A deputada federal Camila Jara (PT) relatou novos detalhes do episódio em que foi impedida de participar de uma agenda promovida pela Fiems (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul) com o ministro da Fazenda de Lula (PT), Dário Durigan.
Ao Jornal Midiamax a parlamentar disse que o presidente da entidade, Sérgio Longen, teria ameaçado cancelar o jantar com o ministro e empresários caso ela estivesse presente.
A ação, de acordo com a deputada, ocorreu como retaliação por pedidos de investigação sobre a gestão financeira da instituição.
Gerida pelo empresário do setor de alimentos há quase duas décadas, a Fiems recebe recursos públicos para o fomento da atividade industrial, tendo autonomia para contratações que são alvo de investigações por suspeitas de irregularidades.
Agenda foi marcada por hostilidades do início ao fim, denuncia Camila
De acordo com Camila Jara, a escolha da Fiems para receber o ministro ocorreu após uma articulação da parlamentar e de outros membros do governo federal a partir de convite feito pelo presidente do Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários Estaduais de Fazenda), Flávio César Mendes de Oliveira.
Camila teria referendado o espaço junto aos industriários como ambiente oportuno para que Durigan pudesse dialogar com o setor, mesmo diante do histórico de denúncias envolvendo a gestão de Longen.
“Eu disse que isso não deveria ser um impeditivo pra gente dialogar, porque eu entendo que quando nós temos esses desgastes a gente tem que isolar a diretoria e conversar com o setor. Então a gente decidiu manter a reunião lá e o ministro falou: ‘Camila, mas pra não causar muito ruído eu quero que você me acompanhe’. Então eu fui designada pelo partido pra acompanhar o ministro, e a senadora Soraya também se colocou à disposição por nós entendermos que é fundamental isso, e a pauta da reunião era principalmente a pauta tributária e eu faço parte da comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados. Então eu fui justamente porque eles também estavam pautando a subvenção fiscal“, disse ao Jornal Midiamax.
Entretanto, a hostilidade ofertada às congressistas teria começado logo no início da agenda técnica.
“Um assessor do presidente Sérgio falou: ‘Você não pode entrar’, e eu fui e entrei”, contou a deputada. Segundo ela, a senadora Soraya Thronicke e as assessoras do ministro também enfrentaram dificuldades. “A senadora Soraya foi barrada, e ela bateu na porta e já entrou. […] [As assessoras] do ministro foram proibidas de entrar”, afirmou.

Durante a coletiva de imprensa, a deputada relatou ter sofrido uma nova tentativa de exclusão.
“Uma assessora me abordou a mando do Sérgio e falou: ‘É pra você sair daqui’. Aí eu falei: ‘Não, eu não vou sair. Eu fui convidada pelo ministro'”, detalhou à reportagem, dizendo que, sob orientação da Secretaria Nacional de Comunicação, quando ministros do Governo são entrevistados, representantes da bancada governista devem participar.
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‘Longen ameaçou cancelar jantar’
A conduta de exclusão da Fiems à representante de MS em Brasília teve o ápice no último compromisso da noite.
Segundo a parlamentar, no momento em que os convidados se dirigiam a um jantar para dar continuidade aos debates sobre pautas tributárias, Camila Jara teria sido barrada, inclusive com toque físico.
“Na hora que eu fui entrar no elevador, uma assessora já colocou a mão de uma maneira impositiva, impedindo, com toque físico, eu de entrar. […] Aí eles seguraram os elevadores e falaram: ‘Não, você não vai entrar porque existe uma ordem que você tá proibida'”, descreveu.
Diante da situação, a deputada afirmou ter ligado diretamente para o ministro para relatar que estaria sendo impedida de entrar.
“Ele [Durigan] falou: ‘Camila, o presidente [Longen] foi extremamente incisivo e disse que vai cancelar o jantar se você subir. [Ele] deixou claro que é porque você e o deputado Vander pediram seriedade nas investigações […] em relação à Fiems'”, explicou.
Camila vê o episódio como retaliação à sua atuação parlamentar.
“Ficou claro que é uma retaliação política e todo mundo que ousa investigar a gestão do presidente Sérgio vai sofrer retaliação, e eles vão, inclusive, ameaçar politicamente”, afirmou.
“Foram várias picuinhas que pareciam mais de um aluno da quinta série do que um presidente preparado pra tocar um plano de desenvolvimento econômico e industrial do Estado”, acrescentou a deputada.
Camila Jara, que é a única representante de Mato Grosso do Sul na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara Federal, criticou a postura da instituição perante duas parlamentares mulheres eleitas.
Segundo ela, a atitude “mostra que o comando da Fiems está muito mais preocupado com assuntos internos do que com o desenvolvimento do Estado”.
Exposição provocou denúncias contra Longen
A deputada revelou ainda que, após a divulgação do vídeo denunciando a situação nas redes sociais, passou a receber novas queixas de trabalhadores sobre o ambiente gerido pela diretoria.
“Recebi de um funcionário de uma das empresas do Sérgio que denunciou que os funcionários eram obrigados a almoçar do lado de uma fossa e, quando ele foi fazer a reclamação pra empresa, ele foi demitido, e de alguns funcionários da própria Fiems que, após relatarem assédios, foram demitidos”, concluiu a parlamentar à reportagem.
A reportagem acionou a Fiems para se posicionar e aguarda resposta.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)










