O presidente interino do hospital Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande, Heitor Scheibeler, chegou ao topo da diretoria após mudanças em janeiro de 2026. Na sexta-feira (11), a presidente Alir Terra e outros dois diretores foram presos em operação contra corrupção no maior centro médico de Mato Grosso do Sul.
Em 2025, a chapa de Alir foi reeleita para um segundo mandato de três anos. Em 2 de janeiro de 2026, a diretoria tomou posse. Menos de 20 dias depois, o vice-presidente Jary Castro renunciou ao cargo.
Heitor é administrador de empresas e foi diretor-secretário na equipe da presidente afastada. Ele, junto dos filhos, é dono de um loteamento particular em Santo Augusto (RS).
Com a renúncia de Jary, ele foi alçado à vice-presidência, como prevê o estatuto do hospital.
O MPMS (Ministério Público do Estado de MS) chegou a pedir a prisão de Jary, mas a Justiça não viu elementos suficientes para essa medida. Porém, ele foi alvo de mandado de busca e apreensão.
Operação mira esquema de fraude em contratos da Santa Casa de Campo Grande
Em 11 de setembro de 2026, o MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) — por meio do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) — realizou a Operação Antidotum, contra um suposto esquema de fraude em contrato da Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande.
Foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão, em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).
Os alvos foram:
- Alir Terra Lima, presidente da Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande;
- Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, diretor-adjunto de finanças do hospital;
- Rinaldo Hakme Romano, ex-diretor financeiro do hospital;
- Alessandro Dias Junqueira, ex-diretor administrativo do hospital;
- Monique Gregório de Oliveira, coordenadora do Serviço de Arquivamento Médico e Estatística do hospital;
- Maurício Aparecido Benites, empresário.
As investigações apontaram possíveis fraudes e desvios de dinheiro em contrato firmado pela ABCG (Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande) — mantenedora da unidade — para a prestação de serviços de digitalização de prontuários, no qual foram efetuados pagamentos elevados sem a devida prestação de serviços.
O contrato previa pagamento de R$ 1,8 milhão por ano e tinha vigência de três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Somente no primeiro ano de vigência, o desvio de recursos totalizou R$ 1,4 milhão.
O Gecoc constatou, ainda, irregularidades em contratos celebrados pela operadora de plano de saúde Santa Casa Saúde com diversas empresas do mesmo grupo. Essas empresas, cujo proprietário tinha ligações com a diretoria da Santa Casa, estavam registradas no mesmo endereço, mas o imóvel, na verdade, estava desocupado.
Somente em 2025, a Santa Casa Saúde pagou R$ 9,6 milhões para essas empresas e gerou um prejuízo de, no mínimo, segundo apurado até o momento, R$ 3,5 milhões.
Além disso, contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente sonegados dos órgãos de controle, incluindo o Conselho Fiscal da Santa Casa e a CGE-MS (Controladoria-Geral do Estado de MS).
O total do prejuízo causado à Santa Casa de Campo Grande ainda está sob investigação.
A ação contou com apoio operacional do BPChq/PMMS (Batalhão de Choque da Polícia Militar de MS) e a participação da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados da OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil Seccional de MS).
“Antidotum”, termo que dá nome à operação, traduz-se do latim como “antídoto” e significa contraveneno ou contramedida, substância que neutraliza ou impede a ação nociva de uma toxina no organismo. Também é usado no sentido figurado como recurso ou solução contra um problema.
Sabe de algo que o público precisa saber? Fala pro Midiamax!
Se você está por dentro de alguma informação que acha importante o público saber, fale com jornalistas do Jornal Midiamax!
E você pode ficar tranquilo, porque nós garantimos total sigilo da fonte, conforme a Constituição Brasileira.
Fala Povo: O leitor pode falar direto no WhatsApp do Jornal Midiamax pelo número (67) 99207-4330. O canal de comunicação serve para os leitores falarem com os jornalistas. Se preferir, você também pode falar com o Jornal direto no Messenger do Facebook.









