A empresa Arauco Celulose do Brasil S.A., gigante que passou a explorar plantações de eucalipto em Inocência, tornou-se alvo de uma investigação do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) para apurar a responsabilidade civil e criminal por danos ambientais.
O inquérito investiga o descarte irregular de diversas embalagens vazias de agrotóxicos em uma área de plantio de eucalipto sob gestão da multinacional, localizada na Fazenda Pouso Alto, no município de Paraíso das Águas.

O caso veio à tona após vistorias da Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal). Em outubro de 2025, durante uma fiscalização de rotina, agentes estaduais flagraram um grande volume de lixo tóxico espalhado no entorno de uma sede abandonada na propriedade.
“Verificamos a presença de diversas embalagens de agrotóxicos descartadas a céu aberto sem nenhuma proteção. As embalagens, em sua maioria, eram do tipo não lavável. Verificamos que não só estavam a céu aberto quanto alguns inclusive tinham sido carregadas pelo vento, o que fez espalhar na área”, afirma relatório da inspeção acerca do material tóxico abandonado pela Arauco.
Inspeção retornou, mas o cenário de descaso ambiental era o mesmo
Contrariando as afirmações de respeito ao meio ambiente, a Arauco não agiu para corrigir o descarte irregular do material tóxico.
Quando os agentes da Iagro retornaram ao local meses depois, em janeiro de 2026, ficou constatado que o material ainda permanecia na área, configurando reincidência e descaso com as normas de proteção ao meio ambiente e aos recursos naturais do território sul-mato-grossense.
Entre os resíduos químicos abandonados, estavam recipientes de defensivos agrícolas de uso restrito, como Atta Mex-S, Sumyzin 500 SC, Eventra e Tecnup Max 720 WG.

Inicialmente, a Iagro cobrou providências do proprietário da fazenda. O dono das terras, no entanto, apresentou Escritura Pública de Constituição de Usufruto Oneroso.
O documento, válido por 16 anos (até 2040), provou legalmente que a área havia sido cedida à Arauco Celulose para exploração de madeira e que o contrato transferia à empresa a total responsabilidade legal e operacional sobre o manejo dos resíduos e qualquer passivo ambiental gerado.
Com a autoria esclarecida e após a multinacional ignorar as advertências para a limpeza do local, a Iagro lavrou um Auto de Infração multando a gigante da celulose em 20 Uferms, valor que naquele período foi de R$ 1.059, pelo descarte em desacordo com as recomendações dos fabricantes.
Descaso ambiental da Arauco não passou batido pelo MPMS
O agravamento da situação motivou a Promotoria de Justiça de Chapadão do Sul a converter o dossiê no Inquérito Civil nº 06.2026.00000591-6, aberto oficialmente em 21 de julho de 2026.
Segundo a portaria do MPMS, além das violações administrativas e cíveis, a conduta da empresa configura, em tese, crime ambiental previsto na nova Lei de Agrotóxicos (Lei Federal nº 14.785/2023), que prevê pena de reclusão de 2 a 4 anos para quem der destinação irregular a embalagens vazias de substâncias químicas.

Na última semana de julho, a Arauco foi formalmente notificada pelo Ministério Público para apresentar sua defesa, a documentação de regularidade ambiental da fazenda (como o CAR) e manifestar se possui interesse em assinar um Termo de Ajustamento de Conduta, o que implicaria no reconhecimento do erro e na obrigação de reparar os danos causados ao meio ambiente sul-mato-grossense.
A reportagem buscou a empresa para manifestação e aguarda resposta.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








