Após retornar à prefeitura de Terenos, Budke suspende expediente em órgãos públicos por 3 dias Pular para o conteúdo
Política

Após retornar à prefeitura de Terenos, Budke suspende expediente em órgãos públicos por 3 dias

Justificativa para a interrupção das atividades é devido à “reorganização administrativa” após o retorno do tucano para a cadeira de prefeito
Thalya Godoy -
Henrique Budke ficou afastado da prefeitura por cerca de oito meses. (Reprodução, Redes Sociais)

Poucos dias após retornar ao cargo de prefeito de , Henrique Budke (PSDB), mandou suspender o expediente nos órgãos públicos municipais por três dias, entre esta segunda (29) e quarta-feira (1º). A justificativa da medida é para a “reorganização administrativa decorrente da reassunção do Prefeito Municipal ao exercício do cargo” após o tucano ter sido afastado do comando do executivo por cerca de oito meses depois de ter sido alvo da Operação Spotless.

O Decreto nº 7917, de 26 de junho de 2026, foi publicado no Diário da Assomasul (Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul), desta segunda-feira. O texto considera que a “reorganização administrativa demanda a realização de levantamentos, conferências, ajustes operacionais e alinhamentos internos entre os órgãos da Administração Municipal”. 

A suspensão do expediente nas repartições públicas da Administração Direta de Terenos não se aplica aos serviços públicos considerados essenciais, que deverão funcionar normalmente com escalas. 

Os serviços essenciais envolvem saúde, limpeza pública, coleta de resíduos, segurança patrimonial, atendimento de urgência e emergência e “demais atividades cuja interrupção possa comprometer o interesse público”.

Foram prorrogados para quinta-feira (2) os prazos administrativos que se encerram neste período de suspensão do expediente na Prefeitura de Terenos. 

Na mesma edição do Diário da Assomasul, foi publicado o Termo de Recondução e Reassunção de Henrique Budke ao exercício ao cargo de prefeito, a contar a partir de 25 de junho. O documento é assinado pelo tucano e o presidente da Câmara de Terenos, Leandro Guimarães Caramalac da Costa (PSB).

Contratos

Este não foi o primeiro ato de Henrique Budke após retornar ao comando do executivo municipal. Na última quinta-feira (25), o tucano mandou rescindir de forma unilateral cinco contratos administrativos firmados com empresas responsáveis por obras no município.

Entre as empresas que tiveram contratos rescindidos está a Bonanza Comércio e Serviços Ltda. e a HG Empreiteira & Negócios Ltda., ambas citadas nas investigações da Operação Spotless, deflagrada em setembro de 2025 pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção).

Além dessas duas empresas, também teve contrato rescindido com a RS Construções & Serviços Ltda. EPP, Sansão Inácio Rezende Eireli-ME e Genilton da Silva Moreira-ME.

Conforme os atos publicados pela Prefeitura, quatro rescisões foram fundamentadas na inexecução total dos contratos, além da conveniência administrativa e da inviabilidade da continuidade da execução contratual. No caso da RS Construções, a justificativa foi a suspensão do contrato. Em todos os atos, a administração municipal também cita a suspensão cautelar decorrente do Decreto Municipal nº 7.520/2025.

Retorno ao cargo

Na quarta-feira (24), o ministro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça, revogou a medida que impedia Henrique Budke de exercer o mandato de prefeito. Apesar de autorizar o retorno ao cargo, o magistrado manteve outras medidas cautelares impostas ao investigado, como o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de manter contato com outros investigados e testemunhas e a vedação a atuar em contratos e licitações que são objeto da Operação Spotless.

Budke também permanece proibido de firmar novos contratos com empresários e empresas denunciados na ação penal.

Operação Spotless

Deflagrada em setembro de 2025, a Operação Spotless investiga um suposto esquema de fraude em licitações e corrupção na Prefeitura de Terenos. Conforme o Ministério Público, a organização criminosa teria direcionado licitações, fraudado a competição entre empresas e pago propina a agentes públicos para favorecer contratos de obras e serviços no município.

Segundo a investigação, as fraudes superariam R$ 15 milhões apenas no último ano analisado. O prefeito Henrique Budke foi apontado pelo MPMS como líder da suposta organização criminosa. Ele nega as acusações, afirma ser inocente e responde ao processo em liberdade.

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