Durante a convenção do PSD realizada neste sábado (1º), o senador Nelsinho Trad comentou pela primeira vez os motivos que o levaram a desistir da disputa eleitoral. Segundo ele, a decisão foi difícil, inesperada até para si próprio e motivada principalmente por questões pessoais e familiares.
“Jamais eu colocaria isso na mesa, até porque nem eles esperavam o gesto que eu fiz. Nem eu esperava. Quando vi, já estava feito. Sei que magoei algumas pessoas e ainda não estão compreendendo, mas o tempo vai dizer. Não tinha como chegar em setembro firme, forte, com a minha família estruturada da forma como está para que, emocionalmente, eu pudesse dar conta de tudo isso”, disse.
O senador afirmou que o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, acompanhou todo o processo e foi informado sobre a decisão. Segundo ele, o governador de Goiás e candidato à presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, também conversou com ele antes da decisão final.
“O próprio Ronaldo Caiado me ligou, ligou para o governador Eduardo Riedel. Ou seja, está tudo dentro daquilo que a razão permite. Agora, acredito que ele deve conversar com os prefeitos e com os apoiadores dele.”
Nelsinho destacou ainda que a candidatura à suplência do ex-governador Reinaldo Azambuja (PSDB), que disputa uma vaga no senado, será sua quinta eleição majoritária consecutiva.
“Essa eleição na suplência do Reinaldo será a minha quinta eleição majoritária seguida. Aprendi a fazer isso. Tem horas na vida em que você precisa dar um passo para trás para dar dez à frente. Foi isso que fiz.”
Apoio de prefeitos

O senador também comentou o apoio recebido de 71 dos 79 prefeitos de Mato Grosso do Sul, que haviam declarado apoio à sua pré-candidatura. Segundo ele, a relação construída com os gestores municipais foi além da política.
“O PSD é um partido grande. Foi o partido que mais elegeu prefeitos na última eleição. Vou continuar empunhando a bandeira do 55. Os desdobramentos dessa decisão competem ao presidente nacional e, com certeza, também a nós, porque estaremos inseridos nesse contexto.”
Ao agradecer o apoio, Nelsinho relembrou a parceria com os prefeitos construída ao longo dos anos. “Foi uma relação verdadeira, de sempre recebê-los quando precisavam, de socorrê-los quando precisavam. Sempre estive presente nas cidades.”
Experiência pesou na decisão
Apesar de aparecer bem posicionado nas pesquisas, Nelsinho afirmou que sua experiência em disputas majoritárias pesou mais do que os números na hora de decidir deixar a corrida eleitoral.
“Muita gente dizia que essa era a decisão errada, porque eu estava entre os primeiros colocados nas pesquisas, disputando o segundo lugar e, em alguns levantamentos, aparecendo em primeiro. Em Campo Grande eu também liderava. Mas isso é momento.”
O senador relembrou duas campanhas em que, segundo ele, entrou sem o planejamento necessário.
“Já passei por duas experiências de entrar em uma eleição majoritária sem estar planejado e preparado, uma ao lado do meu pai, em 1996, e outra minha, em 2014. Tenho essa lembrança, essa experiência e esse sentimento. Não ia cometer o mesmo erro.”
‘Evitar constrangimentos’

Ao fim do discurso, Nelsinho ainda afirmou que a desistência buscou preservar aliados políticos de uma situação delicada durante a campanha.
“Quis evitar um constrangimento maior para os prefeitos, vice-prefeitos e vereadores que me apoiam. Como eu ia deixá-los serem submetidos a esse constrangimento, lá na frente, tendo que romper com um ou com outro? Ia chegar um momento da campanha em que nós teríamos que brigar com alguém.”
Sobre uma eventual candidatura nas eleições de 2028, o senador evitou fazer projeções. “O futuro a Deus pertence.
Apesar da convenção, o PSD não oficializou nenhum candidato para disputar as eleições em 2026.
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