O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez referência à Guerra do Paraguai para defender mais investimentos na área de defesa e o reequipamento das Forças Armadas Brasileiras. A declaração foi feita nesta sexta-feira (24), durante visita à fábrica da Avibras Aeroco, em Jacareí, no interior de São Paulo.
Ao argumentar pela ampliação da capacidade militar do país, Lula afirmou que o Brasil é um país de paz, mas precisa estar preparado para possíveis ameaças. Ele destacou o conflito do século 19, que teve impactos diretos em regiões de fronteira, como Corumbá, em Mato Grosso do Sul, e citou o custo alto que a guerra trouxe ao orçamento nacional.
“Nós gostamos de paz. Mas um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. A Guerra do Paraguai custou 3 orçamentos do Brasil na época. Quando você entra em guerra, você não fica perguntando se tem dinheiro ou não tem dinheiro”, disse.
A fala ocorre em meio ao acirramento da relação diplomática com os Estados Unidos, que nos últimos dias anunciaram duas novas sobretaxas sobre produtos brasileiros e manifestaram interesse no processo eleitoral do país.
Lula defendeu que o Brasil mantenha as Forças Armadas modernas e equipadas, com capacidade de dissuasão. Segundo ele, o objetivo não é provocar conflitos, e sim evitar pressões externas.
O conflito e a fronteira
A Guerra do Paraguai foi o maior confronto armado da América do Sul e durou quase 6 anos. Envolveu o Paraguai contra a Tríplice Aliança, formada por Brasil, Argentina e Uruguai. A disputa central era pela influência na região do Rio da Prata.
Cidades da fronteira oeste brasileira, como Corumbá, sentiram de perto os efeitos do conflito. A Tríplice Aliança saiu vitoriosa. O Paraguai ficou devastado, com estimativas de que 70% da população masculina do país tenha morrido na guerra.
Retomada da Avibras
Durante a visita, segundo o Portal Poder 360, Lula discursou sobre a retomada das atividades da Avibras Aeroco, empresa estratégica do setor bélico que ficou 3 anos com as operações paralisadas, em decorrência de uma crise financeira. O atual presidente da companhia é Sami Hassuani.
A indústria produz lançadores de foguetes e mísseis de cruzeiro, foguetes guiados, drones e veículos blindados de uso militar. Entre os clientes, estão a Marinha do Brasil e a FAB. A empresa também exporta para países do Oriente Médio, da Ásia e da América Latina.
Acompanharam o presidente: o vice-presidente, Geraldo Alckmin; a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos; o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira; o ministro da Defesa, José Mucio; e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias Rosa.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)







