Moradores do Portal Caiobá, em Campo Grande, pedem a instalação de um semáforo no trecho onde aconteceu o acidente que matou Terezinha da Conceição Borin, de 70 anos, na manhã do último sábado (3).
A idosa foi atingida por uma motocicleta enquanto estava guardando cadeiras no porta-malas de um carro na Rua Poente, próximo ao cruzamento da Avenida Conde de Boa Vista. O condutor da moto é um pintor de 30 anos, que confessou ter usado cocaína antes de pilotar o veículo naquela manhã.
Preso em flagrante, o pintor optou por ficar em silêncio durante o interrogatório na Depac-Cepol (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro Integrado de Polícia Especializada). Ele teve a prisão convertida em preventiva durante audiência de custódia nesta segunda-feira (5).
O pedreiro Francisco de Assis, que mora na região há cinco anos, relatou que, quando há muito movimento, trava a Rua Poente, já que ela nasce na Avenida Conde de Boa Vista — via preferencial. Com a Rua Poente travada, uma fila de veículos se forma.
“Aqui nessa esquina precisa urgentemente de um semáforo, porque, quando chega no final da tarde, que é o horário de pico, é um caos. Aqui é aquela fila de carros. Quando levo meu filho de manhã na escola, às vezes eu tenho que ficar muito tempo esperando e chego atrasado com ele no colégio”, contou o pedreiro ao Jornal Midiamax.
Francisco não presenciou o acidente que vitimou Terezinha na manhã de sábado (3), mas disse ter escutado o barulho. “Na hora em que eu estava saindo da minha casa para vir pegar umas ferramentas, escutei o barulho. Quando eu vi, o rapaz já estava caído no meio do asfalto e a senhora na beira do carro”, relatou.

‘Virou um caos’
De acordo com o relato do pedreiro, os acidentes são frequentes no trecho. Fora do horário de pico, os condutores são flagrados em alta velocidade e praticando até manobras perigosas na Rua Poente, próximo ao cruzamento da Avenida Conde de Boa Vista.
O pedreiro lembra que, antes da via ser asfaltada, já havia um grande movimento. Com a chegada do asfalto, o trecho “virou um caos”, aliado à falta de respeito dos condutores. Por isso, o morador pede, além do semáforo, um redutor de velocidade.
“Aqui, correm demais; frequentemente vejo motos sendo empinadas. Motociclistas passam aqui fazendo racha e colocando a vida de terceiros em risco. A pessoa, às vezes, não tem amor à própria vida e acaba colocando a vida de terceiros em risco. É lógico que tem aqueles que têm prudência, né? Mas tem aqueles que não são prudentes”, pontuou Francisco à reportagem.
Diante do pedido de instalação de semáforo e redutor de velocidade, o Jornal Midiamax acionou a prefeitura municipal e aguarda um retorno. O espaço segue aberto para manifestações futuras.

Acidente
De acordo com o boletim de ocorrência, o pintor conduzia uma Honda Titan 160 e não tinha CNH (Carteira Nacional de Habilitação). Ele sofreu escoriações leves e foi encaminhado à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Universitário, onde teria confessado voluntariamente que consumiu cocaína antes de conduzir a motocicleta.
Terezinha foi socorrida pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e encaminhada à Santa Casa em estado grave, mas não resistiu e morreu. Depois, o corpo dela foi levado à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Leblon.
Após receber alta médica na UPA, o pintor foi preso em flagrante e levado à Depac-Cepol (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro Integrado de Polícia Especializada). Ele foi submetido ao teste de bafômetro, que resultou em 0,94 mg/L de álcool.
Posteriormente, a PM (Polícia Militar) fez diligências, juntamente com a Polícia Civil, e confirmou que o pintor havia ingerido bebidas alcoólicas com outro homem em uma conveniência, na mesma avenida onde aconteceu o acidente.
O caso é investigado como homicídio culposo na direção de veículo automotor, qualificado pela embriaguez ao volante e pela ausência de habilitação legal.
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