A Justiça marcou para a próxima sexta-feira (19) a continuação de audiências de instrução e julgamento em uma das ações contra o jogo do bicho em Mato Grosso do Sul. Desde a semana passada, testemunhas de defesa e de acusação, além dos réus, estão sendo ouvidas.
Desta vez, prestarão depoimento os réus Marcelo Tadeu Cabral, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk, além do ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk. O pai deles, Roberto Razuk, também é réu da ação, mas não será ouvido nesta audiência.
Na última sexta-feira (12), foram ouvidas as testemunhas de defesa restantes dos réus Samuel Ozório Júnior e Marco Aurélio Horta. O processo está sob sigilo; portanto, apenas as partes interessadas puderam acompanhar a audiência.
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Operação desmontou organização criminosa que operava jogo do bicho em Campo Grande
Em dezembro de 2023, o Gaeco/MPMS (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) deflagrou a Operação Successione contra uma organização criminosa que operava o jogo do bicho em Campo Grande.
No total, dez pessoas foram alvos da ação. Entre elas, estava o então deputado estadual Neno Razuk (PL).
O Gaeco foi às ruas após o registro de roubos de malotes de grupos rivais que estavam atuando em Campo Grande. Três boletins de ocorrência foram registrados por roubo destes malotes, e duas das três vítimas teriam reconhecido um sargento da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) como autor dos assaltos.
“Tenho certeza de que não tenho nenhum envolvimento com essa atividade. Acordei com essa surpresa”, disse Neno na época. “Tenho certeza de que quando essa investigação acabar, vai ser mostrado que não tenho nenhum envolvimento”, complementou.
De acordo com o Gaeco, a organização criminosa agia de maneira violenta para estabelecer seu domínio, mesmo depois da ação em outubro de 2023, quando 700 máquinas do jogo do bicho foram apreendidas em um QG, no bairro Monte Castelo.
Segundo as investigações, a organização é integrada por policiais militares da reserva e de um ex-policial militar, que se valiam de sua condição, especialmente do porte de arma de fogo, como forma de subjugar a exploração do jogo ilegal aos mandos e desmandos da organização criminosa, tudo para tornar Campo Grande novo território sob seu comando.
Ainda em dezembro, foi realizada a segunda fase da Successione. Na ocasião, foram cumpridos 12 mandados de prisão preventiva e quatro mandados de busca e apreensão.
De acordo com o Gaeco, a organização criminosa agia de maneira violenta para estabelecer seu domínio, mesmo depois da ação em outubro de 2023, quando 700 máquinas do jogo do bicho foram apreendidas em um QG, no bairro Monte Castelo.
Segundo as investigações, a organização é integrada por policiais militares da reserva e por um ex-policial militar, que se valiam de sua condição, especialmente do porte de arma de fogo, como forma de subjugar a exploração do jogo ilegal aos mandos e desmandos da organização criminosa, tudo para tornar Campo Grande novo território sob seu comando.
Em janeiro de 2024, a terceira fase foi deflagrada com o cumprimento de dois mandados de prisão preventiva e um de busca e apreensão. Um dos presos usava o nome do então governador e do secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública para aplicar golpes.
E em novembro de 2025, o Gaeco realizou a quarta etapa da Successione. Foram cumpridos 20 mandados de prisão preventiva e 27 mandados de busca e apreensão nos municípios de Campo Grande, Corumbá, Dourados, Maracaju e Ponta Porã, além de alvos nos estados do Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul.
Além de Neno, o pai Roberto Razuk e os irmãos Rafael Godoy Razuk e Jorge Razuk Neto foram alvos da ação. Neno é apontado pelos promotores como líder da organização criminosa.
Roberto Razuk foi apontado pelo Gaeco como antigo chefe da operação do jogo do bicho na região sul do Estado. Até a década de 1990, o esquema em todo o Mato Grosso do Sul era liderado por Fahd Jamil, também alvo da Successione em fases anteriores.
Fahd deixou o comando da organização criminosa e dividiu a operação em duas frentes: a região de Campo Grande ficou com Jamil Name e a da região de Dourados e Ponta Porã passou para Roberto Razuk. O antigo líder ficou distante, mas manteve influência, como mostrou reportagem da revista Piauí em dezembro de 2024.
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