chamou a adolescente para cuidar de um bebê de seis meses em sua casa.
“Aí essa moça falou para ela que ia pagar R$ 100 para ela cuidar da filha de seis meses dela [suspeita], que ela podia levar a recém-nascida junto”, explicou a familiar da mãe da bebê.
A vítima então foi até o local, junto da irmã, de 12 anos, em um carro de aplicativo pago pela suspeita. Ao chegar ao imóvel, a vítima pediu um copo de água, momento em que a suspeita levou a adolescente de 12 anos para os fundos de casa.
Com isso, um homem, que já estava na residência, teria aparecido e pressionado um pano no rosto da adolescente, fazendo-a desmaiar. Em seguida, trancou a vítima dentro do banheiro e a amarrou. Já a irmã da adolescente teria sido trancada no quarto, junto da recém-nascida.
As adolescentes teriam ficado presas no imóvel até de madrugada, momento em que os suspeitos as libertaram, sem a recém-nascida, e deixaram as duas próximas a uma área de mata na Avenida Guaicurus, na região da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Universitária.
O celular da vítima também foi levado pelos criminosos.

Suspeitos presos
A bebê foi encontrada no domingo (9), na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai. Alex Melo de Abreu e Suzilaine da Graça Costa foram presos pela polícia paraguaia no bairro Virgen de Caacupé, em Pedro Juan Caballero.
A Polícia Nacional do Paraguai emitiu um comunicado, e o Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros) confirmou a localização da bebê.
A Diretoria de Polícia de Prevenção e Segurança do Departamento de Amambay informou que o mandado de busca e apreensão foi cumprido à 1h15 (horário local).
Ainda de acordo com o comunicado, a ação foi realizada após a análise de informações compartilhadas pela polícia brasileira, no âmbito do Acordo de Cooperação Policial Internacional.
Ayla foi encaminhada ao Pronto-Socorro do Hospital Regional de Pedro Juan Caballero, onde passou pelos procedimentos necessários. Após alta, foi transferida para Ponta Porã, onde atualmente está sob responsabilidade do Conselho Tutelar.

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(Revisão: Nichole Munaro)






