As testemunhas de defesa do ex-prefeito Alcides Bernal — réu por matar o fiscal tributário Roberto Mazzini — foram ouvidas na tarde desta quarta-feira (27), no Fórum de Campo Grande. Ao todo, seis pessoas prestaram depoimentos à Justiça.
A linha das oitivas de defesa foi demonstrar que a casa onde aconteceu o crime não estava abandonada. Naquele 24 de março de 2026, Roberto estaria no local com um chaveiro, justamente para tomar posse da residência, recém-adquirida em um leilão.
Foram ouvidos dois vizinhos, o piscineiro de Bernal, uma ex-servidora comissionada da prefeitura e dois ex-secretários da sua gestão. Além deles, um delegado amigo do réu e o próprio prestaram depoimento.
Os vizinhos afirmam que sempre viam Bernal na residência, mas não conseguiam afirmar se ele realmente morava no local. Isso porque o imóvel estava alienado pela Caixa Econômica Federal desde o ano passado, mas ainda não tinha sido totalmente desocupado pelo antigo dono.
“O que eu posso afirmar é que eu o via lá, mas se ele morava lá, dormia lá, isso eu não posso afirmar com certeza”, disse um dos vizinhos.
Por sua vez, o piscineiro afirmou que trabalhava no local há 13 anos e prestou serviço até o sábado anterior ao dia do crime. Sempre que ia, Bernal raramente não estava lá. Entretanto, não soube informar como estava organizado o interior da residência, já que não tinha acesso.
Já os demais também afirmaram que estiveram na casa, mas não tinham como confirmar se havia móveis no seu interior. Um funcionário da empresa de monitoramento chegou a comparecer à audiência, mas foi dispensado.
O que disse Bernal?
O réu, que também foi ouvido, afirmou que vivia na casa, sozinho. “Comprei em 2013. Ela valia R$ 1,5 milhão e eu financiei R$ 800 mil. Quando comprei, residiam minha mãe, esposa, filha e tinha a empregada doméstica. Minha mãe faleceu — as coisas dela estão lá — minha filha casou e me separei”, conta.
Ele ainda disse que sabia da questão com a Caixa Econômica Federal, mas que ainda tentava resolver, mesmo enfrentando problemas financeiros. “A Caixa ficou de fazer audiência de conciliação e, como eu tinha conversado com a superintendência [da Caixa Econômica], fiquei esperando a audiência”, afirmou ele ao explicar o litígio.
Confira mais do depoimento de Bernal:
Bernal ainda explicou compromissos no interior do Estado, como a rádio que comanda em Rochedo, e, por isso, se ausenta da residência.
O juiz ainda questionou a informação dada na delegacia, na qual ele teria dito ao delegado que não residia na casa. Bernal responde: “Eu não falei isso e, se falei, fui mal interpretado. Jamais falaria isso”.

Primeiras audiências do caso
Nesta quarta-feira (27), a Justiça ouviu as testemunhas de defesa de Alcides Bernal, no segundo dia de audiência de instrução de julgamento. Na terça-feira (26), foram ouvidas as testemunhas de acusação.
No Fórum de Campo Grande, foram ouvidas seis testemunhas arroladas pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). Entre elas, estão o filho da vítima, Gabriel Mazzini — que deu um depoimento emotivo à Justiça; o chaveiro, que é uma testemunha-chave; os funcionários da empresa de segurança contratada por Bernal; e policiais.
Bernal é denunciado por homicídio
A 19ª Promotoria de Justiça de Campo Grande denunciou o ex-prefeito Alcides Bernal pelo homicídio qualificado do fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini e por porte ilegal de arma de fogo. O político e advogado está preso desde a data do crime, 24 de março de 2026.
Na denúncia, os promotores Lívia Carla Guadanhim Bariani e José Arturo Bobadilla Garcia lembram que Mazzini, de 60 anos, havia adquirido a casa de Bernal, no Jardim dos Estados, em um leilão da Caixa Econômica Federal, e foi ao local tomar posse do imóvel, junto de um chaveiro.
“O crime foi cometido por motivo torpe, visto que o denunciado agiu impelido pelo sentimento de vingança, mais precisamente porque não aceitava a perda do imóvel para a vítima e ainda acreditava ter direito sobre ele. Assim, decidiu ceifar-lhe a vida. Dada a repugnância da motivação do crime, caracterizada esta a qualificadora”, escreveram os membros do MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul).
Assim, o político foi denunciado por homicídio qualificado por motivo torpe, com recurso que dificultou a defesa, contra vítima maior de 60 anos; e também por porte ilegal de arma de fogo.

Bernal preso por assassinato
O crime aconteceu em uma casa que pertenceu a Bernal, mas foi arrematada em um leilão por Mazzini, no ano passado. Na tarde de 24 de março, Roberto foi até lá, na presença de um chaveiro, a fim de tomar posse do imóvel, mas foi alvejado por ao menos dois tiros, que atingiram a região da costela, transfixando, e a dorsal da vítima.
O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 14h; eles realizaram, por cerca de 25 minutos, manobras de reanimação, mas o servidor não resistiu e morreu.
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