Alvo de operação do MPSP (Ministério Público de São Paulo), o advogado e produtor rural Nilo Fernando Sbrissa Lucafo, de Costa Rica (MS), é apontado como um dos caminhos usados por André Weiss, ex-número 3 da Secretaria da Fazenda de SP — que está preso —, para esconder parte do dinheiro ilegal obtido no esquema de corrupção envolvendo ressarcimentos de ICMS no estado vizinho.
A investigação aponta que, embora o advogado tenha declarado renda mensal de R$ 18,1 mil, ele movimentou R$ 12,2 milhões em uma única conta no banco entre março de 2025 e fevereiro de 2026 — valor muito acima do que sua renda declarada permitiria justificar.
Descontadas as transferências feitas entre contas do próprio Lucafo, restam cerca de R$ 3,6 milhões, que vieram de fontes externas. Desse montante, R$ 1,96 milhão entrou na forma de 334 depósitos em dinheiro vivo, uma quantidade de operações que chamou a atenção justamente pela fragmentação.
Foi o próprio banco quem comunicou a movimentação às autoridades, alertando que o formato picotado dos depósitos poderia ser uma forma de dificultar o rastreamento do dinheiro.
Entre as transações mapeadas pela investigação está uma transferência de R$ 200 mil feita diretamente por André Weiss para a conta de Lucafo, que é cunhado dele. Os investigadores também identificaram que valores circularam por meio de empresas ligadas ao produtor rural, reforçando a suspeita de que a estrutura familiar foi usada para movimentar e ocultar parte dos recursos do esquema.
Atualmente, Nilo mora em Costa Rica (MS), cidade próxima à divisa com Goiás, e é produtor de cana-de-açúcar.
Na quinta-feira (3), Nilo conversou com a reportagem do Jornal Midiamax e disse desconhecer a operação ou que seja alvo da ação: “Não tenho nem o que dizer nesse momento, pois não recebi nada”, disse.
O advogado afirmou que mora desde 2018 em uma fazenda no município e que está ‘desacelerando’ de advogar desde então. Por fim, afirmou que seus “negócios são 100% transparentes” e que está à disposição da Justiça.
Nesta sexta-feira, tentamos falar novamente com Nilo, mas as ligações não foram atendidas. Também não houve retorno de mensagens. O texto será atualizado assim que houver manifestação.
A operação contra a Máfia do ICMS prendeu Weiss e o advogado João André Buttini de Moraes, além de cumprir 47 mandados de busca e apreensão tanto na capital e no interior de SP quanto em Mato Grosso do Sul. O grupo é acusado de movimentar mais de R$ 1 bilhão com o esquema.
Desdobramento da Ícaro
A operação é um desdobramento da Operação Ícaro, em que foram presos executivos de grandes empresas, como a Ultrafarma e a Fastshop. Segundo as investigações, André Weiss ajudava no esquema, que contava com delegados tributários que faziam favores às empresas mediante suborno.
Conforme o MPSP, nesta nova fase, a estrutura investigada seria dividida em núcleos público e privado. Profissionais particulares captariam grandes contribuintes, negociariam facilidades e repassariam parte dos honorários a agentes públicos, que, por sua vez, interfeririam na fiscalização e na tramitação dos procedimentos, inclusive para centralizá-los, acelerá-los ou deferi-los.
As apurações indicam que o esquema teria alcançado diferentes níveis da administração tributária estadual, desde agentes responsáveis pela execução dos procedimentos até a cúpula da estrutura fazendária. De acordo com os elementos reunidos, um dos alvos teria repassado aproximadamente R$ 13,6 milhões ao então delegado regional tributário do Butantã entre 2021 e agosto de 2025.
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(Revisão: Nichole Munaro)





