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Justiça devolve aparelhos, mas retém dinheiro de ex-Sisep em Campo Grande

Mehdi Talayeh é investigado por integrar suposto esquema de fraude no serviço de tapa-buraco
Adriel Mattos -
Prédio da Sisep. (Léo de França, Jornal Midiamax)

A Justiça autorizou a devolução de aparelhos eletrônicos de Mehdi Talayeh, ex-superintendente de Serviços Públicos da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos), mas negou a restituição de dinheiro em espécie apreendido. O valor total não foi revelado.

Mehdi é investigado por integrar um suposto esquema de fraude no serviço de tapa-buraco da prefeitura de . Ele chegou a ficar preso por quase um mês.

Em despacho, o juiz Waldir Peixoto Barbosa, da 5ª Vara Criminal, autorizou a entrega de um notebook Dell, um pendrive Sandisk, um telefone celular Apple iPhone 14 Pro e documentos físicos. O dinheiro apreendido seguirá retido.

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Operação Buraco sem Fim

Em 12 de maio de 2016, o MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) deflagrou a Operação Buraco sem Fim, cumprindo sete mandados de prisão e dez de busca e apreensão em Campo Grande, contra um esquema de fraude no serviço de tapa-buraco.

Foram presos Rudi Fiorese, ex-secretário municipal de Infraestrutura; Mehdi Talayeh, ex-superintendente de Serviços Públicos da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos); Edivaldo Aquino Pereira, ex-gerente de Manutenção de Vias da Sisep; Fernando de Souza Oliveira, ex-servidor da Sisep; Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula, ex-servidor da Sisep; Antonio Bittencourt Jacques Pedrosa, engenheiro civil e filho de Antonio Roberto.

A investigação constatou a existência de uma organização criminosa que atua fraudando, sistematicamente, a execução do serviço de manutenção de vias públicas, por meio da manipulação de medições e da realização de pagamentos indevidos.

Os promotores descobriram pagamentos públicos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados, com o propósito de permitir o desvio de dinheiro público, o enriquecimento ilícito dos investigados e, como consequência, a má qualidade das vias públicas municipais.

Levantamento indica que, entre 2018 e 2025, a empresa investigada, a Construtora Rial, amealhou contratos e aditivos no valor de R$ 113.702.491,02.

Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram encontrados valores elevados em dinheiro vivo, totalizando pelo menos R$ 429 mil. Só no endereço do ex-secretário municipal de Infraestrutura, Rudi Fiorese, havia R$ 186 mil em espécie. No imóvel de outro alvo, havia R$ 233 mil, também em notas de real.

A ação foi deflagrada pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), em conjunto com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado), a Unidade de Apoio à Investigação do CI/MPMS (Centro de Pesquisa, Análise, Difusão e Segurança da Informação) e a 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público de Campo Grande.

Em 11 de junho, o grupo investigado foi solto por decisão da 4ª Vara Criminal de Campo Grande.

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