A defesa dos seis presos por envolvimento em um esquema de fraude no tapa-buraco em Campo Grande voltou para a primeira instância da Justiça de Mato Grosso do Sul para pedir a liberdade. Uma operação em maio de 2026 prendeu sete pessoas.
Os primeiros pedidos de revogação da prisão preventiva haviam sido negados pelo Núcleo de Garantias. Os recursos também foram rejeitados pelo desembargador Zaloar Murat Martins de Souza, da 3ª Câmara Criminal. Antes do julgamento no colegiado, os advogados apresentaram desistência, que foi homologada.
Agora, esses pedidos das defesas de Rudi Fiorese, Mehdi Talayeh, Edivaldo Aquino Pereira, Fernando de Souza Oliveira, Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula e Antonio Bittencourt Jacques Pedrosa foram para a 5ª Vara Criminal da Capital. Este órgão julgador é o mesmo da Operação Cascalhos de Areia, um desdobramento da atual Operação Buraco sem Fim.
O juiz Waldir Peixoto Barbosa recebeu as petições na semana passada, mas ainda não as avaliou.
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Operação Buraco sem Fim
Em 12 de maio de 2016, o MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) deflagrou a Operação Buraco sem Fim, cumprindo sete mandados de prisão e dez de busca e apreensão em Campo Grande, contra um esquema de fraude no serviço de tapa-buraco.
Foram presos Rudi Fiorese, ex-secretário municipal de Infraestrutura; Mehdi Talayeh, ex-superintendente de Serviços Públicos da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos); Edivaldo Aquino Pereira, ex-gerente de Manutenção de Vias da Sisep; Fernando de Souza Oliveira, ex-servidor da Sisep; Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula, ex-servidor da Sisep; Antonio Bittencourt Jacques Pedrosa, engenheiro civil e filho de Antonio Roberto.
A investigação constatou a existência de uma organização criminosa que atua fraudando, sistematicamente, a execução do serviço de manutenção de vias públicas, por meio da manipulação de medições e da realização de pagamentos indevidos.
Os promotores descobriram pagamentos públicos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados, com o propósito de permitir o desvio de dinheiro público, o enriquecimento ilícito dos investigados e, como consequência, a má qualidade das vias públicas municipais.
Levantamento indica que, entre 2018 e 2025, a empresa investigada, a Construtora Rial, amealhou contratos e aditivos no valor de R$ 113.702.491,02.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram encontrados valores elevados em dinheiro vivo, totalizando pelo menos R$ 429 mil. Só no endereço do ex-secretário municipal de Infraestrutura, Rudi Fiorese, havia R$ 186 mil em espécie. No imóvel de outro alvo, havia R$ 233 mil, também em notas de real.
A ação foi deflagrada pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), em conjunto com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado), a Unidade de Apoio à Investigação do CI/MPMS (Centro de Pesquisa, Análise, Difusão e Segurança da Informação) e a 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público de Campo Grande.
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