Vereador de Paranaíba foi alvo de nota de repúdio de alunos da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) após críticas à manifestação de estudantes na Casa de Leis, na última segunda-feira (17). Os discentes protestavam por mais iluminação e segurança no campus após o registro de estupro de uma mulher no estacionamento da universidade, em 1º de julho. O caso veio à tona após a Polícia Civil divulgar o retrato falado do suspeito.
O parlamentar Andrew Robalinho da Silva Filho (PSDB) classificou como “algazarra” o protesto dos estudantes. A sessão foi pausada por dez minutos para conversa entre os manifestantes e os vereadores. “O que eu sinto constrangido, enquanto vereador, é um atropelo. Parece um Movimento Sem Terra”, afirmou o tucano.
O vereador criticou a postura dos alunos, sobretudo os do curso de direito. Ele alega que a Câmara de Vereadores não teria sido procurada sobre a falta de iluminação no campus.
“Eu já fui acadêmico de direito, todo mundo é universitário, todo mundo tem o direito de reivindicar. Agora, o que eu não concordo, nobre presidente e caros vereadores, é que quando você imagina acadêmico de direito, que amanhã as pessoas vão advogar, vão virar delegado, juiz, promotor, defensor, procurador, você imagina que tenha pelo menos um nível de respeito de conhecimento. Pelo que eu soube aqui, nenhum vereador e a Câmara nunca recebeu nenhuma sugestão por parte da UEMS, de nenhum aluno de que essa iluminação tá falha”, defendeu.
Nota de repúdio
A fala aconteceu após o protesto dos alunos na frente da Casa de Leis e depois da fala da representante do grupo, a presidente do DCE (Diretório Central dos Estudantes) da UEMS, Janaína Ferreira. Os estudantes pediram manutenção do campus na infraestrutura que possa melhorar a segurança, como a poda das árvores, rondas de agentes de segurança e iluminação.
“Mesmo que por 5, 4 anos, nós escolhemos essa cidade para estudar. Então, a gente merece ter um mínimo de segurança, o mínimo de dignidade para entrar numa universidade e poder sair com diploma na mão e não desistir no meio do caminho porque aconteceu algum crime contra a gente, contra a nossa dignidade, contra a nossa vida, contra a nossa integridade”, ela defendeu.
A Associação Atlética Acadêmica da unidade de Paranaíba da UEMS – A.A.A Canina – emitiu uma nota de repúdio sobre as falas do vereador.
“É inaceitável que um representante do Poder Legislativo utilize seu tempo de fala para desqualificar e criminalizar uma manifestação legítima de estudantes que lutam pela preservação da vida e da integridade física no campus. Ao classificar o movimento como um “atropelo”, compará-lo pejorativamente ao “movimento sem terra” e rotular o ato como “algazarra” ou tentativa de “invasão”, o vereador demonstra total desconexão com a realidade e a gravidade dos fatos”, afirma a nota.
Confira a nota na íntegra:
O que diz a UEMS?
Em nota à imprensa, a universidade declarou que o caso está sendo investigado sob sigilo pela polícia e que a administração da unidade prestou apoio à vítima desde o momento do relato dos fatos. A vítima, por sua vez, recebeu atendimento psicológico oferecido por meio das ações afirmativas da universidade de apoio aos estudantes, conforme declarou a instituição.
Em relação ao circuito interno de segurança, a UEMS afirmou que o sistema está em pleno funcionamento e que as imagens foram encaminhadas à Polícia Civil, que conduz as investigações. “A UEMS tem adotado o uso de câmeras de segurança em algumas unidades, em formato de ação piloto, visto que é um tema que tem sido muito solicitado pela comunidade acadêmica”, esclareceu.
“A Reitoria da UEMS acompanha de perto a investigação, presta todo o apoio institucional possível à acadêmica e reforça seu compromisso com ações de enfrentamento à violência de gênero, em consonância com a campanha Agosto Lilás”, cita a nota.
Por fim, em reunião realizada na segunda-feira (17), a gestão da universidade determinou o reforço da iluminação nas dependências da instituição e na infraestrutura, incluindo a aquisição de mais refletores e novas câmeras de monitoramento para todas as unidades que oferecem aulas noturnas.

Retrato falado
A Polícia Civil divulgou o retrato falado de um suspeito de cometer crime sexual em Paranaíba, a fim de localizar o suspeito. O crime foi cometido em julho deste ano na cidade.
De acordo com informações policiais, o retrato falado foi feito durante a investigação do crime, com apoio da DAM (Delegacia de Atendimento à Mulher) de Paranaíba.
Conforme apurado junto à delegada responsável pelo caso, detalhes da ocorrência não serão divulgados, a pedido da própria vítima, que solicitou sigilo.
Qualquer informação pode ser repassada à Polícia Civil, que garante o sigilo da identidade do denunciante. Além disso, a corporação orienta o cidadão a não confrontar ou abordar o suspeito, caso o identifique. Em vez disso, é preciso acionar imediatamente um dos contatos abaixo:
DAM de Paranaíba:
(67) 98105-1266
(67) 3503-1266
1ª Delegacia de Polícia de Paranaíba:
(67) 9219-9614

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