O cruzamento entre as ruas João da Mata e Sagarana — onde ocorreu o atropelamento de Davi Bruno Correa dos Santos —, no bairro Zé Pereira, em Campo Grande, é ponto de reclamação dos comerciantes da região. Na visão deles, a alternativa era mudar a rota do coletivo que faz a Linha 406 – Zé Pereira ao Terminal Júlio de Castilho.
A criança, de 11 anos, morreu momentos depois de ser atingida por um ônibus do Consórcio Guaicurus, justamente no cruzamento. Davi foi socorrido em estado grave e encaminhado para a Santa Casa com várias lesões, mas não resistiu.
O acidente ocorreu justamente no momento em que o condutor do transporte público, de 57 anos, foi realizar uma conversão. Ele tentou abrir a curva para passar com o ônibus e, em determinado momento, ouviu o impacto.
O motorista teria dito que Davi estava em um ponto cego.
Rua estreita
Para o Jornal Midiamax, comerciantes reclamam que o cruzamento é estreito para o ônibus realizar as conversões com segurança. Inclusive, para eles, a solução era alterar a rota da linha para as ruas mais próximas, uma vez que outros acidentes já teriam sido registrados no cruzamento.
“Acho que essa parte não deveria ter, ou [deveria] tirar o ônibus daqui. Deixar ele passar ali embaixo”, disse uma comerciante, que preferiu não se identificar.
“Eles passam bem encostadinhos porque o ônibus é grande e não tem como passar. Ou teriam que mudar a linha de ônibus. Aqui passa muita criança e aquela esquina é um lugar perigoso, porque é uma esquina muito estreita “, afirmou a comerciante Iraci Francisca da Silva.
A reportagem acionou a equipe interventora do Consórcio Guaicurus e a Prefeitura de Campo Grande. O espaço segue aberto para posicionamentos.

‘Vi ele crescer’, diz vizinha
Vizinha da família há dez anos, Fabiane Machado Nogueira contou ao Jornal Midiamax que viu Davi crescer. Ela encontrava o pequeno andando de bicicleta com frequência na rua de sua casa.
“Criança supereducada, vinha aqui e falava: ‘Oi, tia!’. Andava de bicicleta aqui na frente, menino bom, exemplar, todos o conheciam. Todo dia via ele brincando. E a mãe também, mulher muito guerreira, que cuida muito dos filhos”, elogiou a vizinha.
Fabiane comentou que soube do atropelamento na noite de segunda (21), mas não imaginou que a vítima seria Davi. Somente nesta terça (22), ela teve notícia da partida precoce do vizinho.
“Fiquei sabendo hoje e, na hora, já fiquei mal. Vi a reportagem ontem à noite, mas não imaginava que era o vizinho aqui do lado. Fiquei sem chão. Eu me coloco no lugar da mãe, desejo muita força a ela”, falou Fabiane.

Atropelamento
Segundo o boletim de ocorrência, o motorista conduzia o ônibus coletivo pela Rua João da Mata e virou na Rua Sagarana, momento em que atingiu Davi — que estava empurrando a bicicleta e tentou atravessar a via.
Na ocasião, o motorista do ônibus disse que Davi estava em um ponto cego. Ele tentou fazer a conversão mais aberta para passar com o ônibus e, em determinado momento, ouviu o impacto. Imediatamente, o condutor parou e percebeu uma pessoa com uma bicicleta. O teste de bafômetro feito no motorista resultou negativo para ingestão de álcool.
Uma testemunha contou ter visto Davi carregando uma bicicleta naquela tarde. Ela explicou que o menino estava do lado em que aconteceu o acidente com o ônibus e acredita que o motorista possivelmente não tenha visto Davi naquele local.
Logo que percebeu o atropelamento, a testemunha saiu correndo do estabelecimento onde estava para ajudar Davi. Ele estava com fortes dores, se debatendo, e a testemunha ficou tentando tranquilizá-lo até a chegada do socorro.
Enquanto aguardava o socorro, a testemunha perguntou qual era o nome do menino, que respondeu: “Bruno” e, depois, “Bruno Davi”.

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(Revisão: Nichole Munaro)









