Uma mulher de 27 anos foi extorquida por criminosos após receber uma ligação e ser ameaçada em Campo Grande. Ela é sócia de empresa investigada na Operação Gutenberg, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), no começo deste mês, a qual mirou esquema de fraude que teria desviado R$ 27 milhões.
Segundo boletim de ocorrência, ela recebeu uma ligação de um homem que afirmou ser de facção criminosa e exigiu R$ 20 mil para não matá-la. Ela afirmou que é próxima de um dos presos na operação e, por isso, acreditam que tenha dinheiro.
O autor sabia o endereço dela, suas características físicas, além de ter mencionado que a viu saindo da clínica investigada naquele mesmo dia — no caso, terça-feira (28). Ele ainda ameaçou invadir a residência dela e torturá-la.
Assim, ela acabou fazendo dois Pix, de R$ 2.999,77 e R$ 1.854,00, para contas diferentes. O caso é investigado na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Centro.
Gaeco denuncia 17 investigados
O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) ofereceu denúncia à Justiça contra 17 investigados por desvios de R$ 27 milhões em prefeituras de Mato Grosso do Sul. A reportagem verificou que a denúncia ainda está pendente de análise da Justiça.
Tudo foi apurado em investigação que começou em 2023 e culminou na Operação Gutenberg, deflagrada em 7 de julho de 2026. No total, foram pedidas as prisões de 16 desses investigados, com 15 mandados cumpridos e um ainda pendente.
A investigação apontou que a Editora Avante (CNPJ 44.284.055/0001-46) firmou contrato de R$ 1 milhão com a Prefeitura de Miranda, mesmo sendo recém-criada e com capital social de R$ 40 mil, além de estar sediada em São Bernardo do Campo, região metropolitana de São Paulo.
Depois, o Gaeco conseguiu a quebra do sigilo fiscal e telemático e chegou a ao menos 17 prefeituras que firmaram contratos suspeitos com a editora. Tudo seria mediante ‘pressão’, já que o grupo se utilizava da estrutura da regulação estadual de saúde para usar a liberação de procedimentos como ‘moeda de troca’ para que prefeitos comprassem livros da Editora Avante, que seria controlada pela família Jafar.
Denunciados:
- Rossana Paroschi Jafar (presa) – dentista e dona de gráfica;
- Olívia Paroschi Jafar (prisão domiciliar) – médica e dona da Clínica Ross, que também foi alvo;
- Felipe Paroschi Jafar (preso) – ex-comissionado na Agesul;
- Giovanni Paroschi Jafar (preso) – empresário;
- Rhayane Souza Fanaia (presa) – ‘laranja’ do clã Jafar e ex-esposa de Giovanni;
- Ed Carlo Britto Burgatt (preso) – ex-chefe da regulação de saúde do Estado (Core);
- Jéssyca Duarte Burgatt (prisão domiciliar)– filha de Ed e dona da Capital Saúde (prisão domiciliar);
- Joatan Gomes Peixoto (prisão domiciliar) – empresário;
- Matheus Oliveira Peixoto (preso) – empresário;
- Francisco Anízio dos Santos (preso) – empresário;
- Douglas Henrique de Melo (preso )– empresário;
- Paulo Rogério de Melo (preso) – empresário e pai de Douglas;
- Gabriel Taquino de Paula (preso) – advogado;
- Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior, o Junior Vasconcelos (preso) – ex-prefeito de Fátima do Sul e escrivão da Polícia Civil;
- Geancarlo Leal de Freitas (prisão revogada) – advogado e servidor público;
- Heyder Bartz (foragido) – empresário;
- Valesca Thaís Albuquerque Teixeira (não foi presa) – atual ‘proprietária’ da Editora Avante.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








