Três administradores de CNPJs que controlam o Consórcio Guaicurus foram condenados por danos ambientais por destruírem mais de 1,4 mil hectares de área de preservação na Fazenda Jequitibás, em Nova Alvorada do Sul, distante 115 km de Campo Grande.
Entre os réus, constam o representante legal do Consórcio Guaicurus, Paulo Constantino de Carvalho, assim como Maria Fernanda Constantino Oishi Pires e Thiago Constantino Di Colla. Os dois últimos constam como administradores de holdings da família Constantino criadas para controlar as empresas da família, incluindo o Consórcio Guaicurus.
Além dos três, constam como réus no processo: Ana Paola Constantino Meneghin, Bruno Constantino Di Colla, Caio Cesar Constantino Oishi, Guilherme Constantino Bongiovanni, Isabela Constantino Meneghin, Lara Constantino Emidio, Leonardo Constantino Meneghin, Lucas Constantino Di Colla, Marcela Constantino de Souza Cezario, Maria Constantino Emidio, Maria Eduarda Constantino Oishi, Renata Constantino de Carvalho e Rodrigo Constantino Bongiovanni.
A ação é movida desde 2011 pelo Ministério Público e teve sentença proferida pela juíza Camila de Melo Mattioli Pereira, da 1ª Vara de Nova Alvorada do Sul.
Na denúncia, o promotor de Justiça Maurício Mecelis Cabral diz que houve degradação de 1,4 mil hectares de APP (Área de Preservação Permanente), destruição de vegetação ciliar às margens do Rio Ivinhema, além da constatação de uma reserva legal que só existe no papel, mas que imagens de satélite teriam comprovado não existir.
No entanto, dos três pedidos feitos pela promotoria, apenas um foi acatado pela juíza, que determinou que os réus recuperem e mantenham a área preservada. No decorrer do processo, laudo pericial comprovou que a área já está em processo de restauração.
Então, a sentença ordena que os empresários continuem com o processo de recuperação integral das áreas e cumpram rigorosamente o cronograma estabelecido no Prada (Plano de Recuperação de Área Degradada e Alterada).
Os outros pedidos rejeitados pela juíza são de pagamento de indenização financeira pelos danos ambientais causados no passado e de pagamento por dano moral coletivo.
Ainda cabe recurso da decisão.
Em nota enviada ao Jornal Midiamax antes da sentença, a defesa da Fazenda Jequitibás diz que laudo pericial protocolado nos autos, em maio de 2024, afirma não ter identificado danos ambientais atuais nas áreas de preservação permanente e reserva legal da propriedade, “que se encontram delimitadas e em processo de recuperação, conforme o cronograma aprovado”, diz trecho da nota.
A nota ainda diz que “o mesmo laudo registra que a propriedade aderiu ao Cadastro Ambiental Rural e ao programa MS Mais Sustentável, e que os projetos de recuperação foram protocolados e confirmados pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul, o Imasul”.
A reportagem tenta novamente contato com a defesa para posicionamento após a condenação judicial. O espaço segue aberto para manifestação.
Afastados do Consórcio pela intervenção

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Os três administradores do Consórcio Guaicurus que foram condenados por dano ambiental estão afastados temporariamente da direção da concessionária desde o dia 16 de junho, quando a prefeita Adriane Lopes (PP) decretou a intervenção nas empresas do transporte coletivo de Campo Grande.
Desde então, os sócios do Consórcio Guaicurus são acusados de tentar melar os trabalhos da intervenção. Em decisão judicial recente, eles conseguiram que a Justiça barrasse os interventores de movimentar contas da concessionária.
O interventor-chefe, Aléxandro de Oliveira, também revelou a suspeita de que, assim que a intervenção foi decretada, os empresários adotaram medidas para ‘torrar dinheiro’, com objetivo de boicotar os trabalhos dos interventores.
Na ação principal de intervenção, o juiz analisa se autoriza perícia para avaliar possíveis desvios de R$ 46 milhões que os empresários teriam feito de dinheiro da concessão, ao adotar manobras como vender a principal garagem da concessionária a uma empresa que também pertence aos Constantinos e ao enviar R$ 32 milhões para a Viação São Francisco, que foi extinta logo depois, sem dinheiro em caixa.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








