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Política

Soraya Thronicke denuncia Paulo Figueiredo à PGR por violência política de gênero

O influenciador disse que "mulheres votam mal" e proferiu ofensas às feministas
Agência Estado -
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Senadora Soraya Thronicke (PSB-MS). (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) encaminhou notícia-crime à PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o influenciador Paulo Figueiredo. O documento pede a abertura de investigação por violência política de gênero após declarações de que mulheres “votam mal” e que as feministas insatisfeitas com a declaração poderiam “arrancar os pentelhos das calcinhas”

A ação na Justiça é mais um desdobramento do vídeo publicado por Michelle com acusações de que o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria a humilhado. Isso porque Paulo Figueiredo atacou Michelle em defesa do senador, em transmissão ao vivo no YouTube no dia 25 de junho. Na live, ele a comparou com personagens de contos de fada.

“As definições de madrasta ruim foram atualizadas, ontem, com um vídeo de meia hora sentando pau”, afirmou Figueiredo. Depois, afirmou em tom crítico que Michelle é uma feminista, além de descrevê-la como “infantil” e “narcisista”.

Apesar de citar as ofensas direcionadas à ex-primeira-dama, Soraya Thronicke deu enfoque nas declarações relacionadas ao voto feminino. No documento, ela cita a fala: “Mulher vota muito mal. Principalmente mulheres solteiras. Mulheres casadas, em geral, tendem a acompanhar o voto do marido”.

Soraya classifica a fala como discurso discriminatório dirigido às mulheres enquanto grupo social. Segundo o documento, a declaração atribui ao gênero feminino uma incapacidade de exercer o voto de forma autônoma. A senadora também aponta que a frase reforça estereótipos de submissão da mulher ao marido.

Sobre a frase em que Figueiredo sugere que as mulheres descontentes poderiam “arrancar os pentelhos das calcinhas”, a notícia-crime classifica como de conotação sexual e caráter depreciativo. O documento afirma que a fala usa o corpo feminino como instrumento de ridicularização, com foco nas mulheres identificadas como feministas.

A peça também cita a publicação de Figueiredo na rede X, feita após a repercussão do vídeo. Nela, o influenciador reitera a declaração sobre o voto: “Mulher não vota muito mal, mulher vota mal para caralho”. Para Soraya, essa publicação mostra reiteração da conduta.

Paulo Figueiredo se descreve, em sua conta no X, como “jornalista censurado pelo Alexandre”, em referência ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal). O perfil informa ainda se tratar da “oitava conta” do influenciador na rede social. O Estadão procurou Paulo Figueiredo por meio dessa conta no X, mas não recebeu resposta.

A notícia-crime pede ainda que o MPF avalie, se presentes os requisitos legais, a adoção de medida cautelar para proibir Paulo Figueiredo de usar redes sociais ou publicar conteúdos relacionados aos fatos investigados enquanto durar a apuração. Ou seja, o influenciador pode perder mais uma conta nas redes sociais.

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