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Polícia

Viúva de Léo Veras cobra investigação sobre ameaças recebidas no Paraguai

Léo Veras foi executado em 2020 e, há seis anos, a viúva também cobra avanços na investigação do assassinato
Lívia Bezerra -
Jornalista foi assassinado há cinco anos na fronteira ente Brasil e Paraguai
Jornalista foi assassinado há cinco anos, na fronteira entre Brasil e Paraguai. (Marcos Morandi, Midiamax)

Cíntia Gonzales, viúva do jornalista Lourenço Veras, o Léo Veras — executado na fronteira do Paraguai com Mato Grosso do Sul — está cobrando avanço nas investigações sobre ameaças recebidas no passado. Léo Veras foi executado em fevereiro de 2020 e, há seis anos, a viúva também cobra avanços na investigação do assassinato.

Em julho do ano passado, Cíntia afirmou durante entrevista exclusiva ao Jornal Midiamax que estava com alguns áudios ameaçadores e pediu proteção das autoridades paraguaias. Na mesma época, o jornalista Aníbal Gómez Caballero recebeu mensagens intimidatórias, incluindo ameaças à sua família.

Nesta sexta-feira (19), Cíntia comentou que foi chamada para testemunhar no caso de Aníbal. Inicialmente, ela pensou que tivesse sido chamada para relatar as ameaças recebidas.

“Pensei que era sobre meu caso, mas infelizmente não. Mas me chamaram para testemunhar no caso de Aníbal. Pelo que eu vi, o caso dele está muito avançado, enquanto o meu está parado”, falou a viúva de Léo Veras.

O caso das ameaças que vitimaram Cíntia foi encaminhado para investigação na Procuradoria de Pedro Juan Caballero, mas a viúva do jornalista pede que seja investigado pelo setor de Direitos Humanos em Assunção.

Execução

Léo Veras foi assassinado na noite do dia 12 de fevereiro de 2020, em Pedro Juan Caballero, quando teve sua residência invadida por dois homens. O jornalista correu para o quintal, mas foi seguido pela dupla, que portava uma pistola Glock 9 mm e atirou doze vezes. Após matar o profissional, os pistoleiros o amordaçaram.

Cinco homens e uma mulher suspeitos de ligação na execução do jornalista Léo Veras foram presos ainda em 2020. As prisões aconteceram após a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), na época, divulgar que os tiros que atingiram o jornalista Lourenço Veras, o Léo Veras, tinham sido disparados de uma pistola Glock 9 mm.

Essa mesma arma teria sido usada em execuções de ao menos outras sete pessoas na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero. Todos os crimes estariam relacionados ao PCC (Primeiro Comando da Capital), segundo a Associação.

Exame de balística forense feito na capital paraguaia, Assunção, identificou em cartuchos recolhidos na casa de Léo o mesmo padrão de marca produzido pelo percussor da pistola no instante do disparo, que é uma espécie de impressão digital, única para cada arma.

Em julho de 2025, a viúva acusou o deputado Santiago Benítez de tentativa de suborno para favorecer o principal suspeito do crime, Waldemar Rivas Días, o ‘Cachorrão’, que nega envolvimento no caso. Em agosto, ‘Cachorrão’ pronunciou-se, negando ter matado ou ordenado o assassinato do jornalista, e afirmou que tem um arquivo em pen drive que comprovaria sua inocência.

Meses depois, o JEM (Júri de Magistrados) destituiu por unanimidade a juíza Mirna Carolina Soto González, a qual atuou no painel que absolveu ‘Cachorrão’. A decisão foi tomada após a confirmação de que ela havia se envolvido em má conduta durante o julgamento.

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