Com cartazes nas mãos, estudantes de Ciências Sociais da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) foram à Câmara Municipal de Campo Grande nesta quinta-feira (1º) para pedir melhorias na carreira de sociólogo, antropólogo e cientista político.
A mobilização defende a valorização da profissão, a ampliação de oportunidades de estágio remunerado e a abertura de mais vagas efetivas em concursos públicos.
O ato acompanhou uma indicação apresentada pela vereadora Luiza Ribeiro (PT), no dia 30 de setembro, que propõe melhorias na carreira de Gestão Estratégica Organizacional, prevista na Lei Complementar nº 453, de 2022. O pedido inclui a criação de mais cargos efetivos para a área de Ciências Sociais, realização de concurso e aumento da oferta de estágios.
Pela legislação, a mudança na estrutura da carreira precisa ser proposta pelo Executivo. Por isso, a indicação sugere que a Prefeitura avalie a proposta e encaminhe projeto de lei à Câmara. A indicação por si só não cria cargos.
Carreira com apenas uma vaga prevista
Na justificativa, a vereadora aponta que o quadro de cargos efetivos do município, consolidado em junho de 2024, previa apenas uma vaga para sociólogo — e ela não estava preenchida. Para comparação, a mesma carreira contava com 72 vagas de administrador, 45 de assistente social e 35 de psicólogo.
Segundo a vereadora, os profissionais de Ciências Sociais contribuem para diagnósticos sociais, identificação de desigualdades e planejamento e avaliação de políticas públicas em áreas como assistência social, direitos humanos, políticas para mulheres, igualdade racial, juventude, habitação, planejamento urbano, cultura e participação social.
A UFMS oferece o curso de Ciências Sociais desde 1999, com formação em Sociologia, Antropologia e Ciência Política.

‘Nossa formação é ampla’
Durante a mobilização, o acadêmico João Carlos, do bacharelado da UFMS, disse que a reivindicação inclui estudantes da graduação e do mestrado do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social. “Nós estamos aqui para reivindicar o acesso a vagas de estágio e a futuros concursos. Vemos vagas para diversos cursos, como administração e contabilidade, mas sentimos que falta olhar para a subjetividade. Não existe política pública efetiva sem cientista social”, afirmou.
Segundo ele, o movimento quer romper estereótipos sobre a profissão. “A gente precisa romper com essa ideia de que Ciências Sociais só forma professor universitário. Nossa formação é ampla, atuamos com pesquisa social, consultoria, laudos, licenciamento ambiental, docência. Queremos estar presentes nas secretarias, nas áreas de direitos humanos e de políticas para minorias. O estágio é uma forma de profissionalização e de valorização da carreira”, disse.
Apoio dos professores
O professor Victor Ferri Mauro, que acompanhou os estudantes, afirmou que a demanda tem apoio do corpo docente e é antiga. “É um curso que funciona na cidade há 27 anos. Nós passamos pela mesma situação quando nos formamos. São pessoas com consciência social, cabeças pensantes que podem contribuir para a melhoria da gestão pública”, disse.
Para ele, a ampliação da carreira permitiria melhor atendimento à população. “Esse profissional tem condições de ajudar a montar projetos, elaborar políticas públicas, fiscalizar e fazer o diagnóstico das necessidades que cada segmento da sociedade tem. Há poucas vagas disponíveis hoje. A reivindicação é para que se abram mais oportunidades nos próximos concursos”, completou.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)










