O policiamento na região das Aldeias Buriti e Lindóia, em Sidrolândia, a 70 km de Campo Grande, foi reforçado na manhã desta quinta-feira (18) após pedido das lideranças indígenas. Rondas e abordagens foram realizadas por equipes da 8ª CIPM (Companhia Independente da Polícia Militar).
O pedido vem dias após indígenas invadirem uma propriedade rural na cidade, no último fim de semana. Na ocasião, alguns funcionários foram algemados com enforca-gato e tiveram suas casas incendiadas pelos suspeitos.
É possível que o episódio tenha ocorrido em desacordo com as lideranças indígenas da região, que inclusive assinaram um documento se posicionando contra a ação. Já nesta quinta-feira, os líderes solicitaram policiamento nas aldeias.
Assim, equipes de Rádio Patrulha e também da Força Tática voltaram à região com a finalidade de aumentar a sensação de segurança da comunidade, justamente devido às tensões e aos conflitos de terra registrados nos dias anteriores.
Fazendeira relata violência
Em entrevista ao Jornal Midiamax, Carla Brito Curado relatou que um grupo, de cerca de 15 pessoas, chegou à propriedade por volta das 15h. Conforme o depoimento, um dos funcionários que estava de folga e a caminho da cidade foi interceptado na estrada e interrogado pelos invasores sobre a quantidade de pessoas na fazenda.
Após o grupo obter as informações, a produtora rural relata que eles invadiram a propriedade e renderam três funcionários, incluindo o rapaz que estava de folga, sob ameaça de armas de fogo. Além disso, os familiares dos funcionários teriam sido levados até uma fazenda vizinha, enquanto as vítimas foram mantidas nas redondezas do local invadido sob a vigilância do grupo por cerca de uma hora e meia, até serem liberadas por volta das 18h.
A mulher afirma, ainda, que os invasores recolheram os celulares e utilizaram lacres plásticos, conhecidos como “enforca-gato”, para manter os homens algemados. Por fim, Carla relata que os invasores teriam cometido pequenos furtos e levado máquinas para uma fazenda vizinha, além de terem incendiado duas residências que pertenciam aos funcionários, a sede da fazenda, um galpão e um barracão de máquinas da propriedade.
“Faz 20 anos que a gente não tem segurança. A gente é tratado como bandido. A menina com a casa nova, a televisão nova, todas as coisas dela, foi tudo queimado. A gente não tem como proteger o funcionário. Como que trabalha? Eles sempre são a vítima, eles podem enfiar a arma na cabeça da gente e a gente não pode se defender. A gente só quer trabalhar em paz, ter respeito e segurança jurídica”, expressa Carla.
Conforme a produtora rural, já foi provado, judicialmente, que as terras que pertencem a ela não correspondem a territórios indígenas. “A gente ganhou em todas as instâncias, já foi provado que aqui não é [território indígena]. Agora a gente tem que aguardar e tentar recuperar o que está aqui dentro, porque só ficou boi. A gente conseguiu recuperar as máquinas. Mas o importante é que ninguém se machucou.”
Após o ocorrido, toda a ação foi registrada individualmente em boletim de ocorrência pela dona da propriedade e pelas vítimas mantidas em cárcere. Conforme o documento, os invasores teriam utilizado “armas de fogo longas” para intimidar as vítimas. A tropa de choque da Polícia Militar foi acionada para prestar apoio durante a retomada da área.
Segundo Carla, a propriedade foi devolvida, mas ela ainda está em busca de apoio dos órgãos federais e do Governo do Estado para garantir segurança, pois afirma temer novos ataques. “A gente está tentando fazer tudo dentro da lei, a gente só quer segurança para poder trabalhar.”

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(Revisão: Nichole Munaro)








