A Operação Gutenberg, deflagrada na semana passada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), apreendeu R$ 3 milhões em cheques, R$ 200 mil em dinheiro em espécie, notas de dólar, armas, cofres, além de computadores e documentos.
As investigações revelaram esquema que desviou mais de R$ 27 milhões de prefeituras em Mato Grosso do Sul através da cobrança de ‘pedágio’ na saúde, que condicionava a liberação de exames pelo SUS à compra de livros da Editora Avante (CNPJ 44.284.055/0001-46), do clã Jafar, apontado como líder da organização criminosa.
Foram cumpridos 40 mandados de busca e apreensão em diversos endereços. Um deles foi justamente a central de regulação do Estado, cujo então chefe, Ed Carlo Britto Burgatt, foi preso.
No local, foi apreendido o computador de Ed Carlo. No entanto, o ex-chefe da regulação se recusou a fornecer a senha, numa tentativa de ocultar os registros digitais de regulação e favorecimento, já que ele era responsável por liberar ou trancar liberações de vagas a prefeitos.
As apreensões revelam, ainda, como funcionava a engrenagem de cobrança de propinas e lavagem de dinheiro do esquema. A filha de Ed, Jessyca Duarte Burgatt, que chegou a ser presa e cumpre prisão domiciliar, é dona da Capital Saúde. Na empresa, foram localizados um envelope com R$ 21,6 mil e um papel grampeado escrito “ED 8%”.
No escritório do advogado Gabriel Taquino de Paula, também preso, o Gaeco apreendeu um bloco de anotações escrito “coordenadoria estadual de regulação”, com nomes e valores.
O advogado é uma das peças-chave da operação do esquema, atuando como o intermediário entre Ed Carlo e as prefeituras. Nos endereços ligados a ele, os investigadores também apreenderam um cartão de banco da Editora Avante e R$ 13 mil escondidos numa sacola de papel, embaixo da mesa do advogado.
Ele também tinha uma pistola Taurus registrada.

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Núcleo financeiro
Um dos ‘gerentes’ do esquema era Francisco Anízio dos Santos, também preso. Ele gerenciava as operações financeiras da Editora Avante, usada pela família Jafar para emitir notas fiscais, simular exclusividade de venda nas licitações e receber milhões em contratos fraudulentos com as prefeituras.
Com ele, foram apreendidos R$ 69 mil em dinheiro vivo, mais 907 dólares e outros R$ 8,5 mil na locadora de carros do empresário Heyder Bartz, que está foragido.
Anízio detinha o controle das contas bancárias da editora e era o responsável por coordenar os saques em dinheiro vivo para distribuir aos ‘laranjas’ do esquema e aos agentes públicos corrompidos com propinas.
Clã Jafar: o cérebro do esquema

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Conforme já apontado pelas investigações do Gaeco, a família Jafar, representada por Rossana Paroschi Jafar e seus filhos, Giovanni, Felipe e Olívia, era a real proprietária da Editora Avante, que estava no nome da ex-esposa de Giovanni, Rhayane Souza Fanaia. Todos estão presos.
O QG da operação seria a Clínica Ross, onde os agentes localizaram diversos kits de livros. Na sala de administração da clínica, o Gaeco apreendeu um comprovante de Pix no valor de R$ 30 mil feito para Rhayane.
Também foi apreendido um caderno escrito “extrato Editora Avante”, além de notas fiscais da editora e uma proposta de preços da Editora Avante ao município de Aquidauana.
Já no apartamento de Rossana, foram apreendidos contratos diversos e um celular, além de munições.
Operadores
O esquema contava ainda com a participação de empresários que recebiam valores no esquema de lavagem de dinheiro. Entre eles, estão Douglas Henrique de Melo e seu pai, Paulo Rogério de Melo, donos de garagens e casas noturnas em Campo Grande. Os dois também estão presos.
No escritório deles em uma garagem de veículos, os investigadores encontraram um cofre, além de 88 folhas de cheques com soma de R$ 3 milhões. Outros R$ 12.681,00 em dinheiro vivo também estavam no cofre.
Paulo Rogério também guardava uma pistola Taurus, com 2 carregadores e 27 munições, devidamente registrada.
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(Revisão: Nichole Munaro)









