Operação do MPSP (Ministério Público de São Paulo) contra a Máfia do ICMS cumpriu mandado de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul na manhã desta quinta-feira (3).
Um dos alvos é o advogado Nilo Fernando Sbrissa Lucafo, cunhado do diretor e ex-número 3 da Secretaria de Fazenda do Estado de SP, André Weiss, que foi preso na operação. Nilo possui escritório em Piracicaba que atua com crédito tributário.
Atualmente, Nilo mora em Costa Rica (MS), cidade próxima à divisa com Goiás, e é produtor de cana-de-açúcar.
À reportagem do Jornal Midiamax, Nilo disse desconhecer a operação ou que seja alvo da ação: “Não tenho nem o que dizer nesse momento, pois não recebi nada”, disse.
O advogado afirmou que mora desde 2018 em uma fazenda no município e que está ‘desacelerando’ de advogar desde então. Por fim, afirmou que seus “negócios são 100% transparentes” e que está à disposição da Justiça.
A operação contra a Máfia do ICMS prendeu Weiss e o advogado João André Buttini de Moraes, além de cumprir 47 mandados de busca e apreensão tanto na capital e no interior de SP quanto em Mato Grosso do Sul. O grupo é acusado de movimentar mais de R$ 1 bilhão com o esquema.
Desdobramento da Ícaro
A operação é um desdobramento da Operação Ícaro, que chegou a prender o empresário sul-mato-grossense Celso Eder Gonzaga de Araújo, o qual teve prisão domiciliar concedida posteriormente pela Justiça.
Ele é apontado como lobista e operador financeiro do esquema que movimentou mais de R$ 1 bilhão em propinas na Secretaria da Fazenda do Estado de SP, segundo o Ministério Público.
Naquela ocasião, foram presos executivos de grandes empresas, como a Ultrafarma e a Fastshop. Segundo as investigações, André Weiss ajudava no esquema, que contava com delegados tributários que faziam favores às empresas mediante suborno.
Conforme o MPSP, nesta nova fase, a estrutura investigada seria dividida em núcleos público e privado. Profissionais particulares captariam grandes contribuintes, negociariam facilidades e repassariam parte dos honorários a agentes públicos, que, por sua vez, interfeririam na fiscalização e na tramitação dos procedimentos, inclusive para centralizá-los, acelerá-los ou deferi-los.
As apurações indicam que o esquema teria alcançado diferentes níveis da administração tributária estadual, desde agentes responsáveis pela execução dos procedimentos até a cúpula da estrutura fazendária. De acordo com os elementos reunidos, um dos alvos teria repassado aproximadamente R$ 13,6 milhões ao então delegado regional tributário do Butantã entre 2021 e agosto de 2025.
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(Revisão: Nichole Munaro)







