Requerimento para abertura de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) foi protocolado na Câmara de Vereadores de Nova Alvorada do Sul, nesta sexta-feira (31). Os parlamentares definiram como fato determinado o contrato de transporte universitário e o termo de fomento com associação universitária firmados pela Prefeitura de Nova Alvorada do Sul, município a 132 km de Campo Grande.
A CPI visaria investigar o Termo de Fomento nº 01/2026 celebrado com a Aeunas (Associação dos Estudantes Universitários de Nova Alvorada do Sul) e o contrato de prestação de serviço de transporte universitário mantido com a empresa Anjos Transporte e Turismo LTDA (CNPJ 30.058.833/0001-74).
O documento aponta que as denúncias sobre possíveis irregularidades já são alvo de investigação pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). Em maio, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) deflagrou a Operação Rota Desviada em Nova Alvorada do Sul para investigar contrato de transporte universitário. Além do contrato firmado pela Prefeitura, a operação também implicou vereadores e ex-vereadores do município.
Os vereadores citam que o termo de fomento com a Aeunas, associação que foi alvo da operação, sofreu aumento de 160% em relação a exercícios anteriores, passando de R$ 803,7 mil em 2023 e de R$ 900,4 mil em 2024 para R$ 2,44 milhões em 2026. O documento afirma que o crescimento se apresenta “sem justificativa técnica ou operacional aparente”.
As investigações da 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Nova Alvorada do Sul também indicam que os valores estariam desproporcionais ao que seria pago por cidades vizinhas com a mesma quantidade de moradores ou até maiores, como Jardim, Maracaju e Amambai.
A Prefeitura de Nova Alvorada do Sul teria interrompido os repasses após recomendação da promotoria, o que teria comprometido o transporte dos universitários pelo restante do ano letivo.
Os vereadores pedem que a CPI seja instalada pelo período de 60 dias, podendo ser prorrogado por igual período. Para a CPI ser instaurada, o requerimento da CPI precisa da assinatura de um terço dos 11 vereadores.
O documento já teria recebido as assinaturas dos vereadores Andrea Fernandes Fim Morais, conhecida como Andrea Fim (PSDB), e de Rones Cezar Leal, o Rones Cezar (PSDB).
O pedido é que o requerimento seja lido na próxima sessão da Casa de Leis, que acontece às terças-feiras, às 09h.
O Midiamax acionou o prefeito de Nova Alvorada do Sul, José Paleari (PP), para perguntar sobre a abertura de uma CPI sobre o tema. O espaço segue aberto para manifestações.
Operação
O Gaeco diz que vereadores e servidores públicos se beneficiavam de desvio de recursos públicos de convênio de R$ 1,4 milhão firmado entre a prefeitura e a Aeunas (Associação dos Estudantes Universitários de Nova Alvorada do Sul).
Conforme dados oficiais do portal da transparência do município, houve uma escalada expressiva nos valores destinados à entidade, que passaram de R$ 900 mil para R$ 2,4 milhões em 2026.
Ex-vereador em Nova Alvorada do Sul, Rogério Casarotto (PSDB) foi preso durante a operação com posse de arma de fogo. Casarotto pagou fiança e foi liberado.
Os agentes cumpriram 14 mandados na Operação Rota Desviada, incluindo a casa do ex-presidente da Câmara Sidcley Brasil da Silva, do vereador Ronaldo Camargo e do ex-marido de uma integrante de associação de transporte de estudantes do município.
Conhecido na cidade como Casarotto, o político foi eleito pela primeira vez em 2020, pelo PDT. Nas Eleições de 2024, disputou pelo PSDB e ficou como suplente, com 215 votos. Endereços de outros vereadores também foram alvo das investigações.
No dia da operação, em 19 de maio, o então presidente da Câmara de Nova Alvorada, Israel Gomes (PP), disse que os vereadores não tinham obrigação de fiscalizar o contrato investigado porque a Casa de Leis não tinha recebido denúncia sobre o desvio de recursos para transporte escolar no município.
💬 Fale com os jornalistas do Midiamax
Tem alguma denúncia, flagrante, reclamação ou sugestão de pauta para o Jornal Midiamax?
🗣️ Envie direto para nossos jornalistas pelo WhatsApp (67) 99207-4330. O sigilo está garantido na lei.
✅ Clique no nome de qualquer uma das plataformas abaixo para nos encontrar nas redes sociais:
Instagram, Facebook, TikTok, YouTube, WhatsApp, Bluesky e Threads.









