Vereadores de Campo Grande votam, na sessão desta terça-feira (3), um projeto de lei que declara o acervo de túmulos, sepulturas e jazigos do Cemitério Santo Antônio, patrimônio material, histórico, cultural, religioso e imaterial do Município de Campo Grande.
Conforme a proposição do vereador Otávio Trad (PSD), a declaração desse cemitério “significa reconhecer esse cemitério não apenas como um local de luto, mas como verdadeiro guardião da história, arquitetura, arte e cultura desta Capital”.
O local — considerado o cemitério mais antigo em funcionamento da Capital — é morada de personalidades históricas de Campo Grande, como da atriz Glauce Rocha e dos fundadores do município, José Antônio Pereira e Ary Coelho.
A justificativa da proposta destaca que o espaço vai além de um local de luto e representa um guardião da história, da arquitetura, da arte e da cultura da Capital. A iniciativa busca valorizar a importância do Cemitério Santo Antônio para a memória de Campo Grande, reconhecendo o conjunto de elementos históricos e culturais preservados no local.
Quem são as personalidades enterradas no local?
Glauce Rocha
Glauce Elddé Araújo Rocha, a nossa ilustre Glauce Rocha, atriz que faleceu aos 41 anos, precocemente depois de sofrer um infarto fulminante, em 12 de outubro de 1971, na cidade de São Paulo.
A história de sucesso surgiu quando Glauce reprovou em um vestibular e decidiu se inscreveu no Conservatório Nacional de Teatro, em Porto Alegre. Começou atuando em peças infantis. Entre 1950 e 1951, era integrante do grupo “Os Fabulosos”.
A primeira aparição profissional aconteceu em “Madame Sans Gene”. Seu primeiro destaque nacional foi ao lado de Alda Garrinho em “Dona Xepa”. No cinema, Glauce atuou em Terra em Transe, Navalha na Carne, Um Homem Sem Importância e outros 25 filmes.
Glauce ganhava holofotes e elogios de críticos. Após a morte, recebeu Prêmio Molière Póstumo pelo conjunto da carreira.

José Antônio Pereira
José Antônio Pereira foi um desbravador brasileiro, fundador da cidade de Campo Grande. Filho de Manoel Antônio Pereira e Francisca de Jesus Pereira, nascido em Barbacena, antigo Arraial de Nossa Senhora da Piedade da Borda do Campo, em Minas Gerais.
A família agricultora procurava um lugar para desenvolver o cultivo. O objetivo era chegar na região de Vacaria, em Mato Grosso. Antônio e o filho, Antônio Luiz, e os escravos João Ribeiro e Manoel, sertanista Luiz Pinto Guimarães, saíram em expedição. Seguindo os caminhos percorridos, passaram por Costa Rica, em direção a Coxim, extremo norte da Serra de Maracaju e Camapuã, até chegar com a família na Capital.
Segundo o depoimento da bisneta de José Antonio, Júnia Souza Lacerda, e Resumo Histórico da Cidade de Campo Grande 1872-1911, em 11 de janeiro de 1900, morre José Antônio Pereira, sendo sepultado em cemitério localizado na atual Praça Ary Coelho de Oliveira.
Com a desativação do aterro, seus ossos foram transladados para o cemitério que se localizava no bairro Amambaí, onde atualmente encontra-se construída a Casa da Indústria. Anos depois, a família transferiu o jazido dos Pereiras para o Cemitério Santo Antônio, onde também estão seus filhos e netos.

Ary Coelho
Ari Coelho de Oliveira, mais um desenvolvedor da Capital, foi médico e 39º prefeito da Capital. Mato-grossense, era um político nato. Foi fundador da Casa de Saúde Santa Maria. Os feitos levaram ao nome da praça na região central.
Em 21 de novembro de 1952, foi assassinado com um tiro no rosto, durante uma convenção do partido, em Mato Grosso. Assim como os demais fundadores, está sepultado no Cemitério Santo Antônio.

Lídia Baís
Lídia Baís, nome mais conhecido no cenário artístico. Pintora e desenhista, suas obras enigmáticas levavam força e representatividade para mulheres da época.
Parte da sua história está no prédio que leva seu nome, na Avenida Afonso Pena, casarão da artista, onde estão suas obras, quarto e móveis da família Baís.
Até os tempos atuais, Lídia é relembrada pelas cores e demonstração de talento em suas obras. Ela faleceu em 19 de outubro de 1985.

Vespasiano Martins
A história conta que o desbravador mineiro José Antônio Pereira é o responsável pelo surgimento da atual Capital, entretanto, uma relíquia com valor histórico considerável, salvaguardada pelo IHGMS (Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul), e que se encontra em processo de catalogação e restauração, pode reacender uma polêmica que há anos segue esquecida.
Segundo os documentos de autoria de uma das figuras históricas mais relevantes do Estado, Vespasiano Barbosa Martins, os primeiros habitantes do “arraial” teriam sido um homicida em fuga e sua esposa: João Nepomuceno e Maria Abranches.
Vespasiano foi um médico e político brasileiro. Levou na carreira o feito de ter sido uma vez prefeito de Campo Grande, por três vezes foi governador e senador por Mato Grosso em dois mandatos.
Aos 75 anos e com a saúde fragilizada, ele faleceu no dia 14 de janeiro de 1965. Está enterrado no Cemitério Santo Antônio.

Zé Correa
Zé Correa, cujo nome de batismo é Valfridez Corrêa Brás, nasceu em 28 de outubro de 1945, na Fazenda Torquato em Nioaque (MS). Teve uma carreira meteórica que foi prematuramente interrompida aos 29 anos, quando foi assassinado em 9 de abril de 1974.
Devido à forma virtuosa de tocar o acordeon duetado, estilo que fez escola para muitos outros acordeonistas do estado, Zé Correa foi chamado de “O Rei do Chamamé”. Sua experiência com o acordeon teve início 1961, aos 16 anos. Em 1964, teve a oportunidade de tocar com Amambai e Amambaí.

Sarah Abussafi Figueiró
Conhecida filantrópica, Sarah Abussafi Figueiró também foi fundadora e presidente da Associação Sul-Mato-Grossense dos Profissionais de Dança e do Hospital de Câncer Alfredo Abraão em 1996.
Ela auxiliou na regulação das categoria e promoveu grandiosos festivais. Foi também presidente da Associação Artístico de Cultural de MS, Associação dos Pintores de Porcelana. Sarah faleceu aos 85 anos por complicações de uma pneumonia e partiu no dia 5 de junho de 2019.

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