A expansão do tráfego de cargas e veículos no norte de Mato Grosso do Sul começa a pressionar a infraestrutura rodoviária da região. O governador Eduardo Riedel (PP) afirmou que pretende autorizar a ordem de serviço para a MS-135 ainda em 2026 e indicou que o aumento do movimento na MS-306 pode antecipar obras de terceira faixa e duplicação previstas no contrato de concessão.
Em entrevista à rádio local, Riedel disse que pretende acompanhar pessoalmente a autorização para o início da obra da MS-135. Segundo ele, o projeto já foi concluído, a licitação realizada e o processo homologado. Com as etapas administrativas encerradas, a previsão é de que a obra avance ainda neste ano. “Eu quero dar ordem de serviço pessoalmente na 135”, afirmou o governador durante a entrevista.
A MS-135 é considerada estratégica para a ligação de Costa Rica e municípios do entorno com outras áreas de produção e circulação de cargas. A expectativa em torno da obra ocorre em uma região que vem registrando expansão do agronegócio, da atividade industrial e dos investimentos ligados à produção florestal.
Na MS-306, a discussão é diferente. A rodovia já está sob concessão e possui um cronograma de investimentos que inclui melhorias nos acostamentos, implantação de terceiras faixas e trechos de duplicação.
Evolução do tráfego
Segundo Riedel, a antecipação dessas intervenções dependerá principalmente da evolução do tráfego. Caso o volume de veículos ultrapasse as projeções consideradas no planejamento original, o contrato poderá ser utilizado para acelerar investimentos.
A possibilidade ganha peso diante do aumento do transporte de cargas no eixo entre Costa Rica e Aparecida do Taboado. Na prática, um crescimento acima do previsto pode fazer com que obras inicialmente programadas para etapas posteriores sejam executadas antes do prazo.
A infraestrutura rodoviária também aparece como um dos fatores que podem definir a chegada de novos investimentos à região.
Projeto industrial
Durante a entrevista, Riedel foi questionado sobre a possibilidade de instalação de uma indústria de celulose entre Costa Rica, Figueirão e Camapuã. O governador afirmou que não há, neste momento, um projeto industrial definido para essa área, mas confirmou que mantém conversas com investidores. Para ele, a expansão das florestas plantadas, combinada à melhoria da logística, aumenta a capacidade da região de disputar novos empreendimentos. “Essa região daí é uma região prioritária pela logística”, disse.
O avanço da infraestrutura ocorre em paralelo a uma mudança no perfil econômico do norte do Estado. A maior circulação de produtos e investimentos aumenta a demanda por rodovias capazes de suportar um fluxo maior de caminhões, ao mesmo tempo que cria expectativa por novos empregos e serviços.
Ao falar sobre um eventual segundo mandato, Riedel afirmou que um dos desafios será manter o ritmo de crescimento sem reduzir a capacidade de investimento do Estado. Infraestrutura, saneamento, habitação e pavimentação urbana devem permanecer entre as prioridades.
Investimentos na região norte
O governador também citou investimentos equivalentes a 12% e 15% da receita corrente líquida e colocou emprego e renda como medidas mais concretas dos resultados do desenvolvimento econômico. Entre as estratégias apontadas, está a ampliação do ensino profissionalizante e do uso de tecnologia na educação, principalmente para preparar jovens que chegam ao mercado de trabalho.
Na saúde, a aposta é ampliar a descentralização dos atendimentos de maior complexidade. A proposta é reduzir a concentração de serviços em Campo Grande e fortalecer estruturas regionais, com a criação de cinco grandes referências capazes de atender pacientes de diferentes municípios.
Segurança pública
A segurança pública também entrou na pauta da entrevista concedida pelo governador. Ao tratar da atuação de organizações criminosas e da disputa por rotas utilizadas pelo tráfico de drogas, Riedel classificou o enfrentamento às facções como uma “guerra” e defendeu uma atuação permanente do Estado.
Para o norte de Mato Grosso do Sul, entretanto, o principal efeito prático das declarações está relacionado às rodovias. A previsão de ordem de serviço para a MS-135 ainda em 2026 e a possibilidade de antecipação de terceiras faixas e duplicações na MS-306 colocam a infraestrutura diante de uma consequência direta do crescimento econômico: o aumento da pressão sobre as estradas.
Agora, a expectativa na região é de que as decisões anunciadas saiam do planejamento e cheguem à pista, com o início da MS-135 e a aceleração dos investimentos na MS-306 acompanhando o novo ritmo de circulação de cargas e veículos.
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(Revisão: Nichole Munaro)







